O índice de lesões por água-viva tem aumentado bastante recentemente. Somente nesta temporada, o número de casos já ultrapassa a marca de 43 mil, duas vezes maior do que neste mesmo período na última temporada.
Uma reportagem produzida pelo Diário Catarinense levantou algumas hipóteses para o aumento da incidência.
A primeira delas é o maior número de banhistas nas praias do litoral catarinense.
Também foi constatada uma maior incidência no litoral norte catarinense e, mais especificamente, de um tipo que até então não era comum no Estado: a Chysaora lactea.
“Talvez tenham duas espécies de medusa (água-viva) que estejam causando envenenamento. Nos últimos anos, era principalmente a Olindia sambaquiensis. Mas a Chysaora lactea é uma espécie comum, conhecida no Paraná, porque vem do Norte pela corrente do Brasil, mas que nos outros verões não ocorria tanto por aqui” explicou o oceanógrafo e pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) Charrid Resgalla Júnior, em entrevista ao Diário Catarinense.
Devido à capacidade baixa de natação, as águas-vivas que envenenam banhistas são transportadas por correntes marítimas que, por sua vez, são influenciadas pelo vento. Geralmente, o vento Sul é quem movimenta as medusas.
“Pode ser em função da corrente, da morfologia do fundo e do recorte da costa. Isso tudo influencia se o organismo vai chegar mais perto da praia”, afirmou o pesquisador da Univali ao Diário.
A hipótese ganha o reforço da bióloga do Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina Taciana Mara da Silva Seeman. “Pode acontecer porque as águas-vivas se movimentam com as marés. Elas podem estar tanto em correntes frias, quanto em quentes, depende da espécie”.
Assim como a bióloga, o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina Helton de Souza Zeferino liga o aumento da temperatura da água do mar ao maior número de águas-vivas.
“Todos os anos nós temos no verão uma multiplicação maior dos seres marinhos. Com o aumento da temperatura da água, há a proliferação e casos de queimaduras por água-viva. Isso associado às tempestades tropicais de fim de tarde de verão fazem com que elas se aproximem da costa”, disse Zeferino ao Diário Catarinense.
A diminuição das tartarugas pode influenciar no aumento de queimaduras por águas-vivas, segundo a bióloga do CIT. “Tem a falta do predador natural das águas-vivas, que são as tartarugas. Elas estão diminuindo devido à pesca e à poluição nos mares — pontua Taciana, que lembra que o órgão estadual não dispõe de nenhum estudo sobre a situação, mas sim somente notificações por envenenamento”.
Fonte: Diário Catarinense.
Confira algumas dicas do biólogo Marcelo Szpilman de como agir em acidentes com águas-vivas ou caravelas:
1 – Saia da água e lave o local atingido com água salgada. Jamais use água doce.
2 – Não tente remover os tentáculos aderidos esfregando areia ou toalha.
3 – Banhe a região com vinagre por cerca de 10 minutos.
4 – Remova os restos de tentáculos aderidos com uma pinça.
5 – Lave mais uma vez com água do mar e reaplique o vinagre por mais 30 minutos.
6 – Dores e reações inflamatórias reagem bem aos analgésicos e corticoides, respectivamente.