
O havaiano Andy Irons, atual campeão mundial, está cada vez mais perto de conquistar o bicampeonato, principalmente depois de vencer a última etapa do circuito, na França.
Foi sua quarta vitória este ano e afastou ainda mais Irons de Kelly Slater, vice-líder do ranking, que ficou em terceiro na mesma etapa e precisa de no mínimo mais duas vitórias nas quatro provas que restam.
Irons está realmente impressionando por sua regularidade e capacidade de adaptação às diferentes condições das ondas do circuito mundial. Dominou nas direitas de Bell’s Beach, na Austrália, nas esquerdas perfeitas de Tavarua, em Fiji, nas merrecas japonesas da Ilha de Nijima e nas boas ondas francesas, que mais pareciam Jeffreys Bay.
Além de todo o talento, sua origem havaiana e conseqüente experiência adquirida nas ondas da ilha de Kauai tem ajudado muito em suas performances neste que é considerado o “dream tour” (circuito dos sonhos) da ASP.
A perfeita sintonia com o critério de julgamento, unindo o surfe de força com manobras ultramodernas, parecem ser uma referência para todos os outros surfistas daquilo que os juízes querem ver. Não posso deixar de destacar sua força psicológica, do tipo marrento e mascarado, que não costuma se afetar com qualquer pressão e pode, se tiver motivação, ficar no topo por muitos anos.
Sempre fiquei impressionado com a velocidade com que ele parte de suas cavadas e cheguei à seguinte conclusão: toda a força e pressão dos movimentos de Andy são originadas na flexão de sua perna traseira, que por ser mais flexionada que o normal (às vezes toca o joelho na prancha) funciona como uma mola que impulsiona a prancha para frente, mais rápido que os demais.
Tenho analisado vários vídeos de surfe, principalmente os de competição, e qualquer pode ver o que estou falando. Aliás, percebam que quanto mais flexionadas as pernas nas cavadas, mais verticais são as subidas.
Muito se evoluiu em termos de julgamento, e hoje é bem comum vermos várias notas 9 nas baterias do circuito mundial. Os juízes já não esperam a performance inalcançável para dar um 10. Com várias notas perto da perfeição, os detalhes ganharam importância, seja para definir uma bateria ou para simples diferenciação das notas.
Qual será a diferença entre uma onda nota 9,67 e uma 9,80? Na primeira a média foi tirada com um 10 e um 9.50, e na segunda um 10 e um 9,60. Talvez tenha sido pelo tamanho da onda, pela finalização, pela variação de manobras, pela velocidade por simples simpatia técnica.
Os mínimos detalhes servem para não igualar duas ondas, resta saber se os juízes estão preparados tecnicamente e se têm condições de trabalho para tanta precisão. Talvez a ajuda de câmeras e vídeo seja importante para os momentos de dúvida.