A união que não passa de ilusão

Muito foi falado sobre os filmes Q!, que são isso, que são aquilo. E tem uma palavra que é unânimidade no esporte: “União”.

 

Desde que entrei no bodyboard, o que mais escuto é essa palavra. Sinceramente… Uma palhaçada. E todo ano, principalmente nos meses finais, se fala nisso… Deve ser o espírito natalino, só pode ser.
 
Em 2003, vi alguns dos “poderosos” do bodyboard criticarem muito nosso filme. Ouvi até falarem que nós, da Q!, nunca fomos nada no esporte. Brincadeira, não é? Agora, para eu me pronunciar no esporte, vou ter que fazer como alguns. Me vangloriar no início dos meus textos. Falar que já fui campeão disso, que já fui reconhecido por aquilo… Mas eu não preciso disso para falar do esporte que pratico. E dos campeonatos que consumo. Afinal, a liberdade de expressão está aí para isso.

E se não fomos nada no esporte, acho que depois de quatro filmes lançados em três anos já podemos nos considerar alguma coisa no bodyboard. Se bem que, o bodyboard que praticamos é bem diferente do que é explorado nas competições nacionais…
 

Já tentei de muitas formas ajudar o esporte. Já filmei campeonatos, fiz programação visual da FEBBERJ (Federação de Bodyboard do Estado do Rio de Janeiro). Filmamos campeonatos e até editei a abertura do programa Rio Super Pro na TV… Nós, da Q!, sempre estivemos dispostos a ajudar para ver o esporte andar para frente. E nunca pedimos união no esporte. Queremos apenas que cada um reconheça seu espaço e deixe todos trabalharem pelo esporte, respeitando suas “ideologias”.

Fizemos nossos filmes com o único intuito de chocar o público do bodyboard e os surfistas do meio. Mostrar lado mais casca-grossa do esporte e como somos fora da água… Nosso público alvo é formado pelos bodyboarders de atitude, e nunca fizemos e nem vamos fazer filmes direcionados aos pais dos praticantes do esporte… Para eles existe a revista Caras, a Veja, o Domingão do Faustão…

Nem minha mãe viu o filme, porque não fiz o filme pra ela. Mas vejo que alguns ainda não entenderam isso. Acham que o bodyboard, até nos vídeos, tem que ser estilinho atleta comportadinho, maroleiro… Sei lá!

 

O que mais nos conforta é quando saímos do meio e ouvimos comentários de pessoas de fora, como o dono de uma rede de lojas, que pediu pra ver nossos filmes. O Camarão (Gustavo), meu sócio, o alertou: “Estes filmes tem algumas cenas fortes, da galera na noitada e tal…”

 

Sabem o que o cara falou? “Ué, cuidado porquê? É isso que a molecada e o mercado querem. Tem que ser assim mesmo”. Ou então, o comentário dos surfistas profissionais, que se empolgam com  o tamanho das ondas. Desses, ouvi comentários do tipo: “Que é isso? Nesse mar, não ponho nem os pés”.

É isso que nos dá força para continuar com o nosso trabalho. Ver que empresas grandes do esporte e grandes surf shops do meio, estão do nosso lado, apoiando nossos projetos.
 
Voltando à palavra União, muito se fala e pouco se faz, mas estamos sempre à disposição para ajudar. E o que recebemos em troca? Uma “revistinha”, que se aproveita do nosso trabalho pelas costas, utilizando-o de má fé.

 

Ou um outro, que na nossa frente quer vender os filmes, e nas discussões de emails fala que nosso filmes denigrem a imagem do esporte. Ou mesmo os que, após o sucesso nas vendas e do reconhecimento dos bodyboarders, insistem em achar que somos frustrados.
 
Queremos sim o bodyboarding no topo. Campeonatos também, mas que sejam separados: eventos de divulgação do esporte de um lado; Profissional, somente em ondas de qualidade. E eventos de base em muitas praias, circuitos amadores, federações fortes… E queremos manter a cultura dos vídeos, para quem curte apenas o free-surf. Mostrar o feeling do esporte…

 

Isso seria união! Cada um fazendo a sua parte, da maneira correta. E com um único objetivo: elitizar e trazer para o topo o bodyboard brasileiro. Aproveito este espaço para agradecer a todos que já assistiram nossos filmes e todos que estavam presentes nos lançamentos do filme Ideologia por todo o Brasil.

 

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