A marra de ser bodyboarder

Estar sintonizado com o presente muitas vezes me remete a reflexões sobre fatos ocorridos no passado. Foi por essa razão que, recentemente, ao ler uma das colunas do meu amigo Xandão, resolvi dar uma parada entre um shape e outro e estrear de vez essa coluna. Até que enfim… Ou, na melhor sintonia com o presente, “demorô”… Não é, Xandão?

 

No tal texto, o tema era os aniversariantes do mês, incluindo Xandão. Aproveitando esse gancho, foi no dia 19 de novembro que orei e refleti sobre meu grande amigo e saudoso aniversariante, Kiko Pacheco, primeiro bicampeão carioca profissional da história do nosso esporte.

 

Conheci o Luisinho na primeira viagem que fizemos pela Associação do Rio de Janeiro para Arraial do Cabo, em 1984. O moleque simplesmente era a minha sombra, fã total.

Perguntava como executar aquela incrível manobra, o el rollo, o drop knee: “Caraca, Kung, fala aí… E o drop knee? Ihiii… O bicho!”, dizia o então moleque Kiko.

 

Em seguida nos transformamos em grandes amigos e foi através dele que pude conhecer seu eterno irmão e companheiro, o Xandinho. E foi através dele também que conheci o lado marrento e sincero de interpretar as pessoas e as situações da vida. Luisinho, ou melhor, “Cabrinha”, tinha isso no seu dia-a-dia.

 

O “comando” da época era formado por Cláudio Marques, Guto de Oliveira, Marcos Salgado, Kiko Ebert, Marcos Portinari, Xandinho e eu. Todos rolavam de rir com as inusitadas saídas desse figuraça, Kiko Pacheco. Na sua marrentice, qualquer pequeno vacilo ou erro o tiravam do sério e eram motivos de reclamações “a lá Mutley”. Ou como dizia o próprio Xandinho: Parece uma cabra, sempre berrando…

 

Beh! Beh! Tipo: “Porra, qualé, ta vendo não?”

 

A real é que três anos depois, Luisinho escovaria todo o comando, sagrando-se bicampeão carioca profissional. Quer mais marra que essa? Na época não tinha…
                        
Eu já me transformara em fã, bem como todo o comando. E o Cabrinha tornara-se ainda mais marrento!!

 

Entretanto, engana-se quem confunde marra com orgulho. Marra requer esforço, dedicação e seriedade, com objetivo de superação de si próprio. E, em muitos casos, você acaba sendo premiado por isso. Orgulho também requer essas coisas. Só que com a perigosa sensação de que já era esperado. Algo semelhante a “proudly made in”.

                      

Marra, para mim, tem a ver com realização. Orgulho com consumação. Ambos, marra e orgulho, celebram suas conquistas. O primeiro comemora, o segundo festeja.

                       

O melhor bodyboard do mundo, atualmente, encontra-se em uma encruzilhada. E isso é bom, muito bom, pois estamos revendo as conquistas, os melhores isso e os melhores aquilo.

 

O esporte quer, não só para seus campeões e campeãs, mas para todos os verdadeiros bodyboarders, o reconhecimento da sociedade e da mídia. E quando parar de festejar, o bodyboard brasileiro vai perceber que troféu que não tem base não fica em pé.

 

Irá se reestruturar e voltar a ser marrento!!

                       

E, certamente, nesse dia, o Cabrinha, primeiro comando do bodyboard brasileiro, estará comemorando ao melhor som da atualidade: “Essa marra que tu tem, qual é? Qual é, Cabrinha, qual é?”.
                        
Boas ondas e vejo vocês na água… 

                                                                                

 

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