
O ano que vem promete ser de fortes emoções para o carioca Pedro Henrique, novo integrante do circuito mundial da ASP.
Aos 23 anos, o estreante da elite mundial do WCT também comemora a chegada da primeira filha, prevista para a primeira quinzena de fevereiro.
Como as competições começam apenas em março, o atleta poderá acompanhar o nascimento e depois, com motivação extra, partir com tudo para a primeira etapa na Gold Coast, Austrália.
“Estou muito feliz porque está tudo dando certo na minha vida, tanto no lado pessoal como profissional. A conquista da vaga no ?CT confirma que fiz as escolhas certas”, afirma Pedrinho.

Ele começou o treinamento para o WCT logo após garantir a vaga na perna européia do WQS, sempre com o apoio e suporte do técnico Pedro Robalinho, que o acompanha há quase dois anos.
Com o vice-campeonato na etapa realizada em setembro em Ericeira, Portugal, em que perdeu na final para o local Tiago Pires, Pedrinho pulou da 23a para a sétima posição no ranking que classifica 15 atletas para o WCT.
Mas a garantia que iria realmente integrar a elite mundial em 2006 veio na etapa seguinte, dessa vez com a vitória, em casa, no Reef Classic disputado em outubro em Maresias, litoral norte paulista, ao pular para a quinta posição na lista.
“Conquistar a vaga me deu um gás extra, pois o WCT vai ser muito casca-grossa e estou treinando muito, aperfeiçoando as manobras, melhorando a forma física e a parte técnica”, explica Pedro.
Para ele, o primeiro ano na elite mundial será de adaptação. “Será tudo diferente, com baterias homem a homem. Mas, com certeza conseguirei me encaixar bem. Estou com muita vontade de fazer um bom papel”, diz o surfista.
Pedro Henrique está instigado para competir em Fiji, pois nunca surfou as esquerdas do arquipélago. “Quero muito surfar em Fiji e também em Teahupoo, Tahiti, que visitei pela primeira vez este ano”, afirma.
Nesta entrevista exclusiva para o Waves.Terra concedida ao videomaker carioca e amigo Tiago Garcia, Pedro Henrique, recém-chegado do Hawaii, fala sobre a dura batalha de três anos para ingressar na elite mundial e as expectativas para essa fase totalmente nova em sua vida.
Para finalizar, ele garante: ?Somos tão bons quanto qualquer estrangeiro e vamos trazer o título do WCT mais rápido do que pensamos?.
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Como você está se sentindo? Motivado com os desafios que estão por vir ou tranqüilo com a sensação de dever cumprido?
Estou feliz de ter alcançado meu objetivo este ano e tranqüilo com relação ao ano que vem. Não estou me pressionando, claro que quero ser top do mundo e vou trabalhar para isso, mas tenho certeza que vai ser um ano show.
Qual será sua estratégia para 2006? Depois de três anos disputando o WQS, você pretende se dedicar somente ao WCT?
Vou focar no WCT, quero me dar bem na primeira divisão e não depender do WQS para me manter na elite.

