Casinha do cachorro

Arriba cumpadre

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Alex Miranda sente o power das ondas de Puerto Escondido, México. Foto: Anselmo Cachorrão Venansi / avpictures.com.br.

No mês de abril desse ano tive o privilégio de conhecer Puerto Escodido, México. Após tantos anos de espera, fiquei completamente enfeitiçado pelo lugar, pela comida, pelas pessoas e pelo lifestyle de Zicatela.

 

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Fotografar ou filmar nesse lugar é um verdadeiro sonho para quem aprecia a arte de registrar imagens de surf. A luz é magnífica desde muito cedo até o entardecer.

 

No período da manhã o vento é quase sempre terral, e a direita de Zicatela funciona perfeita.

 

O vento maral só entra depois das 10:30 da manhã, hora em que o sol começa a ficar insuportável e todo mundo sai da água para uma refrescada na piscina do hotel ou uma soneca, a tão famosa ?siesta?.

 

No período da tarde o surf quase sempre rola na esquerda de La Punta, localizada ao final da baía de Puerto Escondido.

 

La Punta é uma onda de várias sessões de manobra e tubo. É uma onda bem extensa, e na minha opinião, a melhor sessão dela é o inside, onde fotografei os melhores tubos.

 

Na minha primeira viagem ao México esse ano, fui a convite de Alexandre Lindenbojm. Já está segunda viagem foi pré-programada com três meses de antecedência por Alex Miranda.

 

Dei um toque no Cesinha Rossi que nos estaríamos viajando rumo ao México em meados do mês de agosto, e ele topou na hora. Sendo assim, a barca estava completa.

 

Marcamos de nos encontrar em Puerto no dia 17 de agosto. Eu fui até a Califórnia (EUA) comprar um novo equipamento de vídeo acompanhado pelo China (Ricardo Rozenblit) e ainda no avião encontramos com João Jorge, outro grande surfista paulistano.

 

Uma vez com a nova câmera na mão, agilizei tudo e me preparei para viajar. Cheguei ao aeroporto da Cidade do México e chamei o Miranda pelo rádio (nextel), pois sabia que ele já me esperava em algum lugar do aeroporto.

 

Fui encontrá-lo no hotel do aeroporto e lá esperamos nosso vôo sair com destino à Puerto. Embarcamos com mais três surfistas, Tico, Beto e o Toninho.

 

A barca já estava completa, eu sabia que o Cesinha ja estava no hotel nos esperando. A alegria foi imensa de chegar ao Inês Hotel e saber que as ondas estavam grandes e com boa formação.

 

Acordamos na manhã seguinte e rolavam altas ondas. Miranda emprestou uma John Carper para o Cesinha, que não havia trazido nenhuma prancha maior do que 6?9??.

 

Cheguei à praia e encontrei o Marcelo Dada filmando a molecada brasileira. Entre eles estavam Alejo Muniz, Nathan Brandi, Cauê wood, Thiago Guimarães e o Cidinho.

 

O Sávio Carneiro estava com a sua esposa Verônica, e por ter crescido nos tubos da Cacimba do Padre (PE), se destacava como um dos melhores surfistas no pico. Ele era um dos mais atirados, botando para dentro tanto de frontside como de backside.

 

A molecada estava impossível, eu mal cheguei à praia e já vi o Alejo voando num aéreo. Pena que só conseguimos fazer uma tarde de surf e fotos juntos, eles já estavam voltando ao Brasil, mas ainda assim fomos até La Punta, e as risadas e as ondas estavam garantidas.

 

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Beto Bantel aproveita as boas esquerdas de Puerto Escondido. Foto: Anselmo Cachorrão Venansi / avpictures.com.br.

No dia seguinte o mar ficou diferente, o furacão chegou forte na região de Yucatan, e isso fez com que todos os turistas que estavam em Cancun fugissem pra outras regiões do México.

