A história por trás das lentes

Assim como pintores e escultores elegem as musas favoritas que inspiram seus trabalhos, fotógrafos de surfe também elegem ondas que se tornam as musas de seu trabalho.

 

Essa curiosa relação, de descoberta de um novo pico pelo olhar clínico do fotógrafo e seus surpreendentes resultados, faz parte da história do fotógrafo carioca Fábio Minduim no ano de 2003.

 

Morador de Ipanema por muitos anos, Minduim sempre teve no badalado Arpoador um foco especial no seu trabalho como fotógrafo. Depois de se mudar para o bairro vizinho Leblon, há cerca de um ano, ele não contava com a mudança que estava por vir na sua vida.

 

“Quando me mudei para o Leblon, tinha poucas referências sobre  o lugar. Sabia apenas da fama de ondas grandes, conhecia poucas pessoas de lá e raramente havia surfado ali”, conta Fábio.

 

Porém, o ano de 2003 presentearia Minduim com uma das mais consistentes temporadas do Pontão do Leblon, que por diversas vezes no ano superou os 3 metros de onda com consistência havaiana.

 

Esses mesmos swells ainda possibilitaram a formação de excelentes valas no banco de areia, que contribuíram para ótimos dias de onda pequena, uma de suas especialidades como surfista.

 

“Para mim foi uma surpresa descobrir que o pico produzia uma combinação extremamente harmônica entre o costão de pedra e os grandes swells. Somada a esse visual  a dramaticidade desses grandes dias, com tubos e caldos violentos, além de drops épicos, acabei encontrando uma combinação muito interessante e pouco explorada na fotografia do surfe brasileiro”, comenta o fotógrafo profissional.

 

Além dessa identificação plástica com o Pontão do Leblon, Minduim, com suas atitudes discretas e amigáveis, acabou tendo grande receptividade da comunidade local, caracterizada por ser pouco afeita a badalações ou localismos, ter uma notória atitude go for it nos dias grandes e possuir talentos locais como Marcelo Trekinho e o big rider Marcelo Bijú.

 

O resultado  desse encontro foi extremamente proveitoso para Minduim. Suas fotos renderam matéria épica na Fluir (“O dia em que o Leblon parou”, edição de maio de 2003), uma página dupla na edição de julho e o segundo lugar no concurso de maior onda fotografada no Brasil desse ano.

 

Sua integração com a comunidade foi tão afinada que uma nova loja de surfe inaugurada no Leblon foi decorada com fotos suas feitas nos dias épicos de big surfe no pico. O circuito de surfe local patrocinado pela mesma loja utilizou suas fotos nos cartazes de divulgação de três de suas quatro etapas, e Minduim ainda venceu uma das etapas com um surfe rápido e moderno.

 

Seu trabalho fotográfico sobre o Pontão do Leblon no ano que passou provavelmente se estenderá além do simples registro fotográfico de uma sucessão de grandes dias de surfe num pico carioca, e acabará funcionando como registro de uma época e de uma geração que está escrevendo uma página da história do surfe de grandes ondas no Rio de Janeiro.

 

Uma curiosidade é o fato de Minduim ter patrocínio de cinco marcas (Rusty, Reef, Black Flys, Spoleto e Famous Wax), mais do que muitos surfistas profissionais.

 

Se tivesse que colar todas elas na objetiva de sua máquina fotográfica, teria que ter uma 1000 mm, no mínimo.

 

Confira uma galeria de fotos especial sobre o trabalho de Minduim no Pontão do Leblon.

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