
O australiano Damian King, atual bicampeão mundial, concedeu esta entrevista, onde mostra seu ponto de vista em relação ao esporte. O primeiro título mundial, conquistado no ano passado, rendeu um contrato de um milhão de dólares com a Rheopaipo Bodyboards, alem de muito prestígio na mídia australiana e mundial.
Conheça mais um pouco do aussie Damian Kingy.
Quando você começou a pegar onda e o que te atraiu no bodyboard?
Comecei a surfar aos 12 anos, atraído pela diversão que o esporte me oferecia.
O que o bodyboard significa pra você?
O bodyboard é uma forma de expressão. Todos os sentimentos que existem em você podem ser expressos através dele. Além disso, o bodyboard tem sido um veículo para surfar as ondas mais pesadas do mundo.

Qual a importância de ter crescido em Port Maguarie – Austrália, para ter conquistado os dois títulos mundiais?
Port tem importância fundamental para qualquer pessoa envolvida com o esporte, a cidade é celeiro de muitos bodyboarders talentosos. Isso tem atraído o interesse pelo bodyboard. O suporte dado pela cidade age em mim como motivação para trazer bons resultados para os meus conterrâneos. As ondas não são tão grandes como as que eu gostaria de treinar, mas minha mente está preparada e enquanto eu estiver viajando em busca das maiores ondas sempre estarei preparado.
Quem são as suas influencias, dentro e fora do esporte?
Minha maior influência é a minha mente. O cérebro humano é ainda mais poderoso se voltado 100% para determinado objetivo.

Há quanto tempo você compete e qual a sua visão em relação ao circuito mundial?
Eu tenho competido desde os meus 13 anos, mas estou no super tour há apenas três ano Eu não competi na antiga GOB – Global Organization of Bodyboarders, porque eu não achava que o circuito representava e nem promovia o esporte da maneira adequada.
Você poderia comparar a emoção do seu primeiro título mundial com a emoção do segundo?
O primeiro título veio quando minha mãe faleceu. A vitória acabou sendo um conforto para mim. Já o segundo título foi resultado da minha maturidade mental. Eu sabia que podia ganhar e só dependia de mim. Com o segundo título, veio a certeza de que tudo que eu colocar em minha mente, irei realizar.

Em que consiste o seu treinamento?
Procuro manter um determinado peso, mantenho uma dieta com baixos níveis de carboidratos e rica em proteína – perdi cinco quilos para o último evento. Meu treinamento busca o mais baixo nível de gordura em meu corpo. Saio de casa as seis horas da manhã, com minha lança de pesca e meu bodyboard. Volto para casa apenas depois das oito da noite. Durante todo o dia estou fazendo uma coisa ou outra. Também faço aula de alongamento todos os dias, com o objetivo de dar mais velocidade ao meu surf.
O que você achou do campeonato ter sido realizado em Honolua Bay, ao invés de Pipeline?
Eu acho que o evento em Maui surpreendeu muita gente. Todos pensavam que seria um festival de 360 graus, mas fomos presenteados com ótimas seções de ondas, ao invés de ondas gordas.
Qual a sua opinião em relação ao bodyboarding australiano?
Os australianos são os melhores do mundo. As pessoas podem dizer que somos os melhores por sorte, já que temos patrocínio para pagar as viagens e etc. Mas se você for em Pipeline, vai ver um grande número de australianos na água. Mas se procurar saber, vai descobrir que 99% deles tiveram que trabalhar duro para pagar a viagem ao Hawaii. Os australianos tem viajado em busca das melhores ondas ao redor do mundo, mesmo tendo que dar duro para isso. É isso que mais admiro nos australianos: patrocinados ou não, sempre estaremos lá. Não por causa do dinheiro, mas pela paixão pelo bodyboard.
O que você acha dos bodyboarders brasileiros?
Eu não tenho visto muitos brasileiros, mas acho que Tâmega é o melhor que já veio do Brasil. Sua atitude conquistou o respeito de todos. Eu acho que a maioria dos brasileiros bota pra baixo, Paulo Barcelos detona em Pipe. Mas pelo que tenho visto, a nova geração tenta copiar o Tâmega. GT é realmente muito bom, mas por mais influência que tenha, não tentem copiá-lo. Vocês devem se inspirar no que ele tem feito em ação, mas cada um deve ter o seu próprio estilo e direção.
Como você se sente competindo contra GT e como fica a rivalidade dentro e fora da água?
Tâmega é muito competitivo, tenho muito respeito por ele. Não quero brigar ou ter qualquer tipo de conflito contra ele. Quero ser seu amigo, mas devo dizer que quando estamos em uma bateria, quero que ele venha com tudo. Eu adoro competições difíceis e justas, sem malandragens ou merdas desse tipo.
Qual o seu maior sonho em relação ao bodyboard?
Ver o esporte conquistar o reconhecimento que merece, tanto na mídia quanto financeiramente.
Se o oceano secasse amanhã, o que você faria da sua vida?
Minha vida também secaria.
Aonde podemos encontrar o seu novo vídeo The Joker?
Nos websites: www.bodyboardshop.com, www.ebodyboarding.com e estou procurando um distribuidor para o Brasil.
Quais são os objetivos que deseja alcançar antes de aposentar-se?
Ajudar no crescimento do esporte.
Qual o conselho que você gostaria de dar aos novos bodyboarders que querem ser profissionais de sucesso?
Nossa mente é mais poderosa do que se imagina, então não se intimide diante de seus objetivos, faça-os acontecer, mas aproveite e divirta-se durante o caminho.
Você tem algo a dizer aos bodyboarders do Brasil e do mundo?
A indústria do bodyboard só crescerá quando os próprios atletas estiverem na liderança, mas acima de tudo bodyboard é diversão, então divirtam-se.