Por trás das notas

A hora da verdade no WQS

Estamos quase no meio do ano e o WQS, circuito de acesso à primeira divisão do circuito mundial, começa a mostrar quem está se destacando para uma possível vaga ao WCT de 2004. O veterano Shane Beschen vem em primeiro, seguido de perto pelo catarinense Neco Padaratz.

 

A série de eventos classificados como cinco e seis estrelas que teremos nos próximos dois meses, na África do Sul, Califórnia e na Europa, certamente irá definir os reais pretendentes a integrar a elite do surfe no próximo ano.

 

No último fim de semana foi encerrado mais um evento cinco estrelas, nas ilhas Maldivas, no qual três brasileiros fizeram a final, mas foi o australiano Trent Munro que ficou com a vitória, seguido do Paulo Moura, Raoni Monteiro e Rodrigo Dornelles, segundo, terceiro e quarto colocados, respectivamente.

 

Muitos podem falar sobre competir no Hawaii ou no Tahiti, mas pelas fotos que eu vi, as ondas das Maldivas são tudo o que eu sonhei um dia e desenhei no meu caderno da escola quando garoto.

 

Como sempre, quase não existem surfistas novos no ranking, pois o formato do WQS protege demais os tops. Eles são pré-classificados e, ao se inscreverem num evento cinco ou seis estrelas, já marcam mais pontos do que em uma vitória em um evento três estrelas.

 

Está muito difícil furar o bloqueio, os surfistas precisam de dois ou três anos de investimento para irem avançando aos poucos. Hoje é muito mais fácil para um ex-top voltar à elite do que para um garoto como Raoni, que vem lá de trás, conseguir a classificação.  

 

Estar no auge da preparação neste meio de ano pode ser a chave para conseguir os pontos necessários para a classificação. Como a concentração de eventos rola no verão do Hemisfério Norte, o planejamento dos surfistas deve estar focado para esta época, tanto no lado físico como no técnico e financeiro.

 

Será muito importante para Raoni Monteiro, que tem potencial técnico para disputar o WCT e fez sua primeira final no WQS, se concentrar naquilo que é mais importante para sua carreira, a classificação para a elite do surfe, e deixar os outros circuitos para depois. Ele tem muito tempo para isso, e o circo mundial não espera – nós só temos vinte anos uma vez na vida.

 

Dos outros brasileiros, Marcelo Trekinho parece determinado, além de fazer o tipo de surfe que os juízes da ASP querem ver. Bruno Santos, embalado por seu resultado em Noronha, vem mostrando que também pode crescer no ranking. O resto de nossa molecada ainda não acordou para o WQS, e os brasileiros restantes são ex-tops do WCT.

 

A ASP deveria rever o formato do WQS para que a transição seja mais fácil, e a molecada de uma maneira geral possa ter mais chances de sucesso. Não só para os brasileiros, pois muitos norte-americanos e australianos nem chegam a tentar o Tour, por ser muito fechado, caro e disputado em ondas de baixa qualidade, se comparado ao WCT.

 

E olhe que nem estamos falando dos europeus, da América espanhola e outros novos centros do surfe mundial. O Circuito Mundial Profissional está limitado a quatro países: Austrália, Brasil, África do Sul e Estados Unidos. Enquanto isso, o surfe é praticado em mais de 50 países.

 

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