Circuito mundial 2009

América do Sul fortalecida

San Bartolo marca retorno do Peru ao calendário do WQS. Foto: Arquivo pessoal Carlos Bahia.

Estamos prestes a iniciar mais uma temporada de eventos da ASP South America, novamente apresentando um dos calendários mais importantes das séries qualificatórias para o ASP World Tour em 2009.

 

Mais uma vez o Brasil será o país que terá o maior número de etapas e distribuirá a maior premiação – US$ 880 mil – e pontos – 15.500 – no ranking do WQS.

 

Além de manter os mesmos sete campeonatos de 2008 no Brasil, o Peru e o Chile voltam ao Circuito Mundial em 2009 para fortalecer o desenvolvimento do esporte em outros países do nosso continente.

 

A abertura do calendário de eventos da ASP South America será nos próximos dias 23 a 25 na Copa Movistar Peru presented by Rip Curl & Samsung em San Bartolo, que marca o retorno do Peru ao WQS masculino depois de 10 anos.

Roberto Perdigão ao lado de Raoni Monteiro, campeão sul-americano da ASP. Foto: Daniel Smorigo / ASP South America.

Na semana seguinte, de 30 de janeiro a 1º de fevereiro, o evento continua na mesma praia com uma etapa feminina, também com nível 2 estrelas e US$ 12 mil, além dos US$ 25 mil oferecidos no masculino.

 

Depois de alguns anos de muita batalha, o renomado surfista peruano Chalo Espejo felizmente conseguiu concretizar seu projeto com patrocinadores de peso, como a Movistar, Rip Curl e Samsung.

 

Graças ao seu esforço, os surfistas sul-americanos ganham a oportunidade de competir nas excelentes ondas peruanas de San Bartolo.

 

O objetivo para médio e longo prazo, é ir aumentando a premiação a cada ano, até chegar ao nível 6 estrelas, topo da escala do WQS. Aí, pela qualidade das grandes ondas do seu litoral, podemos ter uma etapa ?prime location? de 3.500 pontos no Peru.

Hang Loose Pro Contest é atração em Fernando de Noronha (PE). Foto: Aleko Stergiou.

A expectativa é de que este evento no início do ano também sirva de estímulo para que competidores de outros países do continente comecem a participar com mais intensidade dos eventos do WQS realizados em nossa região.

 

Existem surfistas excelentes por toda a América do Sul e creio que chegou a hora deles passarem a priorizar os eventos da ASP com uma participação mais efetiva, como verdadeiros profissionais do esporte rumo ao WCT.

 

Uma década em Noronha – Na semana seguinte, de 9 a 15 de fevereiro, o Hang Loose Pro Contest comemora a sua 23ª edição, décima no arquipélago de Fernando de Noronha (PE).

 

É um dos eventos mais tradicionais do calendário mundial da ASP e será o primeiro nível 5 estrelas da temporada 2009, oferecendo premiação de US$ 120 mil e os primeiros 2.000 pontos no WQS.

 

Como sempre, vai atrair um grande contingente de surfistas de outros países que todo ano querem competir nas excelentes ondas de Fernando de Noronha. A procura por vagas está grande e o prazo das inscrições termina sexta-feira, dia 16, pois foi estendido em função das festividades de fim de ano.

 

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El Gringo reforça calendário da divisão de acesso do circuito mundial em 2009. Foto: Kalani Brito.

A segunda estréia da ASP South America em 2009 será o Arica Pro Challenge, que nos dias 2 a 7 de junho marca a volta do Chile ao WQS depois de 15 anos do histórico Mormaii em Iquique.

 

Agora, o palco é um dos picos mais radicais do mundo, que sediou uma etapa do Dream Tour dois anos atrás. As ondas são pesadas e os tubos desafiadores, com El Gringo e El Buey sendo as opções na busca por condições clássicas de ?power surf? para o evento.

 

Nosso projeto para o Chile é o mesmo do Peru, ou seja, aumentar seu nível de premiação em dois, três anos, até se tornar um 6 estrelas ?prime?.

 

Perna brasileira de meio de ano – Outras mudanças importantes já estão confirmadas pela ASP. O Hang Loose Santa Catarina Pro, a etapa brasileira do World Tour, passou para 27 de junho a 5 de julho em Imbituba.

Maresia Surf International é atencipado para julho. Foto: Aleko Stergiou.

E o Maresia Surf International também foi antecipado para ser realizado na sequência, de 7 a 12 de julho, em Itajaí ou Florianópolis.

 

Aí começaria uma nova série de eventos pretendida pela ASP South America, com as etapas da Praia do Forte (BA) e do Guarujá (SP), que estrearam com tanto sucesso em 2008, respectivamente nos dias 14 a 19 e 21 a 26 de julho.

