#As declarações do australiano Mick Fanning sobre o desempenho dos brasileiros no último fim de semana, em Newcastle, Austrália, serviram para mostrar ao mundo que somos os melhores nas ondas pequenas, mas também mostra um pouco de despeito, como uma justificativa para o fato de ter três brasileiros e um australiano na final.
Semana passada escrevi sobre a necessidade de treino nos campos onde serão disputadas as provas, e foi justamente isso que o australiano disse sobre o treinamento dos brasileiros e sobre as ondas pequenas: ?Aonde eles vivem, as ondas são parecidas com as daqui (Newcastle)?.
Parece um pensamento lógico, mas para um surfista de ondas pequenas virar um big rider é mais simples do que o contrário, ou seja, é mais fácil evoluirmos para surfar ondas médias e grandes do que para um australiano ou havaiano se acostumar a ondas de 1 ou 2 pés cheias.
Não quero dizer que os brasileiros do surf competição são merrequeiros, mas se analisarmos o perfil físico e técnico junto com o histórico de competições, veremos que o nosso potencial e a maioria dos bons resultados foram em ondas de até 4 pés.
#Como técnico da equipe brasileira fui testemunha em vários mundiais de que, em mares pequenos, nossa performance era superior às dos demais, mas quando o mar subia, havaianos e tahitianos se juntavam aos australianos e norte-americanos e dominavam.
Temos que ter orgulho de nossa habilidade nas ondas pequenas e não ligar para as desculpas dos gringos sobre nossa invasão ao mundo do surf. A questão é: para se classificar para o WCT, os surfistas têm que fazer pontos em quase todo tipo de ondas, mas pode ser que um surfista se qualifique surfando só em beach-breaks e outro se classifique por pontos conseguidos em ondas grandes e pesadas, como Margaret River, na costa oeste australiana, ou Haleiwa, no Hawaii.
Para termos um campeão mundial no WCT teremos que melhorar nossa habilidade em ondas acima de 6 pés e treinar ao máximo nelas, para que a experiência vivida no pico ajude na escolha e na leitura da onda e no que se deve fazer durante a bateria.
Não adianta surfar só durante o evento, mesmo porque, geralmente são ondas que só quebram com determinado tamanho, e quando o mar sobe as baterias começam e ninguém pode treinar. O Burle e o Resende que me desculpem, mas nós brasileiros amamos a “valinha”.