Além de apaixonado por esportes de ação, onde o contato com a natureza é maior, sempre gostei de trabalhar com madeira.
Desde os 7 anos de idade, época em que meu avô possuía uma marcenaria, comecei fazendo alguns brinquedos de madeira, carrinhos de rolemã, skates, e depois parti para algumas miniaturas, até mais tarde, os aeromodelos – mas em todos os casos, procurava a melhor relação entre desenho e função.
Em 2009, tive a chance de conhecer duas empresas norte americanas pioneiras na construção de pranchas de madeira, além de marceneiros apaixonados por surfe, que utilizavam técnicas diferentes, mas que se completavam. Foi nesta ocasião que resolvi tomar um rumo diferente na minha vida e conciliar as paixões da infância com o desenvolvimento de um produto diferenciado.
Testei diversos materiais. Por exemplo, uma pranchas que fiz foi inteiramente construída com madeira obtida em caçambas de entulho, que depois de tratada e beneficiada, revelou-se de primeira qualidade – é incrível o que a reciclagem foi capaz de proporcionar!
Depois de procurar por um material leve, resistente e alternativo, concluí que o Bambú é a madeira do futuro. É importante lembrarmos as escolhas que fazemos no nosso dia a dia e o quanto elas refletem e afetarão a vida de nossos filhos e netos.
Construção das pranchas
O processo é muito parecido ao utilizado na construção de barcos de madeira, conhecido como Wood Strip Construction. A estrutura da prancha também lembra a asa de um avião, onde as “cavernas” (coluna vertebral) dão o formato do shape – por isso a construção começa de dentro para fora, respeitando-se o desenho elaborado em 3D.
Com estilo Vintage, um visual leve e agradável, as pranchas de madeira se comportam de maneira diferente das pranchas atuais, uma vez que sua rigidez e a densidade da madeira, proporcionam um maior deslocamento com menor perda de energia.
Standup Paddles – um esporte em ascensão
Sempre observei a fascinação que o mar exerce nas pessoas, mas o quanto possuir uma embarcação limita as possibilidades daqueles que querem ingressar neste prática de esporte e lazer.
Foi com isto em mente, que desenvolvi uma prancha de standup, desenhada para possibilitar aos amantes do mar, esportistas ou não, uma navegabilidade rápida e segura, proporcionando a adesão ao esporte e, quem sabe, uma mudança no seu estilo de vida.
Estabeleci parceria com a empresa NeoBambú, especializada em pisos e revestimentos ecológicos, que adequou parte de seus produtos às minhas necessidades. O material depois de beneficiado, é laminado na espessura de 3mm à 6mm – dependendo da estrutura e do projeto.
A cobertura de proteção das pranchas, originalmente feitas em fibra de vidro e epóxi (ao invés de polyester), podem ser substituídas por resinas orgânicas, verniz à base de água ou cera de abelha, dependendo da intensidade do uso.
Além das pranchas de Surf, de Stand-Up e Remos, produzo peças de Design (móveis e objetos desenvolvidos em 3D) – em bambú. Como a maioria dos meus clientes, depois do esporte, gosta de expor as pranchas como objeto de design, desenvolvi uma linha de racks e stands próprios.
Surfe – em harmonia com o meio ambiente
O precursor das pranchas de madeira foi o norte-americano Tom Blake, que em 1929 criou a sua própria prancha, um modelo oco que proporcionou leveza à prática do surfe. O californiano é, até hoje, o grande responsável pelo esporte como conhecemos atualmente.
Porque bambú?
Não existe nenhuma outra espécie florestal que possa competir com ele em velocidade de crescimento e de aproveitamento por área.
No Acre, por exemplo, os bambuzais cobrem 38% do estado. De crescimento rápido (em três anos, está pronta para o corte)
Se tratado adequadamente, ele apresenta durabilidade superior a 25 anos, equivalente a do eucalipto, por exemplo.
Você pode plantar e colher bambu em abundância e, diferentemente de outros tipos de madeira, ele não contribui para o desmatamento.
Além da sustentabilidade em construções, o Bambu proporciona ainda serviços ambientais, como:
– Fixação de encostas;
– Controle de erosão e assoreamento;
– Recuperação de áreas degradadas;
– Tratamento de esgoto (fitorremediação);
– Biomassa energética;
– Sequestro de carbono: cada moita de Bambu seqüestra no mínimo 624 kg de carbono; uma floresta dessa gramínea seqüestra cerca de 100 toneladas de carbono por hectares.
– No total são conhecidas aproximadamente 1.300 espécies de bambus no mundo, distribuídas em 90 gêneros. No Brasil temos em torno de 240 espécies e 34 gêneros de bambus nativos
Mais sobre o bambú
Há muitos anos, este material vem sendo utilizado na Construção Civil e na Arquitetura, tanto em casas tradicionais, como em modernas obras. China, Japão, Colômbia, Espanha e Alemanha tem se destacado na utilização do bambu em suas construções, conciliando a natureza e tecnologia, com muita resistência e durabilidade.
Quais as vantagens do bambu sobre o Pinus e o Eucalipto?
As principais vantagens econômicas do bambu, quando usado na fabricação de celulose, por exemplo, são:
Dispensa replantio, por mais de 100 anos. Novos brotos surgem espontaneamente a cada ano. O pinus é replantado depois de cada corte, que é feito aos 15 a 20 anos. O eucalipto rebrota após o corte, que é feito aos 7 anos, mas deve ser replantado depois de 4 ciclos, isto é, no 28º ano. O custo do replantio varia entre R$ 1.000,00 e R$ 2.000,00 por hectare.
– A colheita pode ser feita de 2 em 2 anos, contra 7 do eucalipto e 15, ou mais, do pinus.
– A produtividade do bambu (em ton/ha.ano) é semelhante à do eucalipto e quase o dobro da produtividade do pinus.
Mais informações
Marcio Juliasz
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(11) 3022-3425
(11) 97165-3412
Instagram : STANDUPPADDLES