 

Tentamos realocar alguns dos nossos eventos para o mês de julho, buscando aproveitar o intervalo entre os 6 estrelas da África do Sul e dos Estados Unidos.

 

Isto para atrair um maior número de surfistas internacionais, que já sabem ser esta uma excelente época de ondas em todo o litoral brasileiro.

Onbongo Pro Surfing tem data exclusiva em 2009. Foto: Aleko Stergiou.

No entanto, a transferência das etapas da Bahia e São Paulo do mês de junho para julho ainda não foi confirmada pelos promotores e organizadores dos mesmos.

 

Nosso objetivo é formar uma nova perna brasileira no calendário da ASP, em pleno mês de férias escolares e numa época bastante propícia para boas ondas, tanto nos ?reefs? da Praia do Forte como nos beach breaks do Guarujá. Os surfistas gostaram da mudança e aguardam ansiosos pela efetivação destes dois torneios em suas novas datas.

 

Fim de ano ? Já a perna brasileira de fim de ano deve permanecer com três etapas, porque o Gatorade Surf Classic de São Francisco do Sul pode sair do início de setembro para os dias 1 a 4 de outubro e com um ?upgrade? de 3 para 4 estrelas.

 

O Oakley Rio Surf Pro International está confirmado para os dias 5 a 11 na praia do Arpoador, Rio de Janeiro. A novidade é que em 2009, além das categorias masculina e feminina, deverá promover uma etapa do Pro Junior, provavelmente no final de semana que antecede ao início do seu período de realização.

 

Finalizando a temporada, tradição mantida para o Onbongo Pro Surfing na praia de Itamambuca, em Ubatuba, que vem sendo um dos eventos mais decisivos na briga por vagas entre os 15 do WQS que sobem para o Dream Tour.

 

A ASP premiou este importante evento com uma data exclusiva, de 13 a 18 de outubro, visando atrair um maior número de atletas de ponta do WQS para aumentar ainda mais seu prestígio com a participação de mais estrelas internacionais.

 

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Oakley Rio Surf Pro pode contar com categoria Pro Junior. Foto: Aleko Stergiou.

No calendário 2008 houve um descontrole em relação à algumas etapas mais tradicionais e isso gerou um conflito de datas desnecessário entre eventos de mesmo porte, causando um esvaziamento bastante prejudicial para todos.

 

A ASP, ciente do problema, decidiu então preservar os campeonatos mais antigos de cada região em datas livres da concorrência de outras etapas que possam diminuir seu impacto junto aos surfistas que brigam por vagas para o ASP Tour.

 

O objetivo é dar o merecido valor às ondas de Itamambuca e à estrutura montada para o Onbongo Pro Surfing, campeonato que também decide o título sul-americano profissional da temporada.

 

WQS Feminino ? Já as etapas femininas do WQS 2009 na América do Sul ainda são uma incógnita.

Punta de Lobos inaugura Billabong Pro Junior Series. Foto: Divulgação Billabong.

Aguardamos a confirmação dos eventos da Billabong, pois ela tem sido o carro-chefe da categoria no Brasil e em toda a América do Sul.

 

No ano passado tivemos um calendário feminino forte que ajudou nossas atletas a conseguirem melhores colocações no ranking mundial.

 

Temos uma nova etapa no Peru e pretendemos repetir as quatro do Brasil, mas tudo depende de negociações com os nossos principais patrocinadores.

 

De qualquer forma, existem eventos femininos agendados no calendário da ASP para a Praia do Forte (BA), Arpoador (RJ) e para o Costão do Santinho (SC).

 

Etapa da Praia do Forte pode ser transferida de junho para julho. Foto: Daniel Smorigo.

Pro Junior –

As seletivas sul-americanas para o Mundial Pro Junior da ASP podem ganhar um reforço importante este ano com a entrada da Oakley.

 

As datas do Billabong Pro Junior Series 2009 já estão confirmadas para 20 a 22 de março no Chile, 17 a 19 de abril em Torres (RS) e 2 a 4 de outubro em local a ser definido.

 

Esta é a programação de eventos da ASP South America para 2009, mas algumas mudanças ainda podem ocorrer em virtude desta imensa crise na economia mundial que tem feito o calendário mundial sofrer alterações a cada semana.

 

Esperamos, todavia, que ela não venha a interferir no planejamento dos nossos parceiros e patrocinadores, para que assim possamos continuar proporcionando aos nossos atletas ainda mais oportunidades para eles realizarem o grande sonho de fazer parte da verdadeira elite que participa do milionário ASP Dream Tour com os melhores do mundo nas melhores ondas do planeta, aliás, sonho de qualquer surfista profissional e amador hoje em dia, certamente!

 

Acessem o calendário completo na nova página da ASP South America, Aspsouthamerica.com.br.

 

Boas ondas a todos!!!

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.