Por trás das notas

As boas maneiras do surfe

Treinar no Hawaii tem sido uma difícil tarefa para os surfistas profissionais em geral, e não mais apenas para os brasileiros. Sul-africanos e australianos também tiveram problemas nesta temporada.

 

Os locais estão usando alguns lutadores do Kauai para bater e intimidar os atletas estrangeiros, inclusive comprando a briga dos outros.

 

O surfista catarinense Ricardo Azevedo foi uma das vítimas nesta temporada. Desde o ano passado Peterson Rosa não consegue treinar direito por lá, mas mesmo assim fez semifinal em Sunset em 2002.

 

Alguns estão sugerindo levar um grupo de lutadores para fazer a segurança aos nossos surfistas nas etapas do WCT. Pode até parecer estranho, mas se a situação piorar, pode até vir a ser uma solução.

 

Desde que o surfe cresceu, o localismo se desenvolveu na mesma proporção, pois as boas ondas sempre foram mais procuradas e, com o aumento do número de surfistas, não sobra onda boa para todos.

 

Os surfistas foram viajando e descobrindo novas praias, muitos encontraram suas ondas de sonho e não voltaram mais e em vários lugares do mundo os locais são “gringos”. Aos poucos, com o desenvolvimento da estrutura de competição, as coisas ficaram mais amenas, muitos tinham que viajar para ganhar a vida e não ficava bem tratar mal os visitantes em sua praia.

 

Hoje, com o crescimento do turismo esportivo e com popularização do nosso esporte, surfistas viajam pelos quatro cantos do mundo à procura de ondas perfeitas. Este fluxo de turismo e dólares foi desenvolvendo muitas vilas de pescadores, mudando inclusive os hábitos locais, gerando emprego, renda e novos surfistas locais.

 

Um amigo viajado reclamou outro dia que não deviam ter dado pranchas para os nativos, pois eles hoje dominam vários destinos do surfe e não sobra onda para ninguém.

 

Em qualquer lugar hoje tem “crowd”, e é importante saber chegar sem incomodar. Infelizmente, nós brasileiros temos uma má fama ao redor do mundo, muitos pagam pelo que alguns fizeram. É importante respeitar os locais, eu inclusive já sei que eles vão me rabear nas primeiras ondas, é importante ter paciência.

 

É importante acordar bem cedo, pois geralmente tem menos gente. É importante pegar as mudanças da maré, antes da galera entrar no mar. Dentro do mar tem que esperar uma onda só tua, em hipótese alguma rabear um local, se rabeado não reclamar, pois é isso que eles querem.

 

Graças a Deus eu sempre soube chegar na casa dos outros, sempre pedindo licença e tratando bem os locais, assim como eu sempre gostei de ser bem tratado em casa.

Em 30 anos de surfe nunca tive problemas e já surfei em mais de vinte países. Tenho certeza que a maneira de chegar é determinante, e a educação é fundamental para conseguir surfar ondas boas entre os locais.

Boa educação e boas ondas.  

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)