Meu objetivo é investir nas etapas e nos picos que ainda não surfei. Sei que terei muito trabalho pela frente, mas irei correr as principais
etapas do WQS da temporada.
Quais picos você acha que pode se dar bem e quais são os mais desafiadores?
É difícil dizer aonde vou me dar bem. Gosto de surfar para os dois lados então não acho que isso fará diferença. Para se dar bem é importante estar com prancha boa, em forma e concentrado.
Com certeza Teahupoo e Pipeline são os picos mais perigosos, mas o Tahiti é o lugar mais incrível que já surfei e estou muito amarradão de poder voltar para lá.
Você surfou muito bem na triagem da etapa tahitiana do WCT este ano. Qual foi a sensação ao ver e surfar a onda pela primeira vez?
Eu fui pra lá com o pensamento que seria muito difícil surfar e que eu provavelmente me arrasaria. Quando cheguei lá vi que a onda realmente é difícil e perigosa por a bancada ser muito rasa, mas é perfeita. Para mim foi demais porque peguei altas ondas de ate 10 pés, além de ser o lugar mais bonito que já visitei. Claro que se Teahupoo ficar realmente grande complica e não é para qualquer um.
Qual será seu quiver para 2006? Que tipo de prancha você usaria em Pipe ou Teahupoo com mais de 12 pés?
Acredito que as pranchas irão variar de 5?9 a 6?5, mas dependendo da condição eu posso usar pranchas maiores. Pipe é diferente de Teahupoo, ali você precisa entrar com velocidade na onda, então é necessária uma prancha com mais borda. Em Teahupoo você precisa dropar rápido, então acho que em Pipe eu usaria uma 7?0 e em Teahupoo uma 6?10.
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Qual a importância da preparação física e todo esse trabalho que você faz com Pedro Robalinho?
O importante é estar bem para competir, física e tecnicamente. Hoje todos os surfistas são muito bons, então tenho que ter algum diferencial, estar mais preparado para enfrentar qualquer situação e o Robalo é um cara que consegue entender em que pontos eu preciso melhorar.
Nós concordamos em vários aspectos e durante as competições eu assimilo bem os sinais que ele faz da areia ou as orientações antes de entrar na bateria. Com certeza essa preparação trouxe bons resultados. Estou pronto e confiante para enfrentar qualquer surfista e no WCT não vai ser diferente.

Qual sua opinião sobre os exames anti-doping? Acha que deveria ser realizando em todas as etapas do WCT?
Eu não vejo no que isso pode mudar o esporte, mas se decidirem implementar não teria nenhum problema para mim. Principalmente se for para a evolução do esporte.
Como é o Pedrinho fora das competições? Você se preocupa com a sua imagem?
Eu acho a imagem do atleta tão importante quanto a qualidade do surf dele. O surfista vende imagem, conceito. Então, além do sucesso nas competições é necessário ter uma boa imagem, inclusive para conseguir bons patrocínios. Eu dou muito valor para minha família e sei que minha carreira não é a coisa mais importante da minha vida. Acredito na palavra de Deus e em Jesus Cristo e aprendi a ver que a vida é muito mais do que temos nesse mundo.
Como você vê a evolução dos vídeos nacionais de surf? Isso tem ajudado na formação de ídolos brasileiros?
Com certeza os filmes de surf no Brasil cresceram e são muito importantes para os atletas. Passamos a ser conhecidos, fica mais fácil negociar patrocínio, além de divulgar o esporte, como acontece lá fora. Isso mostra como é possível tornar caras como o norte-americano Dane Reynolds, que surfa muito mas ainda não venceu nenhum campeonato importante, em ídolos muito bem remunerados. Além disso, acho que assistir aos vídeos é uma maneira de evoluir no surfe.
Você acha que o surfe brasileiro está no caminho certo?
Acredito que sim, temos muitos surfistas talentosos. Pena que ainda são poucas as marcas que patrocinam de verdade. Eu estou entrando no WCT e tenho tudo para me dar bem, bom treinamento e patrocínio excelente, então não falta nada, só depende de mim.
Para muitas pessoas você e o Adriano Mineirinho são a grande esperança para conquistar o título mundial nos próximos anos. Você se sente pressionado por essa expectativa?
Não, não existe nenhuma cobrança de ninguém, só a minha vontade de me dar bem. Quando a cobrança vem de você mesmo, existe uma grande vontade de crescer e isso te leva a conquistas cada vez maiores.
Deixe uma mensagem para os internautas.
Quero deixar um abraço pra toda galera que acompanha os campeonatos e torce por nós brasileiros. Estamos lá dando o maior gás para mostrar que somos tão bons quanto qualquer estrangeiro e vamos trazer o título do WCT mais rápido do que pensamos.
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