
A ASP avisa que vai ter exame antidoping e antidrogas nas etapas do Circuito Mundial na França, tanto no WCT como no WQS e no WLT (longboard). Quer dizer, o bicho vai pegar.
Muito pano pra manga vai rolar, muitas discussões e debates vão acontecer! Mas o certo é que se os atletas não se cuidarem, o ano pode ir para o espaço.
Aqueles que não sabem, ou não conseguem, separar a competição do lazer e aqueles que não têm muita noção de que remédios e até comidas e bebidas podem tomar e comer, terão problemas.
A ASP justifica a decisão baseando-se em decisões das entidades francesas. No ano passado, dois atletas franceses foram pegos e punidos. Na época, mesmo que algum atleta de outro país fosse pego não seria punido – a não ser pela polícia – pois os franceses não têm poder de ação sobre estes.
Agora, tá todo mundo no mesmo barco e a entidade adverte: o teste pode acontecer nas etapas em outros países.
Ainda segundo o informativo assinado pelo brasileiro Renato Hickel, tour manager da ASP, os exames serão feitos de surpresa e quem não aparecer será eliminado da competição. Quem fizer o teste e for flagrado terá a sua situação analisada em relação ao Circuito Mundial, mas será punido imediatamente pelos franceses.
Alguns estão preocupados, outros muito tranquilos. Certo é que este será um assunto que não sairá tão cedo da pauta de notícias do mundo do surf. No e-mail da ASP é bem claro o alerta: “Cada situação envolvendo algum atleta, será analisado caso a caso”.
Ou seja, se Occy for pego este ano fumando maconha, como fez no ano retrasado no Rio de Janeiro, será que ele irá se ferrar tanto quanto um brazuquinha qualquer pego em alguma etapa pelo mundo?
Já era hora mesmo de a ASP adotar o antidoping. Na verdade, a entidade tinha que fazer isso em todo o circuito, o ano todo. Primeiro que as drogas – ao contrário do que os consumidores pensam – atrapalha e não ajuda em nada na hora da bateria.
Nego fica que nem um bobo na água sem saber o que fazer na bateria. Os que gostam de cocaína entram feito loucos na água e também se ferram.
Já os estimulantes, para os que gostam de sempre estar bombado, vale o recado de que o uso excessivo causa impotência.
O surf precisa ser moralizado neste ponto. Fico envergonhado ao ver famílias inteiras irem até um campeonato na praia Mole, em Santa Catarina, por exemplo – como no ano passado durante o WQS – e ficar sentindo aquela marofa rondando a área.
E o pior é que na maioria não são atletas. Estes preferem curtir num canto ou no hotel. Mas o público jovem, induzido pelo “marketing” que ronda nosso meio, chega a ser tão cara de pau, achando que estão na Jamaica ou em Amsterdã, que acendem um baseado ao lado do palanque.
Enquanto o surf tiver esta relação com as drogas, mais difícil será empresas de grande porte e a mídia em geral dar um maior investimento.
Todos só têm a ganhar com a chegada do antidoping. Até mesmo aqueles que usam drogas e que estavam esperando um bom motivo para dar uma maneirada, ou até parar totalmente.
Ver um atleta ser derrotado pelas drogas é uma das cenas mais tristes que alguém pode testemunhar!