Sexta-feira, 5:15 horas da manhã. O sol não tinha nem nascido e já batiam na porta do meu quarto.

 

Era o guia de surfe, com a prancha debaixo do braço, dizendo num inglês rebuscado da Carolina do Sul: ?Vamos que é o seu último dia aqui, não podemos perder um minuto?.

 

Começava assim o sétimo, e último dia, de uma semana de altas ondas na Nicarágua.

 

Quando começo a planejar uma surf trip fico sonhando com aquele pico quebrando perfeito, sozinho, como se estivesse esperando por mim. Mas é apenas um sonho.

 

Já tinha ouvido algumas histórias sobre o potencial de ondas da Nicarágua. Mas eram apenas histórias.

 

Resolvi então conferir com meus próprios olhos e garanto: o ilustre vizinho do Panamá e da Costa Rica é um lugar impressionante. Tem onda para todos os gostos.

 

Beach breaks, point breaks e reefs. Esquerdas e direitas. Valinhas manobráveis e bombas tubulares.

 

Todas penteadas por um carinhoso vento terral 24 horas por dia. E não pára por aí.

 

O crowd é praticamente inexistente e os poucos locais que pegam onda são camaradas – desde que brasileiros e americanos não cheguem lá querendo dominar tudo. Aliás, palmas para o povo nicaraguense, que não se cansa de sorrir.

 

Cada pico que o guia apresentava era uma nova, e grata, surpresa. Nos três dias que saímos de barco, conhecemos alguns dos melhores point breaks da região. Ondas de 3 a 6 pés quebrando geometricamente sobre a bancada.

 

Quando os braços e as pernas não agüentavam mais, era só voltar para o barco e abastecer o corpo com sanduíches e frutas levados pelos guias. Nos outros dias saímos de carro em busca das ondas e, além de conhecer novos picos, pude ver mais de perto a beleza da quase inabitada região.

 

Se tudo isso já não bastasse, ainda tive a sorte de ficar no Popoyo Surf Camp. Depois da experiência que tive em outros camps na Indonésia e na América do Sul, confesso que não fui esperando muita coisa. Mas fui surpreendido.

 

O norte-americano da Flórida JJ, dono do camp e descobridor da maioria dos picos da região (e que de quebra pega altas ondas), construiu o esquema perfeito pra galera do surfe. A acomodação é ótima. A cozinha, melhor ainda. E o esquema com os guias que levam a galera pra surfar não podia ser melhor.

 

Foi por isso que, apesar de cansado de tanto pegar onda, pulei da cama quando o guia me acordou no meu último dia de trip e, minutos depois, já estava na caçamba da caminhonete, junto com os primeiros raios de sol.

 

O destino era mais algum pico praticamente desconhecido, que estaria quebrando perfeito, sozinho, como se estivesse esperando por mim.

 

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