
Em ondas espetaculares de mais de 2,5 metros em La Nord, o Quiksilver Pro France foi encerrado neste domingo com uma final inédita entre os irmãos Andy e Bruce Irons em Hossegor.
O atual bicampeão mundial Andy Irons conquistou o bi também na etapa francesa e voltou a abrir mais de 1.000 pontos de vantagem sobre os adversários na corrida pelo título do ASP Foster?s World Championship Tour (WCT) 2004.
Os brasileiros tiveram a melhor participação verde-amarela na temporada, com o paranaense Peterson Rosa, o cabo-friense Victor Ribas e o carioca Raoni Monteiro terminando em quinto lugar na competição.

Raoni só foi derrotado nos últimos minutos pelo campeão Andy Irons. E Ribas ainda despachou o número 4 do ranking Joel Parkinson, mas acabou eliminado pelo vice Bruce Irons também nas quartas-de-final.
Agora, tem apenas mais uma etapa na Europa, o Billabong Pro nos dias 5 a 16 na Espanha, antes da ?perna brasileira? de fim-de-ano, que novamente será toda disputada em Santa Catarina, com o WQS 6 estrelas Onbongo Pro Surfing entre os dias 25 e 31 na praia Mole e o Nova Schin Festival WCT Brasil 2004, evento móvel pelas principais praias do estado nos dias 1 a 10 de novembro.
E para tentar impedir um tricampeonato mundial do havaiano Andy Irons, o norte-americano Kelly Slater tem que repetir a atuação do ano passado e vencer as etapas da Espanha e Brasil para levar a decisão do título para a grande final da temporada, o Rip Curl Pipeline Masters, no Hawaii.

Pelo terceiro ano seguido, Slater não passou das semifinais na França. Com a única nota 10 do Quiksilver Pro France e incríveis 19,63 pontos de 20 possíveis, o havaiano Bruce Irons derrotou o hexacampeão mundial nas séries monstruosas de 8 a 12 pés (2,5 a 4 metros) em La Nord.
Kelly voltou a ocupar a vice-liderança do ranking, porém Andy está novamente com mais de 1.000 de diferença com a segunda vitória seguida na França.
?Esta é uma das principais vitórias da minha vida. Disputar uma final contra o meu irmão aqui no sul de França em ondas de 10 pés foi fantástico. Foi um dia de sonho e tudo veio em meu favor?, vibrou Andy Irons, que faturou mais um prêmio de US$ 30 mil pelo bicampeonato no Quiksilver Pro France.

?Eu estou muito orgulhoso dele e acho que eu ter perdido na repescagem em Trestles (EUA) foi uma benção para mim, pois me fez retornar à realidade. O Parko (Joel Parkinson) tem duas vitórias neste ano e agora eu também. Ele, o Kelly e o CJ (Hobgood) ainda continuam sendo as maiores ameaças e tudo indica que a decisão do título deve ir para Pipeline outra vez. Mas, agora eu só quero curtir esta vitória memorável e festejar com meu irmão?.
Na grande final, Andy derrotou Bruce por 17,00 x 12,00 pontos e antes tinha atropelado o também havaiano Sunny Garcia nas semifinais com uma larga vantagem de 18,03 x 13,26 pontos. Já o seu adversário mais difícil no último dia do Quiksilver Pro France foi o jovem brasileiro Raoni Monteiro.

O carioca começou o domingo despachando com facilidades o australiano Kieren Perrow por 12,50 x 6,80 pontos e liderou praticamente toda a bateria contra o bicampeão mundial nas quartas-de-final.
Mas, nos últimos minutos o havaiano conseguiu uma nota 7,10 para confirmar a vitória apertada por 15,77 x 14,27 pontos.
?Este é o melhor resultado de toda a minha carreira, minha primeira quartas-de-final no WCT?, destacou Raoni Monteiro, que subiu da 37a. para a 27a. posição na classificação geral das oito etapas da temporada.
?Eu me senti bem confortável nestas ondas e por pouco eu não consigo avançar para as semifinais, mas o Andy não é fácil (risadas). Ele mostrou porque já é bicampeão mundial e virou no finalzinho. Porém, eu tenho consciência que tentei o meu melhor e estou feliz

com o resultado?, completou Raoni, que está em seu primeiro ano na divisão principal do circuito mundial, assim como o vice-campeão Bruce Irons.
Na melhor participação brasileira no WCT 2004, mais dois brasileiros também terminaram em quinto lugar e receberam US$ 8 mil de prêmio e 732 pontos. O paranaense Peterson Rosa nem precisou se esforçar muito para vencer a segunda bateria do dia, pois o californiano Shane Beschen perdeu sua prancha e não marcou nenhum ponto.
Mas, nas quartas-de-final o ?Bronco? não conseguiu acompanhar o forte ritmo do veterano havaiano Sunny Garcia, que venceu com um placar de 17,06 x 13,60 pontos. Mesmo assim, Peterson Rosa é o novo integrante do seleto grupo dos Top 16 da ASP, passando a ocupar a 16a. colocação.

Outro grande destaque do domingo na França foi o cabo-friense Victor Ribas, que despachou o australiano Joel Parkinson por uma pequena diferença – 11,10 x 10,94 pontos – nas oitavas-de-final.
Parko vinha embalado com um vice-campeonato no Japão e uma vitória nos Estados Unidos. Porém, o havaiano Bruce Irons tirou o Brasil da competição. Primeiro, derrotou o catarinense Neco Padaratz por 16,34 x 12,60 pontos nas oitavas e depois superou Victor Ribas por 14,66 x 10,70 pontos na disputa pela última vaga nas semifinais do Quiksilver Pro France 2004.
Bruce ainda massacrou Kelly Slater com uma nota 10 e o recorde de 19,63 pontos para realizar uma final histórica contra o irmão Andy Irons nas grandes ondas de Hossegor.

Ranking do WCT depois de 8 etapas
1 Andy Irons (Haw) 7.236
2 Kelly Slater (EUA) 6.192
3 CJ Hobgood (EUA) 5.856
4 Joel Parkinson (Aus) 5.808
5 Nathan Hedge (Aus) 5.244
6 Luke Egan (Aus) 4.788
7 Damien Hobgood (EUA) 4.680
8 Mark Occhilupo (Aus) 4.644
9 Jake Paterson (Aus) 4.584
9 Daniel Wills (Aus) 4.584
11 Taj Burrow (Aus) 4.560
12 Michael Lowe (Aus) 4.488
13 Dean Morrison (Aus) 4.452
14 Sunny Garcia (Haw) 4.428
15 Lee Winkler (Aus) 4.332
16 Peterson Rosa (Bra) 4.188
18 Paulo Moura (Bra) 3.936
20 Guilherme Herdy (Bra) 3.816
24 Victor Ribas (Bra) 3.696
27 Raoni Monteiro (Bra) 3.636
32 Neco Padaratz (Bra) 3.504
35 Marcelo Nunes (Bra) 3.456
46 Armando Daltro (Bra) 2.592