Quando falamos de surf, geralmente pensamos em lugares como Indonésia, Hawaii, Califórnia (EUA), Austrália, e tantos outros. Confesso que nunca havia imaginado ir a Nova Zelândia surfar. Tudo começou no final do ano passado, quando eu e minha namorada, Kika Elias, grande parceira de viagens, já estávamos com tudo pronto para ir ao México.
Tivemos que adiar o sonho de conhecer a cultura mexicana por conta dos atentados violentos protagonizados pelo narcotráfico, em rebelia às ações do governo no país. Então resolvemos mudar nosso rumo e ir à terra dos kiwis.
No começo fiquei meio receoso, desconfiado com o potencial das ondas: “Estou deixando de surfar picos como Puerto Escondido, Rio Nexpa e Barra de La Cruz para surfar o quê?”. Mas agora, de volta ao Brasil, posso responder que foi um bom negócio passar dois meses na Nova Zelândia.
No país é possível encontrar ondas boas em todos os cantos. São duas grandes ilhas, mas os principais picos estão localizados na ilha Norte, onde dois se destacam: O mais famoso e conhecido pelos surfistas internacionais é Raglan, na costa Oeste da ilha Norte, localizado no gelado mar da Tasmânia. O outro é Gisborne, do outro lado da ilha Norte e banhado pelo oceano Pacífico.
Resolvi apostar minhas fichas em duas diferentes regiões. Primeiro na península de Coromandel, costa Leste da ilha Norte. A duas horas e meia de Auckland, Whangamata é uma pequena e charmosa cidade do oceano Pacífico. O potencial desta região é incrível, em menos de 2 quilômetros é possível encontrar três excelentes points.
O primeiro é Whanga Bar, um point break para esquerda com ondas bem divertidas e longas. Nos dias clássicos elas ficam mais poderosas e com seções tubulares. É possível ver fotos dos dias épicos de Whanga Bar em todos os bares e lojas da cidade. Mais para o meio da praia, perto das ilhas, fica Main Beach, um beach break de ótima qualidade com direitas e esquerdas bem poderosas. É também o pico mais constante de Whangamata, diversão garantida!
Por último, nesta mesma faixa de areia, é possível encontrar aquilo que chamei de minha menina dos olhos. O nome e as coordenadas exatas deste secret não revelarei, em respeito aos nativos. Mas esse pico é um point break para direita, localizado em frente a uma boca de rio com visual alucinante.
Em seguida cruzamos a ilha e fomos para Raglan. Lá estava na principal surf city da Nova Zelândia, bem pequena e aconchegante. Artes influenciadas pelo espírito do mar estão espalhadas por todas as lojas, galerias e restaurantes da cidade. É uma atmosfera incrível, voltada para a paz e harmonia que o surf causa em seus praticantes.
Raglan é um point break para esquerda que quebra em cima de um fundo de pedras. Suas ondas parecem não ter fim. O pico é composto por quatro seções, as duas primeiras são chamadas de Outside e Indicators. Indicators fica mais próxima à montanha e consequentemente é a mais protegida do vento.
Depois, pela ordem, vêm Whale Bay e Manu Bay. Todos os points possuem excelentes ondas mas, como o mar muda muito rápido por lá, é necessário sempre checar todos os picos antes de fazer a queda.
Alguns nativos me contaram que dependendo da força e da direção do swell é possível conectar a onda desde Outside Indicators até Manu Bay, o que seria muita onda. Eles dizem que é muito raro de acontecer, mas acontece! Só para vocês realmente entenderem sobre o que eu estou falando, esta onda tem o status de a terceira esquerda mais longa do mundo depois de Chicama, Peru, e Pavones, Costa Rica.
Minhas principais dicas para quem for se aventurar por aqueles lados são: alugar um carro (a maioria dos picos não são de fácil acesso), long john para enfrentar a água gelada e uma botinha para os dias mais frios.
A melhor época para pegar onda é entre março e maio, quando as ondulações começam a ficar mais constantes e os ventos ainda não estão muito fortes. Mas a verdade é que rolam ondas durante o ano inteiro, mas durante o verão os swells não são tão constantes. Em compensação, no inverno as ondas não param de bombar e a ventania causada pelas frentes frias – vindas da Antártica – quase não dão trégua. Boas ondas a todos e sempre respeitem o mar!
Clique aqui para saber mais sobre o trabalho do fotógrafo André Andreoni. Para saber mais sobre o trabalho da fotógrafa Kika Elias, acesse seu perfil no Flickr.




























