A esperança é feminina

Na Austrália, Silvana Lima mostra estar recuperada da cirurgia no joelho esquerdo. Foto: Roberta Borges / Ensaio Surfaces.

As atletas brasileiras Tops do WCT não estão para brincadeiras.

 

Quem viu o resultado do Midore Pro, etapa de nível cinco estrelas do WQS feminino realizada em Newcastle, Austrália, sabe do que estou falando.

 

Numa final totalmente verde-amarela, Silvana Lima e Jacqueline Silva mostraram que as coisas mudaram e vieram este ano para marcar.

 

Semanas atrás, publiquei em minha coluna uma entrevista com a Jacque Silva feita poucos dias antes dela embarcar para Austrália.

 

Com o fôlego renovado, Jacqueline Silva apronta na Austrália. Foto: Roberta Borges / Ensaio Surfaces.

O título era ?Jacque renovada” e ela comentou as dificuldades que passou na última etapa do ano passado para garantir sua vaga na elite.

 

Mas, como tem malas que vêm de trem, ou males que vem para bem, como dizem alguns, estas dificuldades somadas ao ano pesado e difícil que ela teve, transformaram-se em armas positivas para combater o desânimo e recuperar o que havia sido perdido.

 

Às vezes é preciso ir ao fundo do poço para renascer novamente a chama da vida. Parece drástico, mas é assim mesmo que nos reencontramos.

 

Quando tudo parece perdido, buscamos forças internas que nem acreditávamos ter.  É você com você mesmo, ninguém mais pode te ajudar e o que era desespero, desânimo e falta de credibilidade, transforma-se em determinação para a superação.

 

E pelo jeito, esta experiência de superação funcionou e causou transformação numa Jacque que já estava um pouco cansada e desanimada depois de tantos anos no circuito. Essa redescoberta de si mesma é muito boa, pois tira a dúvida do posso, ou não posso, consigo, ou não consigo. 
 
Se havia dúvida, agora não tem mais. ‘Jacque is back!’

 

E a Silvana? Ela não está para brincadeira, não! Conversei um pouco com ela em fevereiro, também antes de embarcar para Austrália e vi amadurecimento em seus desejos e atitudes.

 

Perguntei sobre o joelho operado, afinal é sempre difícil passar por uma cirurgia quando se está no auge da carreira. Mais uma vez, há males que vem pra bem. Tudo na vida tem um porquê, como ela mesma disse.

 

?Agora vai ser diferente, vou surfar com mais cuidado. Antes eu mal entrava na onda e já queria extrapolar, dar rasgadão, batida no ponto críticos, aéreos, sempre arriscando o máximo e exigindo tudo dos joelhos. Buscava o limite o tempo todo, mas sem muita consciência do que isso podia gerar e acabava caindo muito. Em campeonato é preciso administrar esse limite, deixar para arriscar quando for a hora certa. Para isso serviu a cirurgia?, contou a cearense.

 

Isso sem falar na vontade de ganhar que ela deve estar sentindo depois desse tempo todo de espera para voltar às competições. Ferramentas para vencer, a Silvana tem de sobra, basta saber usar.

Sinto que estamos mais próximos do que nunca de ter um campeão mundial, ou melhor, uma campeã. Os homens que me desculpem, mas nessa eles ficaram para trás.

 

Até hoje, o Brasil obteve sua melhor colocação no surf, justamente com a Jacque em 2002, quando ela foi vice-campeã mundial – resultado jamais obtido por um homem no circuito.

 

E elas estão de volta! Não querem saber de brincadeira e sim de competência, determinação e resultados. Vamos ficar de olho nelas galera! Torcer muito e se tudo der certo, comemorar no final do ano.

 

Boa sorte para as meninas do Brasil!

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