Leitura de Onda

Adriano está vivo

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Dono do currículo mais constante da história do surfe brasileiro até aqui – terminou três temporadas entre os cinco melhores do WCT –, Adriano de Souza sabe que 2014 não foi um ano de resultados brilhantes na elite. Foto: Bielmann
 

Adriano de Souza está mais maduro que nunca. Em 2014, competiu na sombra imposta pelo compatriota Gabriel Medina, que dominou, até aqui, a temporada. Mas um olhar atento revela um Mineiro evoluído no ano, com um surfe nitidamente mais polido, arcos encaixados e bem mais próximo dos melhores do mundo nas ondas mais agudas do circuito mundial.

A ausência em Pipeline, na etapa que encerra o ano daqui a alguns dias, foi um golpe maior que o imaginado. O surfista do Guarujá esperava uma nova chance de mostrar o avanço de sua técnica no mais tradicional tubo do circo. No início da temporada, fez uma final de WQS naquela arena, com vitória de Kelly Slater.

Dono do currículo mais constante da história do surfe brasileiro até aqui – terminou três temporadas entre os cinco melhores do WCT –, Adriano sabe que 2014 não foi um ano de resultados brilhantes na elite: nenhuma final, apenas uma semifinal (logo na primeira etapa do ano) e cinco quintos lugares. Está em oitavo, mas deve cair posições depois da etapa de encerramento.

Estar entre os top 10 é sonho de muitos surfistas, mas não o de Mineiro. Essa sombra relativa, essa distância dos holofotes, no entanto, lhe deu mais espaço para evoluir, para trabalhar seu surfe silenciosamente.  

O paulista viveu alguns momentos especiais em 2014. Atropelou seu velho adversário Slater ao ficar em terceiro em Snapper Rocks, executou carvings tão potentes em Bells que recebeu elogios rasgados do mesmo próprio 11 vezes campeão do mundo e, em Fiji, surfou de forma magnífica, irretocável.

Mas, a julgar pelo que aconteceu na temporada, as apostas para os próximos anos naturalmente devem se concentrar numa lista que inclui Medina, John John Florence e Jordy Smith. Eles parecem ter entrado definitivamente no seleto grupo de estrelas capazes de disputar a temporada, onde já estão alguns veteranos.  

E Adriano, onde fica nessa história? Não sei o que você pensa, mas eu não ousaria descartá-lo do baralho dos tops. Título? Calma. A única garantia é a de que ele vai lutar enfurecidamente por isso, enquanto estiver vivo. E, em 2015, aos 28 anos, maduro e em seu auge técnico, ele lutará mais uma vez.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.