Slater IX?

A mente do rei

 

Kelly Slater quer estender seu longo reinado. Foto: Aleko Stergiou.

Aos 36 anos, o melhor surfista da história está acomodado no melhor lugar em que teve a chance de ficar em toda sua carreira competitiva. Dos cinco eventos disputados na primeira divisão do circuito mundial, o rei ganhou quatro e segue firme na busca de estender seu longo mandato.

 

Quando Kelly conquistou seu sexto título mundial, em 1998, quebrando o recorde de Mark Richards de quatro títulos mundiais consecutivos, resolveu aposentar-se por um tempo. Não se soube bem o que iria fazer e aqueles ao seu redor não aproveitaram a situação.

 

Escreveram-se livros, fizeram-se vídeos e demais coisas sobre a lenda viva, o melhor da história e toda aquela peroração. Deviam ter esperado alguns anos mais, a história teria sido mais suculenta. 

 

Depois da sua volta, em 2003, e seu conseqüente sétimo título em 2005 e oitavo em 2006, fizeram-se mais filmes e menos livros, já que a essa altura, o pessoal se deu conta de que o homem poderia dar mais páginas impressas. Fizeram bem em esperar.

 

Tudo pareceu terminar em 2007, quando o mais veloz, Mick ?Eugenio? Fanning, ganhou contundentemente o mundial. Quando esse ano começou, como sempre, o gringo de então 35 anos não dava declarações definitivas sobre seus planos.

 

Mas ganhou a primeira, logo a segunda, depois a quarta e, uns dias atrás, a quinta. Logo depois de ter vencido as duas primeiras, por mais que ele não tenha dito, certamente sua ambição pode mais e disse a si mesmo que iria pelo nono. Agora que ganhou mais dois, já deve estar nervoso.

 

Mas a mensagem que passou há uns dias, no site da ASP, não foi essa. ?Estou bem relaxado. Minha vida passa por um muito bom momento pessoal e profissional. Não há nada que conspire contra mim. Devo continuar com a mesma atitude que tive no início do ano, ou seja, não me preocupar e simplesmente me focar no momento?.

 

O que acontece é que definitivamente a mentalidade de Kelly não é a mesma que começou o ano, quando não tinha vencido nem um campeonato e tinha perdido o título da temporada passada. Agora ele ganhou quatro dos cinco campeonatos disputados.

 

?É bom para mim porque coloca a pressão nos ombros dos outros. Vencer na África do Sul colocou um monte de peso nos demais, mas, de todas as formas, o nono título ainda está bem longe?, comentou Kelly à imprensa da ASP.

 

O raciocínio do oito vezes campeão é fora do normal ? o que acontece, na realidade, é que ele é fora do normal. A esta altura, é ele quem está pressionado e são os outros que não têm nada a perder. Isso lhe aconteceu em 2005 e quase lhe custa o título, que não se definiu em Pipe graças a esse australiano power surfer chamado Nathan Hedge, que tirou Andy da competição no Brasil e entregou de bandeja o título a Slater.

 

?Acredito que se o Kelly ganhar outro evento, a corrida pelo título mundial estará quase acabada. Aquele que quiser brigar pelo título é bom que comece a ganhar eventos?, declarou o atual campeão Mick Fanning. E ele tem razão. Mas, acima disso, os que queiram lutar pelo campeonato têm que considerar que devem aproveitar a pressão que o grande campeão tem nas costas. Ele não admite, mas que está aí ninguém deve duvidar.

 

Não se trata somente dos quatro campeonatos que ganhou. Trata-se de sua vida, sua reputação, da fina linha que divide a impressionante vitória ou a derrota que se esvai no último momento.

 

Sendo realistas, sabemos que Kelly tem tudo para ganhar. Mas, terá que lutar contra seus próprios fantasmas, que são mais difíceis de enfrentar do que Irons, Fanning, Parko ou Reynolds quando estão inspirados.

 

Agora vem o tão polêmico Rip Curl The Search em Bali, com o período de espera tendo início nesta quarta-feira (30/7).

Como sempre, teremos que esperar para ver.

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