Junior Faria

A sedução de Pacasmayo

Junior Faria é só alegria com a session peruana. Foto: Divulgação Nivana.

Nós surfistas temos muitas coisas em comum: a paixão por pranchas, o amor e respeito pelo oceano, aquele grito de satisfação inconfundível e muitos outros aspectos.

 

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Mas acho que a única característica que todos nós possuímos é aquela vontade insaciável de surfar nas melhores condições possíveis. Seja no seu homebreak ou naquela tão sonhada surf trip, queremos sempre estar surfando as melhores ondas.

 

Para mim é ao mesmo tempo uma benção e uma maldição, o lado bom é que (muitas vezes com uma certa ajuda da grande rede) aprendemos a nos relacionar com a natureza e a entender seus sinais. O lado ruim é que na maioria das vezes chegamos à conclusão de que as melhores ondas estavam naquele pico que checamos

Esquerdas intermináveis compõem o visual de Pacasmayo. Foto: Divulgação Nivana.

primeiro.

 

Bom, digo isso porque essa vontade me levou a fazer um bate-volta ao Norte do Peru atrás de um swell. É claro que foi uma oportunidade única, com a ajuda da Nivana e um ?empurrãozinho? de amigos do Rio e também de São Paulo. O que a principio parecia loucura acabou se tornando uma experiência inesquecível.

 

Quando recebi uma ligação, prefixo 21, de um grande amigo meu chamado Rafel Mellin me perguntando se aceitaria ir ao Norte do Peru na manhã seguinte, minha primeira reação foi cair na gargalhada!

 

Eu havia desembarcado em São Paulo no dia anterior vindo de Arica no Chile, onde passei 15 dias. Em duas semanas estaria embarcando para mais uma temporada havaiana no North Shore.

 

Como surfista profissional, não paro muito em casa e quando finalmente chego, já é hora de arrumar as malas para a próxima, mas uma proposta como essa nunca havia recebido.

 

Depois de uma conversa de 15 minutos ao telefone já havia aceitado e pra falar a verdade não acreditei que já estava arrumando a mala em menos de 24 horas para ir embora de novo. Minhas pranchas nem chegaram a sair na capa!

 

Enfiei lá mais um long john, uma prancha biquilha, outra monoquilha e me encontrei com o resto da turma maluca que também largou tudo pra surfar aquele swell de quatro dias que quebraria no Norte do Peru.

 

Como pode-se imaginar foi uma baita correria para mim e para todos os envolvidos. Teve gente largando trabalho pela metade, deixando o sócio arrancando os cabelos e até aquele que saiu tão de fininho do escritório que só notaram no dia seguinte! Isso sem falar nas esposas, namoradas e afins…

 

Eu mesmo não tinha nada planejado nem havia pensado nas consequências daquela decisão tomada em cinco minutos, mas hoje tenho certeza que valeu a pena.

 

Passei quatro dias num lugar maravilhoso em Chicama, na companhia de bons amigos e pude desfrutar daquelas longas esquerdas ao lado de pessoas muito especiais.

 

Surfamos até muito depois das pernas cansarem, remamos mais do que gostaríamos, nos divertimos no jantar relembrando aquela caída no fim de tarde ou aquela manobra incrível que ninguém viu. Isso e tudo mais que uma verdadeira viagem de surf com os amigos nos oferece.

 

Foram momentos de pura satisfação em que me senti vivo de verdade, aproveitando cada momento. Experiências como essa me fazem refletir sobre como nossa vida muitas vezes se afasta do que realmente importa pra nós. Tantas vezes priorizamos certas coisas que não fazem muito sentido no final das contas.

 

Para mim foi algo inesquecível que guardarei comigo por muito tempo, e mais importante que isso, me fez lembrar mais uma vez que a jornada é mais importante que o destino.

 

Aprendi a identificar o momento em que agir é melhor que pensar…

 

Valeu a pena!

 

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