Idade mídia

A promoção do crowd

Desde os filmes de Elvis Presley o surf tem seu life style associado a mulheres bonitas, ondas gigantes prontas para serem surfadas por caras casca-grossa, coqueiros, sol todos os dias e luau todas as noites.

 

Até eu que, segundo internautas do fórum, sou um cara chato e recalcado, gosto muito disso.

 

E é através da força do estilo de vida do surfista que as agências de publicidade vêm criando campanhas nas quais associam o surf aos mais diversos tipos de empresas, produtos e serviços.

 

Começa o filme e tá lá o carrão vermelho todo bonito passando com pranchas no rack. No filme

seguinte, um monte de mulher de bíquini dançando na praia e pranchas de fundo.

 

Outro dia, vi um anúncio de página dupla com um cara apenas remando. Bem legal a foto, aliás. A idéia da peça era vender seguro de saúde.

 

Saindo da publicidade e chegando à televisão, temos as novelas botando os artistas na água. Não me lembro o nome, mas tinha uma novela em que o Paulo Vilhena e o Kadu Moliterno surfavam quase todos os dias. Horário nobre, milhões de pessoas assistindo e os caras surfando na TV.

 

E tem também todos os programas de verão. Nunca vão falar de surf, mas no cenário lá estão elas, as pranchas de surf. Imagino que essa explosão do surf fora da mídia especializada é excelente para o mercado.

 

O surf aparece mais, o life style do surfista aparece mais e mais gente quer ser surfista. Ou ao menos se vestir como tal. O surf sai do gueto. Assim sendo, as confecções vendem mais roupas, os shapers mais pranchas e outras empresas, acessórios.

 

As revistas vendem mais, os sites são mais acessados, os filmes e programas de TV mais assistidos. Muito bom.

 

Mais gente pega onda! Mas, aí surge minha grande dúvida: por que é que eu que não sou dono de confecção, não faço prancha, não vendo acessório, não faço revista, filme nem programa de TV tenho que aguentar esse crowd animal que tomou conta das praias brasileiras nos últimos anos?

 

Por quê?

 

Talvez não tenha jeito nem volta. O crowd deve aumentar cada vez mais. Horários alternativos, dias de chuva, noites de lua cheia, sei lá, tenho experimentado e avaliado estas opções pouco confortáveis.

 

Na real, o que me irrita muitas vezes é que os publicitários reponsáveis por estas campanhas nunca foram à praia e não sabem como é bom surfar. Apenas estimulam a prática utilizando a imagem do surf.

 

Mas pensando bem, ótimo que eles não saibam como é bom pegar onda, pois se soubessem eram mais cabeças na água.

 

Abraço e boas ondas (para quem conseguir dropar sozinho)

 

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Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

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