
Neste domingo a região nordeste da Indonésia sofreu três pequenos terremotos, apenas um dia antes do primeiro aniversário do maremoto que matou cerca de 220 mil pessoas de 12 países do oceano Índico.
Segundo o Instituto Meteorológico e Geofísico de Jacarta, os movimentos telúricos foram de 4,6 graus, 4,7 graus e 5,4 graus, todos na escala Richter, segundo a imprensa local. Ainda não há informação sobre vítimas e danos.
A região pode sofrer a qualquer momento um novo terremoto de intensidade maior do que o que gerou o tsunami do dia 26 de dezembro de 2004 e deixou 131 mil mortos na costa oeste da grande ilha de Sumatra, segundo especialistas em terremotos.
“Todos os alarmes estão no vermelho vivo”, sublinha Paul Tapponnier, pesquisador do Instituto de Física do Globo de Paris (IPGP).
A região “vive uma seqüência sísmica que ocorre a cada 800 ou mil anos. Não sabemos muito sobre isto. E esta seqüência ainda não terminou”, explica Tapponnier em entrevista.
“Seria irresponsável se as autoridades da região ignorassem a possibilidade de um outro terremoto”, afirmou há alguns meses um outro eminente especialista, John McCloskey, da Universidade de Ulster, sublinhando os riscos de um novo tsunami devastador.
O terremoto de dezembro de 2004, o segundo mais potente já registrado cientificamente, com 9,3 graus na escala Richter, rasgou em 1,2 mil quilômetros a falha que corre paralelamente a Sumatra. “É como uma camisa que rasgamos. A cada vez que uma placa salta, as que permanecem devem suportar uma pressão maior”, resumiu Tapponnier.
No dia 28 de março de 2005, exatamente três meses após o tsunami, um novo tremor de terra, de magnitude 8,7, rompeu a mesma falha mais ao sul, “num lugar onde já havia ocorrido um grande terremoto em 1861”.
Ainda resta um pedaço da falha mais ao sul, a parte situada diante da metrópole de Padang e seus dois milhões de habitantes. Neste local, o último grande terremoto – provavelmente de magnitude 9, segundo Tapponier – remonta a 1833. Nesta região, a placa indiana desliza sob a placa asiática a uma “grande velocidade geológica” (5 cm por ano).
Toda a região está sob tensão: os corais, que normalmente ficam próximos à superfície do mar, foram atirados a um metro de profundidade pelas tensões acumuladas da placa terrestre.
Os estudos feitos antes do tsunami, contabilizando o número e a intensidade dos terremotos em Sumatra, mostraram que “esta área estava prestes a rachar”, com uma aceleração do número desses eventos precursores. Segundo os mesmos critérios, toda a falha até Java apresenta os mesmos sintomas.
Como a falha é submarina e caracterizada por movimentos verticais, há grande probabilidade de um grande terremoto ser seguido por um tsunami. “Se tivermos uma magnitude 9 na parte sul de Sumatra, será assustador”, preocupa-se Tapponnier. “É preciso que, ao menor tremor, as populações corram para os abrigos”.
Para Sumatra, situada muito próxima à falha, um sistema de alerta para tsunami não serviria para grande coisa. “Quando o alerta soar o terremoto já estará acontecendo. As pessoas terão 20 minutos para se protegerem”.