
Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro, 2001. Depois de pegar algumas pranchas com o shaper carioca Beto Santos, perguntei a ele se conhecia algum pico na Austrália.
Gravei o nome de um pico que ele me falou ser um dos melhores que conhecia na terra dos cangurus: Angouire. Além disso, me lembro do toque para procurar um shaper chamado Greg Webber.
Gold Coast, Burleigh Heads, Austrália, 2003. Com um swell previsto para o final de semana, eu e meus amigos Ricardo “Pensa” e Luis “Coruja” partimos em direção ao sul.
Missão: surfar Angouire point. Há muitas lendas sobre este pico. Uns dizem ser uma raridade, outros que trata-se de umas das ondas mais manobráveis da Austrália e uma das mais constantes também. A verdade era que após diversas idas e vindas até Angouire, nunca havia pego boas ondas. Duas vezes estava flat e na outra estava ressacado e fora de controle.

Logo que cheguei me informei sobre quem era Greg Webber. Na minha primeira viagem a Angouire, o encontrei por lá e passei a encomendar suas pranchas. Até hoje tenho o apoio deste shaper, que também é o responsável pelas pranchas de Taj Burrow e outras feras aqui da Austrália.
O que me incomodava era o fato de já ter ido até o pico algumas vezes e não ter surfado boas ondas. Porém, sabia que devido às previsões do swell que estava a caminho, as chances de ver Angouire point funcionando eram grandes.
Chegando em Angouire não foi difícil descobrir o porquê de tanta fama. Um pico de beleza única e de ondas perfeitas. A pequena cidade de Angouire fica três horas ao sul da Gold Coast e se localiza ao lado de Yamba e Iluka, duas outras cidadezinhas vizinhas no Estado de New South Wales.
Para quem não sabe, hoje em dia Angouire é um pólo de fabricação de pranchas tendo como destaque a oficina de Roden Dalberg, shaper do Occy. Outras atrações do lugar são a pesca outdoor (boat trips) e caminhadas ecológicas.

Mas já que estávamos lá para surfar acima de tudo, partimos para a busca. No caminho de Angouire demos a paradinha clássica em Lennox Heads, pois é impossível ver esta onda quebrando e não cair na água. Depois dirigimos mais duas horas até Angouire. Logo cedo checávamos Angouire point.
Famoso ou não, polêmico ou não, estava funcionando. E bom. Nem grande nem pequeno. Um metro e meio, terral e com cinco pessoas na água. Surf, surf, surf e muitos cutbacks depois, cansamos de paredes manobráveis e resolvemos que queríamos ir atrás de tubos.
Um papinho com os locais e nos informaram que Spookies point era o pico mais tubular da região. Saímos da água e fomos caminhando por cima das pedras até chegarmos a outro pico maravilhoso.
Difícil definir em palavras, talvez a foto ilustre melhor. Existe um lago (blue pool) em frente ao pico. Do lago você vê as direitas tubulares do point-break de Spookies, mesmo nome de um dos beach-breaks locais. Este pico já foi capa de diversas revistas de surf e de turismo aqui na Austrália.
O point fica mais no outside, sobre um raso fundo de pedras. Surfamos até o entardecer, pegando vários tubos e curtindo o visual mágico do lugar. Como o swell estava previsto para subir, resolvemos ficar mais uma noite e fomos dormir cedo, já esperando pelas ondas do dia seguinte.

Infelizmente o swell não chegou com toda a pressão esperada e perdeu força no oceano, fato comum nesta região. Então, rumamos para um parque natural que abriga um dos melhores beach-breaks da área, Back’s Beach. O visual deslumbrante faz com que qualquer onda pareça boa, apesar de pequena.
Nos divertimos por algumas horas surfando as marolas desta praia deserta. Em frente a vala que surfamos um águia gigante alimentava os filhotes. Entre as séries passávamos o tempo olhando este animal de extrema beleza.
Para quem quiser ver algumas boas ondas de Angouire Point em vídeo, assistam o DVD “Shelter”, na parte de Taylor Knox e Brad Gerlach surfando uma direita. Coincidentemente até uma águia aparece nesta sessão.
No final da tarde rumamos de volta para a costa dourada australiana, com uma paradinha clássica em Byron Bay, aquela cidade onde assisti o show do Ben Harper e Jack Jonhson, para nos deslumbrar com o pôr-do-sol e dirigir a noite até em casa, onde abrimos uma cerveja gelada e comemoramos mais um surf trip bem sucedida pelo litoral ozzie. Até a próxima!