Confira o relato do bodyboarder carioca Fábio Aquino sobre uma trip alucinante para o Tahiti, realizada no início do mês de junho passado. Aquino foi um dos principais atletas brasileiros no exterior, tendo sido vice-campeão mundial amador, campeão carioca e o melhor brasileiro nos três primeiros anos do circuito mundial, atrás do amigo e competidor Guilherme Tâmega.
“Quando peguei minha passagem não acreditei que mais uma vez iria reencontrar o paraíso! Desta vez não iria competir e fui com a minha esposa, com a expectativa de conhecer três ilhas novas no roteiro da Polinésia Francesa e apenas me divertir, pegar ondas e fazer um trabalho de marketing para a Aquino Clothing e BSD (Ben Severson Design).
Lógico que logo no primeiro dia fui direto a Teahupoo, mas as ondas estavam pequenas, com uns 3 pés. Apesar do tamanho, posso dizer que peguei bons tubos e que senti, mais uma vez, o power inconfundível daquela onda. Estava sozinho com mais três surfistas locais e foi onda atrás de onda. À tarde fui checar os mapas (swell) na internet e a semana prometia.
No segundo dia o mar deu uma subida considerável e optei por cair em Taapuna, uma esquerda irada bem próxima da cidade de Papeete. Como estava sem barco nestes primeiros dias, tive que remar uns 20 minutos até o pico das ondas. No Tahiti, se você não tiver um barco conforme-se que terá que remar sempre! As ilhas são geralmente rodeadas de bancadas de coral e as ondas rolam nas aberturas destas bancadas.
Quando cheguei no outside as ondas estavam bem maiores do que eu imaginava. Tinha, sei lá, uns 6 a 8 pés comendo na bancada. Parecia um Teahupoo, mas quando chegava no final do tubo quebrava outra sessão que era impossível de passar. De tão buraco a onda ficava sem tubo, só se via coral!
Detalhe, eu estava sozinho! Peguei umas ondas, mas nada demais, pois o mar estava muito bagunçado e resolvi sair. Comecei a remar pelo canal e vi que a maré estava secando, com uma correnteza absurda para o outside. Remei mais de 20 minutos e não saia do lugar, então comecei a ficar cansado e sem opção para sair do meio da passagem.
Foi quando tive a idéia de me jogar no coral das direitas, insurfáveis, que rolam ao lado de Taapuna. Consegui chegar na bancada e aos poucos fui me aproximando mais do raso até conseguir ficar em pé. Fui andando até os pilares de sinalização do ?Pass?, que são comuns na Polinésia Francesa.
Quando cheguei no final da bancada e ao lado do pilar falei para mim: ?Agora está tranqüilo!?. Realmente estava, mas a corrente ainda era forte e demorei mais uns 25 a 30 minutos de remada até a praia onde estava o meu carro. Cheguei no Hotel onde estava com minha esposa exausto.
Depois desta roubada fui passar alguns dias em Varao, onde fica Teahupoo e outras excelentes ondas do Tahiti. Em uma das voltas de Teahupoo no final de tarde encontrei um grande amigo meu surfista: Rodrigo Jorge. Já tinha feito uma surf-trip junto com ele e Nelson Veiga (ex-fotógrafo) para Puerto Escondido e pegamos altas ondas sozinhos praticamente todos os dias da viagem. Nesta mesma noite liguei para combinarmos a caída do dia seguinte.
Passei na casa dele com mais outros amigos fomos para Maraa. Chegando no pico de barco já dava para ver que tinha umas ondas! Este dia o mar tinha 3 a 4 pés de ondas, lindo, com altos tubos!
No domingo que estava em Varao foi o melhor dia de Teahupoo que peguei na viagem. Estava com uns 6 pés sólidos e tinha bons tubos. A água estava linda e o céu claro com um sol maravilhoso. Senti realmente que estava na onda, considerada por muitos, a mais pesada do mundo.
Neste mesmo dia, depois desta caída, fui para Big Pass, uma onda meio cheia para bodyboarders, mas perfeita. Dá para fazer várias manobras e tem algumas sessões de tubo. Logo que paramos a lancha nem esperei e fui logo para a água. Porém, veio uma serie varrendo tudo, tomei as três ondas na cabeça e fiquei embaixo d´água por um bom tempo.
Logo em seguida entrou meus dois amigos. Contei o ocorrido e começamos a pegar umas ondas, até que fomos pegos de novo por esta série varrendo… Mais uma vez tomei todas. O Max, que é surfista, perdeu a prancha, que foi quase parar na bancada. E o cunhado dele, que é bodyboarder, foi parar em cima dos corais. Foi um perrengue para chegar até a lancha.
Depois desta semana fui conhecer as outras ilhas. A primeira parada foi Huahine, uma ilha alucinante e cheia de coqueiros. Você acha de tudo andando, bananeira, mamoeiro, mangueira etc… Peguei altas ondas em um secret spot de direita. Fiquei sozinho por umas duas horas! A cada tubo eu olhava para minha esposa no barco e acenava, pois não tinha ninguém na água para compartilhar a emoção.
Após Huahine fui para Bora-Bora, um paraíso, mas sem ondas. Aproveitei para dar uma relaxada e fazer alguns mergulhos. Para finalizar fomos à Moorea e não conseguimos achar nada de ondas, o mar parecia já estar se despedindo de nós! Indiscutivelmente foi uma das melhores viagens que já fiz e espero que consiga voltar para este paraíso um dia!
Obrigado ao Max, Bernadete, Areiti, Meari e TonTon por todo o carinho comigo e minha esposa. Fui galera, um abraço e boas ondas!!”