 

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Por esse motivo Zicatela bombou de turistas, porém, o mar ficou bem mexido. Acredito que tenha sido o final do furacão que passou por lá.

 

A chuva permaneceu por uns quatro dias, então montamos base com vários brasileiros no pico, entre eles Márcio Alemão, Beto Bantel, Tico, Toninho, Marcelo Gaúcho Kerns, o curitibano Guilherme, e o carioca Augusto e sua esposa Paula.

 

Outro grupo de brasileiros era formado pelos cariocas Gil, Dudu, Paulinho, Luis, Vitor Vasconcelos e o Marcelo, que reside no México há dois anos e meio.

 

Para minha surpresa encontrei um grande amigo morando em Zicatela, o Rafael Carvalho. Ele vive lá há três meses, é noivo da filha do doutor Pepe, figura tradicional em Puerto Escondido.

 

A galera segue sempre a mesma rotina de surf, acordar cedo, cair em Zicatela, e à tarde, uma conferida em La Punta. E foi justamente lá que o único acidente com alguém da barca aconteceu. Cesinha acabou não completando o botton turn em frente às pedras e quase arrancou o dedão do pé esquerdo.

 

Eu e o Alex Miranda entramos juntos na água pra tentarmos finalmente fazer a foto que esperavamos. Era o seu ultimo dia de surf antes de voltar à ?vida louca? de Sampa, e eu ainda não havia caído dentro d’água em Zicatela com aquele tamanho. O mar estava uns 6 pés plus, rolando um back-wash nervoso na arrebentação.

 

Entramos na água juntos, porém, as condições me expulsaram da água rapidamente. Tomei uma série logo no inside tão grande que nem tentei lutar. Por mais experiência que tenha acumulado nestes últimos anos, posso dizer que Zicatela é uma onda de dar medo. Só me lembro de ter sentido medo assim em Teahupoo e Pipeline.

 

Saí da água e vi que o Miranda estava sendo arrastado bem mais para o canto direito da praia. Quase não se via onde ele estava, foi quando de repente vi uma direita onda enorme com cerca de 8 pés, uma das únicas ondas lisas que vi essa tarde. Ele botou para baixo e andou muito tempo dentro do tubo.

 

Infelizmente a onda fechou no final e eu estava na areia com a câmera dentro da caixa estanque, o que me impossibilitou de registrar a seqüência. Parece que os melhores momentos são para se guardar apenas na memória mesmo.

 

Quatro dias depois da tempestade, acordamos no dia 2 de setembro e as condições estavam perfeitas. Ondas com mais de 6 pés, vento terra e e pouco crowd. Um verdadeiro sonho para quem estava há quatro dias sem surfar ou fotografar.

 

Durante o decorrer do dia, o mar subiu chegando aos 8 pés no final de tarde. Então decidimos ir até Barra de la Cruz na manhã seguinte para conferir se a tão sonhada onda estaria funcionando.

 

Acordamos no dia 3 de setembro, meu aniversário, e fomos presenteados com um dos melhores visuais que já vi na vida. Sol, céu azul, ondas acima dos 8 pés e vento terral. O mar estava perfeito.

 

Deixamos Puerto bombando e chegamos a Barra de la Cruz na esperança de ver as direitas bombando. E para nossa alegria, quando chegamos ao pico deu para ver de cima do morro que havia longas linhas quebrando.

 

Apesar do tamanho das ondas não serem bem o que esperávamos, a galera desceu do carro na maior agitação. Porém, a session foi bem legal, passei a tarde toda fotografando e voltamos no final do dia para Puerto Escondido.

 

Eu finalmente consegui entender o porquê do México ser um dos destinos mais procurados pelos big riders. Além de quebrar pesado, a comida é maravilhosa, os preços são ótimos, a mulherada européia soltinha na vala, e a cerveja gelada ainda dá aquela apimentada final no prato principal que são ?las olas?.