Por trás das notas

Adeus, amigo

Quando somos jovens não valorizamos os momentos que vão passando, achando que ainda teremos todo o tempo do mundo.

 

Com o amadurecimento, começamos a entender que o que realmente importa é viver o presente, pois ninguém sabe o dia de amanha.

 

Nos últimos meses tenho valorizado o aqui e o agora mais do que nunca e agradecendo todos os dias em que eu acordo e posso dar um beijo na minha mulher e nos meus filhos e ainda poder conviver com meus queridos pais e amigos.

Hoje estou prestando uma homenagem a um amigo que não está mais aqui na terra conosco.

 

Escrever sobre uma amizade é difícil, pois nem sempre as palavras ajudam a entender todos os sentimentos e momentos que são vividos em uma relação.

 

Escrever sobre os momentos vividos com o Caio é como fazer um retrospecto da minha vida nos últimos 25 anos, da maioria das conquistas que eu tive no esporte e de um capítulo da minha vida que certamente terminou.

 

Conheci o Caio surfando na Barra nos anos 70. Ele era amigo da galera da Tijuca que freqüentava o Quebra Mar.

 

Mais velho do que eu, Caio era amigo dos amigos mais velhos dos meus colegas de surfe e estudava educação física na Gama Filho, na mesma sala do meu amigo Tom Zé, que era o único com carteira de motorista e que sempre me levou para surfar nas praias mais afastadas da Barra.

 

Caio sempre foi um pioneiro e, já no começo dos anos 80, sua monografia na faculdade foi sobre treinamento em Surfe.

 

Mais tarde, em 85, ele veio a fazer um curso de juízes para trabalhar na OSP e creio que logo depois começou a trabalhar como técnico de surfe da equipe Cyclone.

 

Caio pôde então, com a ajuda do saudoso Roberto Valério, a desenvolver tudo que ele havia aprendido na Faculdade e colocar na prática.

 

Foram inúmeros atletas campeões em categorias de base e que mais tarde conquistaram o mundo e que tiveram nos ensinamentos do mestre uma grande base, tanto para uma vida competitiva no esporte, assim como na formação do caráter dos futuros homens.

 

Vivemos muitos momentos juntos que se fosse contar não caberia nesta pagina, só escrevendo um livro. Foram muitas conquistas e momentos que marcaram a minha vida para sempre, a maioria deles estão na história do surfe Brasileiro.

 

Passamos vários aniversários juntos, viagens de avião, ônibus e carro, estivemos juntos no Japão, Franca, Califórnia, África do Sul, Argentina, Venezuela e toda a costa brasileira por várias vezes.

 

Caio era um contador de histórias e sem ele parte da memória da minha vida se vai, pois era ele quem guardava os detalhes.

 

Além disso, foi um dos grandes desbravadores desta categoria de técnicos de surfe, sempre lutou pelo respeito à nossa profissão e deve ser um exemplo a ser seguido.

 

Nos últimos anos, ele conduzia com maestria sua parte no curso de instrutores e junto comigo foi responsável pela formação de mais de 300 técnicos de surfe no Brasil e por obra do destino o Caio veio a falecer durante o mundial júnior de Maresias semana passada.

 

Mas não tem nada não, a esta altura ele já deve ter encontrado o Russo e devem estar montando uma equipe de surfe lá no Céu. E olha que equipe ele deve estar treinando, Gustavo Aguiar, Smurf, Valério, Débora Farah, Paulo Tendas, Pepe, Petit, Pitzalis, Gironso, Lequinho, Adilson, Pó de Arroz, entre outros.

 

Valeu, Caio, um dia a gente se encontra. 

 

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