A segunda temporada na Austrália foi muito importante para o cearense André Silva, 24 anos.
Depois de conquistar o quinto lugar na etapa de Newcastle e surfar ondas perfeitas, o atleta esbanja motivação e promete ir em busca de ótimos resultados nas próximas competições.
Em entrevista ao empresário Fernando Baldino, André comenta como anda se preparando para brigar pela vaga no WCT e ser campeão brasileiro.
Como foi sua viagem para a Austrália? Foi a primeira vez que esteve por lá?
Muito produtiva. Aprendi muito neste último mês como surfista profissional e como pessoa. Conheci muita gente nova e lugares incríveis com ondas perfeitas. Estive lá ano passado e não produzi metade do que foi este ano, apesar de ter ido melhor em Margaret em 2006. A Austrália é realmente o país do surf!!! As pessoas de lá respiram surf, vivem o surf no seu dia-a-dia. Tem todos os tipos de ondas, cada costa recebe um swell diferente e tem ondas todos os dias!!! É incrível !!! O nível de surf lá é muito alto, o que me faz buscar evoluir cada vez mais. A cada viagem, a cada campeonato me sinto mais seguro e centrado naquilo que quero para minha carreira.
Fale um pouco sobre o quinto lugar conquistado no WQS de Newcastle.
Esse resultado foi um pouco de tudo… Treino, energia boa da pessoas que estavam comigo, vontade de ganhar a etapa e confiança no quanto eu poderia render ali. Fui passando as baterias, era muita vontade de ganhar aquela etapa! Infelizmente perdi nas quartas precisando de 3,27 e tinha um 3,00 somado a um 7,5. O Matt Wilkinson fez dois 5 e pouco e passou. Na verdade, achei que os juízes deram muita nota pra ele, principalmente na última onda, quando faltavam 2 minutos e deram exatamente o que ele precisava para virar em cima de mim. Mas isso não me afeta, não! Acontece com todo mundo, em todos os campeonatos!!! Vou treinar mais e mais para isso não acontecer de novo!!!
Comente sua vitória sobre o australiano Dean Morrison, top 10 do WCT.
Foi uma bateria muito boa. Começamos nas esquerdas e já comecei impondo o ritmo. Tinha muito vento naquela manhã, pouco dava pra ouvir a locução e só sabia que estava eu estava em primeiro quando pedi informação ao apoio do jet-ski que estava mais a frente do palaque. Como não dava pra ouvir muita coisa, resolvi fazer meu surf pegando o máximo de onda possível colocando força, fluidez e radicalidade. Já havia competido com o Dean no dia anterior e passado em segundo. Então, resolvi deixar tudo igual, 1 a 1. rsrsrs!
Por que você não conseguiu repetir essa excelente campanha nas outras duas etapas da perna australiana?
Na segunda etapa, na praia de Soldiers, tivemos uma surpresa terrível na manhã de domingo. O mar tava com uns 2 metros com um vento muito muito forte!! Logo quando cheguei na praia, não sabia onde ia surfar ou qual seria a melhor maneira pra seguir adiante na competição. acabei caindo com uma prancha pequena e na vala errada. Já em Margaret, perdi pela ansiedade de fazer as notas logo no início. Tinha altas ondas, só que as boas estavam demorando para entrar e acabou que eu não consegui achá-las na minha bateria.
Você está em 24° lugar no ranking do WQS, muito próximo da zona de classificação para o WCT. O que pretende fazer para conquistar a vaga na elite do surf mundial em 2008?
Treinar muito fora e dentro d´água. Tenho percebido que venho me dando bem nas competições sempre antes de uma boa semana de treino. Então, o máximo que
eu puder ficar na água surfando e com minha fisioterapeuta será fundamental pra alcançar essa meta até fim do ano. Fora isso, o apoio dos meus patrocinadores, pois sem eles nada disso seria possível. Gostaria de agradecer muito a Pena Surf Wear, que me patrocina há 8 anos, e a Time Brazil Turismo, que cuida de todas as minhas viagens. Também queria agradecer à minha namorada, Clara, que me dá a maior força nessa batalha que é o WQS e ao meu empresário Fernando Baldino, que resolve tudo pra mim.
Você está fazendo alguma preparação física para esta temporada?
Além do surf, que é prioridade no meu treino, tenho corrido durante as viagens e quando volto tenho acompanhamento da minha fisioterapeuta Michelle, da clínica Físio Pilates, no Rio de Janeiro. É um trabalho muito legal que ela faz comigo, usando o Pilates como forma de preparação física. Esse trabalho tem melhorado em 100% minha força, equilibrio e condicionamento. Já estou rendendo este ano o dobro do ano passado nas competições e no meu dia-a-dia.
Semana que vem começará o SuperSurf, onde você está entre os top 16. Quais são suas expectativas na elite do surf nacional este ano?
As melhores, sem dúvida!!! Este ano, a meta é ser campeão brasileiro. Já venho melhorando meu posicionamento no ranking brasileiro há dois anos e já me sinto preparado para ganhar etapas e ser campeão. Ano passado não ganhei duas etapas por pouco!!! O circuito brasileiro profissional é muito disputado, são os melhores do país e ser campeão será importante não só pra minha carreira, como também me dará uma boa base tática para o WCT.
Mande um recado para a galera que acompanha as transmissões ao vivo dos campeonatos e torcem muito pelos brasileiros.
Só tenho a agradecer o incentivo e apoio e pedir para que acreditem, pois, apesar de todas as dificuldades que nós, atletas brasileiros, encontramos no tour, estamos sempre procurando melhorar e dar maximo para conquistar esse tão sonhado título mundial!!! Um abraço a todos!!!!
