
“O único lugar onde sucesso vem antes de trabalho é no dicionário”. Essa frase, atribuída a um famoso publicitário, pode resumir muito bem a conquista do título Mundial Pro Junior na pelo cearense Pablo Paulino, no início deste mês, na Austrália.
Pode-se dizer, sem exageros, que a dupla carioca de shapers Thiago Cunha e Udo Bastos teve grande participação e responsabilidade na vitória brasileira no mundial realizado em North Narrabeen.
Paulino é o melhor fruto do trabalho realizado pelos shapers cariocas, criadores do projeto social Casa dos Surfistas, que abriga talentos nordestinos no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro.
O projeto

inovador permitiu a revelação de nomes como Silvana Lima, Adilton Mariano, Martins Bernardo, Charlie Brown, Diana Cristina e o próprio Pablo Paulino, que há três anos se hospeda no alojamento, sendo um dos primeiros a ocupar o pico.
Aos 17 anos, o cearense faz parte de uma leva de atletas que, graças ao olho clínico e shapes sob medida, alcançaram os lugares mais altos nos pódios.
O campeão mundial Pro Junior usa pranchas shapeadas por Thiago Cunha e levou para Austrália um quiver composto por uma 5’9” swallow, duas 5’11” squash, duas 6’0” squash e uma 6’6” round pin. sendo que na final usou uma 5’11.
“Para o mundial, optamos por fazer pranchas com outline mais estreito do que as que ele costuma surfar normalmente. Fizemos alguns testes e o Pablo se adaptou bem”, explica Cunha, que revela ainda algumas medidas de espessura: 17 7/8 de meio e 2 3/16 de espessura.
Um fato que chamou a atenção de quem assistiu às baterias, principalmente as semifinais, foi como as pranchas dos demais competidores pareciam estar “agarradas” nas ondas de vala e irregulares, disponíveis naquela dia. Por outro lado, a prancha do brasileiro nitidamente voava.
“A impressão que se tem é de que hoje os brasileiros são a vanguarda no shape de pranchas hot dog”, avalia Thiago Cunha.
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O shaper reconhece que a aplicação e a dedicação de Paulino foram fatores importantes para os resultados obtidos.
“Ele sempre foi muito dedicado e levou a sério nossa proposta de trabalho”, afirma o carioca, que aos 38 anos acumula mais de seis mil pranchas shapeadas no currículo.
“É fundamental que o investimento no atleta seja feito na mais tenra idade. Se você deixa para começar o trabalho quando o competidor já está com 17 anos, fica mais difícil pois começa a ocorrer diversas interferências externas associadas à puberdade”, explica Cunha.
Com a experiência de quem fabrica pranchas há

16 anos, Cunha sabe a responsabilidade e o custo de investir num atleta, principalmente quando ele está longe de casa e da família.
O projeto Casa dos Surfistas valoriza a continuidade dos estudos, pois seus idealizadores sabem que os competidores precisam dos conhecimentos adquiridos na escola para a sobrevivência nas competições, viajando pelo mundo, ou até mesmo no futuro, quando podem virar chefes de equipe.
Atualmente, o projeto começa a se estender aos moradores da comunidade do Terreirão, favela localizada próxima da área onde fica a oficina na praia da Macumba.
O projeto está entrando na sua terceira geração de atletas, com foco mais específico no nordeste. Porém, já começa a receber competidores do sul e sudeste, caso de Wiggolly Dantas, de Ubatuba, e Alejo Muniz, de Florianópolis.
Resultados expressivos se acumulam continuamente, como a paraibana Diana Cristina, de apenas 14 anos, quinta colocada no ISA World Surfing Championships 2004, realizado em dezembro passado no Tahiti, que também integra o alojamento.
Se continuarem nesse ritmo, Thiago Cunha e Udo Bastos trarão ainda muitas alegrias ao nosso país, com um trabalho que alia seriedade, profissionalismo e boas pitadas de idealismo e instinto paternal.
Os telefones de contato da oficina são (0xx21) 2490 0703 ou 2490 7073. Ou envie mensagem para [email protected] .