
O argentino Fernando Aguerre está entre os empresários de surfwear mais importantes do mercado internacional.
Ao lado do irmão Santiago, Fernando Aguerre foi o responsável por um projeto que culminou em uma das marcas de maior expressão no cenário mundial de surfwear, a Reef Brazil.
Nascido na Argentina, um lugar sem uma tradição surfística, Aguerre veio de família humilde e não somente criou a conhecida marca, como também foi o responsável pelo crescimento do esporte nacional e mundialmente.
Aguerre também preside a International Surfing Association (ISA), entidade que promove o mundial amador. Confira abaixo a entrevista com o empresário, em que ele comenta o surgimento da marca.
Como você começou a surfar?
Quando eu tinha 11 anos, um certo dia meu irmão me falou: “Existe um lugar onde uns caras pegam onda em pé, não deitados…”. Fomos até o tal lugar e, no dia seguinte, vendemos nossas bicicletas e compramos um longboard para os dois.
Como foi que você e seu irmão, que vieram de um país sem tradição no esporte, começaram a Reef Brazil? Por quê colocaram este nome?
A gente viu uma

oportunidade. Eu, com meu título de advogado, não queria trabalhar como advogado. Colocamos “Reef Brazil” porque é tropical, com mulheres bonitas, desconhecido. “Reef Argentina” não teria funcionado.
Como conseguiram patrocinar surfistas renomados e fazer publicidade em grandes revistas?
Com muito esforço, paciência e com o que a gente ganhava.
Vocês que bancaram o projeto, ou pegaram

dinheiro emprestado?
No começo foi com dinheiro próprio, cerca de US$ 4 mil. Logo depois com uns US$ 20 mil de amigos e parentes que acreditaram em nós. Em seguida compramos as ações de todos, que ganharam muito dinheiro com seus investimento.
Como surgiu a idéia de fazer esse tipo de publicidade, combinando mulheres e surf?
Simplesmente era o que sabíamos e víamos em Mar del Plata, no Uruguai, e também no Brasil.

Você acredita que foi essa imagem que impulsionou a Reef Brazil a se tornar conhecida mundialmente?
Totalmente. Tudo o que fizéssemos soaria e seria diferente do que faziam as demais marcas, absolutamente todas com donos de origem anglo-saxão (americanos, australianos, ou sul-africanos).
Qual foi a estratégia de marketing mais importante da Reef Brazil ?
Não houve uma. A boa sorte, as sandálias com bons materiais, além de todas serem com arco,
tornando-se mais cômodas do que as demais.

Comenta-se, por exemplo, na Enciclopédia do Surf, que o campeonato mundial de Ondas Grandes, realizado em Todos os Santos, em um mar de 30 pés, foi uma das grandes jogadas da marca.
Sim. Foi algo grande, planejado porque era o ano de El Niño, mas também contamos com a sorte de ter ondas enormes.
Como foi a briga em relação ao domínio na internet do endereço reef.com . É verdade que custou caro para tê-lo?
Uma empresa de informática pegou-o no começo. Acho que a gente nem sabia ainda o que era internet. Eles pediram US$ 2

milhões. Depois eles faliram, como outras tantas, e compramos o endereço na audiência de falência por muitíssimo menos.
A Reef tem muitos atletas patrocinados a nível mundial e regional. Você acredita que as despesas valem totalmente a pena?
Sempre. Principalmente quando seus atletas acreditem na marca e não somente na grana que recebem de você.
Qual é o seu atleta mais caro?
Não posso dizer.
Como você vê o futuro da Reef Brazil?
Ser uma das três marcas Tops do mundo do surf. Já somos Top-5 por imagem. Mas também queremos ser pelos produtos, roupas, óculos, e o que quer que seja que possamos fazer bem, com boas ondas e respeitando o que somos.