Um trabalho universitário gerou um interessante bate-papo entre o jovem estudante de Jornalismo Flávio Lobo e o fotógrafo e cinegrafista Agobar Júnior, colunista do Waves.Terra.
Com declarações bastante polêmicas, Agobar respondeu ao questionário de Lobo, que está fazendo uma reportagem sobre a perspectiva das pessoas em relação ao surf brasileiro.
Nesta entrevista, Agobar dispara contra as empresas envolvidas com o surf, exalta o saudoso Roberto Valério e expõe seu ponto de vista sobre outras questões relacionadas ao surf canarinho.
Qual a perspectiva do surfe brasileiro para os próximos anos?
Crescimento sempre. Mas, infelizmente, a hipocrisia e a cara de pau que permeiam o nosso mundo estão presentes no surfe também! A exploração e o crescimento também continuarão desproporcionais ao que os empresários do surfe ou não faturam por ano com esse esporte!
O crescimento é inevitável, pena que não será proporcional ao que o surfe é explorado e adorado! Campeão mundial brazuca? Calma… Se a raça insana e de outro mundo de Neco Padaratz não mantiver uma regularidade, a minha esperança para os próximos anos é Bruno Santos!
O que você acha que falta para o surfe brasileiro engrenar de vez e ter atletas entre os primeiros no WCT?
Primeiramente, antes até de dinheiro, é uma mentalidade e consciência dos que querem realmente ser os melhores no esporte. Aceitar e assumir que, apesar do paraíso que é o Brasil, não temos as melhores ondas do mundo e que, para alcançar o topo, tem de ralar muito, treinar muito e sempre. Viajar e ficar muito tempo pegando e aprendendo sobre as ondas nos melhores lugares do mundo!
Sem se perder a humildade, nunca! Sem perder a consciência de que sempre haverá algo mais a ser feito, aprendido! Nada é por acaso, e não será por acaso que um dia teremos um campeão mundial! Assim como não é por acaso que Slater foi oito vezes campeão do mundo! Assim como não é a toa que o Bruno Santos foi eleito o melhor surfista brasileiro do ano passado. Em outras palavras: menos ?playboysagem?!
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O Adriano Mineirinho é tido como a maior promessa do surf brasileiro nos últimos anos. Em sua opinião, ele ainda pode trazer muitas alegrias ao surf brasileiro?
Acho que ele pode, sim, trazer alegrias a nós, brazucas. Tudo depende da cabeça e vontade dele! Mas, em minha opinião, esse negócio de ser a maior promessa é muito relativo. Outros que não são promessa de nada voltaram ao WCT, e eu acredito neles do mesmo modo ou até mais do que no Mineiro! E como eu disse acima, tudo depende da cabeça, vontade, consciência, visão, espírito e momento do cara! Realmente tudo pode acontecer!
Nosso país dá totais condições para os atletas desenvolverem o surf ou você acha que, para eles virarem atletas de primeira linha, têm de ir treinar fora, em lugares como Hawaii, Austrália, entre outros?
Infelizmente, nosso país não dá condições de nada! Faltam pessoas com a consciência, espírito, falta de hipocrisia e, principalmente, puro amor ao surfe como tinha nosso querido falecido amigo Roberto Valério! Verdadeiro símbolo de amor e dedicação ao esporte! Um verdadeiro amante do surfe! É isso que falta!
Um empresário que ame o esporte mais do que o dinheiro! Não só na surfwear, mas também nas empresas gigantes que exploram o surfe na cara dura, sem dar nada em troca, ou quando dão, são migalhas se comparadas ao retorno de terem suas marcas agregadas ao espírito e a tudo que esse esporte representa! Como eu disse acima, nossos atletas têm de treinar nas melhores ondas do mundo, sim! Acho fundamental! Nada substitui isso!
Falta apoio político ao surf em nosso país?
Com certeza! Falta apoio político e moral também! No nosso país falta tudo! Só não falta raça, mulher e corrupção! Num país em que se não se dá saúde (hospitais), ensino (escolas), segurança, conforto e respeito para os aposentados (idosos, um dia nós seremos), há de se esperar o que?! Uma pena, pois tenho certeza de que quem já viajou ou viaja tem a visão de que nosso país poderia ser o melhor em tudo, se não fosse a falta de vergonha dos poderosos – que têm de dar exemplo -, se não fosse essa corrupção exacerbada, descabida e exagerada que nossos governantes permitem e praticam! Não esperemos muito da política.
O que o mundo do surfe precisa é que alguém de uma marca gigante como a Coca-Cola ou Mercedes-Chrysler (por exemplo) se apaixone e invista no esporte como são apaixonados e investem no tênis, fazendo eventos e circuitos com premiações realmente significantes de seis ou até sete dígitos para o primeiro colocado, elevando assim de uma vez por todas os parâmetros a serem seguidos. E claro, dessa maneira se destacando como jamais outra marca se destacou. Pô, os caras hoje em dia estão dropando ondas do tamanho de edifícios, verdadeiros tsunamis! Um esporte realmente de reis! No tênis (só como exemplo) não se precisa de coragem, atitude e percepção como no surfe. Realmente, um esporte sem comparações!


