
As pranchas produzidas com resina Epóxi já são antigas, apesar de pouco difundidas e compreendidas no mercado.
Porém, um importante trabalho de aperfeiçoamento vem sendo realizado nos últimos 15 anos, que pode ajudar essa tecnologia a subir vários degraus na escada comercial.
Atualmente, em todas as partes do mundo existem empresas trabalhando para aperfeiçoar ainda mais esse material, que para alguns shapers deve substituir a resina poliéster num futuro próximo.

Para muitos shapers e surfistas, a prancha de epóxi é melhor que as pranchas convencionais em ondas pequenas, mas para performances em ondas pesadas como Pipeline, Sunset e Teahupoo ela ainda é uma incógnita.
O shaper paulista Mário Ferminio, do Guarujá, é talvez o maior entusiasta dessa tecnologia, com a qual já trabalha há 16 anos. Nos últimos tempos ele vem trabalhando com alguns expoentes da nova geração brasileira e os resultados estão superando as expectativas.
Um deles é Junior Faria, 18, que possui cinco temporadas no Hawaii e este ano começou a correr o WQS.
?As pranchas estão resistentes e funcionando muito bem. Já tomei várias na cabeça em Pipeline e Sunset e não quebrei nenhuma. Para ondas pequenas não tem prancha igual, isso todo mundo sabe mas ninguém fala. Aqui no Hawaii tem muita gente falando que a prancha de epóxi é o material do futuro?, comenta Faria.
?Mostrei minhas pranchas para o shaper Pat Rawson, pois acho super importante um shaper daqui ver o material que estou usando, e ele me surpreendeu dizendo que o Mário Ferminio e o Ricardo Martins são os dois shapers de sua preferência no Brasil?, diz o atleta.
Para Heitor Pereira, 19 anos e sete temporadas havaianas, que também disputa o WQS, o segredo é o acabamento.
?Fui conversar com o Pat Rawson a respeito de umas pranchas que encomendei e ele quis mostrar o que está fazendo com um novo bloco, de isopor. Ele falou das qualidades e também falou que é muito mais fácil de trabalhar, mas poucas pessoas sabem disso, pois tem todo o trabalho da secagem da resina que é mais demorado que o poliéster?, relata Pereira.
?Eu acho a prancha muito boa, resistente e leve. Funciona também nas ondas grandes, mas tem que saber laminar, para ficar forte e com o peso ideal. Já em ondas pequenas não tem o que falar, elas são as melhores. Muita fluidez, está sempre em cima da água, tem muita projeção e facilidade nas manobras?, completa.
Em entrevista ao Waves.Terra, o shaper Mário Ferminio esclarece os principais pontos sobre as pranchas de epóxi.
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Como é a questão das pranchas de epóxi com relação ao tamanho de onda?
A verdade é que para as merrecas elas são as melhores, mas quando se faz um trabalho sério com atletas de alta performance é possível conseguir um bom resultado em qualquer condição. Quando o Heitor e o Junior foram pro Hawaii pela primeira vez, há mais de cinco anos, sempre falei pra eles olharem e testarem as pranchas de fora, pois só assim eles teriam um parâmetro para comparar e me dar um feedback.
Qual é a diferença nas pranchas para ondas grandes?

Tenho trabalhado muito no refinamento das pranchas com pouca curva na rabeta, com um pêndulo bem suave na frente das quilhas dianteiras. E no glass eu tenho feito uma trama na borda com fibra grossa, que dá uma resistência muito grande com o peso ideal.
Qual seria a principal razão para o epóxi cair no gosto popular?
Em primeiro lugar seria a preservação da natureza e do meio ambiente. Em breve o planeta estará com os dias contados se não houver consciência ambiental. Essa prancha pode ser chamada de ecológica, pois o bloco que eu uso é 100% reciclável. E se não for reciclado e ficar no meio ambiente, ele não contamina a água, o solo e o ar, pois mesmo sendo incinerado ele só emite gás carbônico. Já a resina epóxi não é reciclável, mas no processo de polimerização, a emissão de gás tóxico é muito baixa, e depois de seca, se ela for incinerada não emite gás tóxico. Para mim a prancha de epóxi vai ser o futuro, pois as pessoas têm que se conscientizar que temos de proteger o planeta.
Há cerca de quatro anos muitos shapers se aventuraram a fazer essas pranchas, mas depois pararam. Qual foi a repercussão disso?
Foi extremamente negativa, pois eles vendiam as pranchas como se fossem super leves e inquebraveis, mas isso não acontecia. Eram realmente leves, mas quebravam muito fácil e isso me afetou muito, pois eu estava ganhando um espaço no mercado e de repente as pessoas ficavam com medo de comprar. Uma coisa importante de dizer é que existem muitos tipos de resinas e blocos de isopor e, como já trabalho com isso há 16 anos, sei exatamente quais são os materiais de primeira qualidade e a maneira correta de usa-los.
O que significou para você ser apontado como um dos melhores shapers do Brasil por Pat Rawson, um dos melhores do mundo?
Muita responsabilidade, pois é um reconhecimento muito significativo. Mas isso não aconteceu à toa e tive ajuda de muita gente nesse longo processo de muito trabalho. Vou destacar alguns nomes, mas com certeza não são todos que gostaria: Ricardo Tatuí, Guilherme Gross, Rodolfo Lima, Guilherme Herdy, Ricardo Bocão, Paulo Kid, família Matos, Tadeu Pereira, Jojó de Olivença, Vitor Farias, Kias de Souza, Marcio Okumura, Saulo Carvalho, entre outros.
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