A era das máquinas

Com a atual revolução causada pelas máquinas de shape, um simples telefonema do surfista para seu shaper é suficiente para encomendar o modelo desejado.

“Queria o mesmo modelo da última prancha que fiz, com um pouco mais de elevação no rocker do tail. O modelo Fish Matador, 6’1″x18″x21/2”, diz o surfista.

 

“Qual o número de identificação no fundo de sua última prancha?”, pergunta o shaper.

Depois de passar o número de identificação, duas semanas depois você já recebe um telefonema informando que sua prancha está

pronta. Você corre até lá para buscá-la. Pega a prancha e a coloca debaixo do braço. 

 

Examina as bordas, o rocker, outline e você percebe ser exatamente igual a sua última prancha, com um pouco mais de rocker no tail, conforme seu pedido. Foi-se o tempo da incerteza de que sua prancha estaria mesmo próxima do que você pediu.

Com uma combinação de tecnologia moderna e habilidade do shaper, as pranchas agora são mais detalhadas, refinadas e precisas. Em outras palavras, sua prancha é uma máquina finamente apurada, feita sob encomenda para satisfazer suas necessidades.

 

A moderna ferramenta de shape de hoje é conhecida como o DSD: Digital Surfboard Design. O DSD foi introduzido no mundo de surfe em 1994 por Luciano Leão. O brasileiro desenvolveu uma ferramenta de shape para melhor modelar suas pranchas de surf. O que ele não sabia e que poderia mudar a produção de um shape para sempre. Luciano gosta de chamar sua maquina de “Skill 100?, a plaina do século XXI.

A parte inicial do shape começa como um modelo tridimensional em uma tela de computador. O DSD é muito preciso, o shaper pode verificar todo aspecto da prancha, do outline às bordas e rocker. Toda prancha tem um arquivo que é salvo pelo shaper. Isto permitirá ao surfista, juntamente com o shaper, fazer ajustes secundários em shapes futuros. Isto também permite ao shaper e surfista desenvolver uma relação que funciona melhor no trabalho de criação e desenvolvimento.

Seu shape é programado na máquina. A máquina esculpe aproximadamente 80% da prancha, deixando 20% para ser trabalhado com lixa fina pelo shaper e atingir a fase de produto acabado, reduzindo desta forma o tempo de shape, que de quase duas horas passa para aproximadamente 25 minutos. 

 

Aí vem a pergunta. Qual é a diferença entre pranchas produzidas em massa na Ásia e pranchas modeladas por uma máquina DSD aqui? A Ásia faz uma prancha de surfe barata, são pranchas boas para a maioria das pessoas que estão aprendendo a surfar, porém o design da prancha produzida em massa é generalizado, uma prancha padronizada; nada é personalizado, ao inverso das pranchas com medidas pessoais de cada surfista produzidas na máquina DSD.

 

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A máquina DSD é usada pelos melhores shapers no mundo, como Márcio Zouvi, Rusty Preisendorfer, Jeff Bushman, Pat Rawson, Eric Arakawa, Timmy Patterson, Matt Biolos, Ricardo Martins, Neco Carbone e muitos outros.

Os nomes mencionados acima são a prova de que esta máquina não é um esquema falso. Está ajudando top shapers a produzir mais pranchas, mais eficazmente e com precisão e o melhor de tudo, você ainda pode ressuscitar aquela prancha mágica, do jeito que você quiser, mediante a inserção de suas medidas. 

Esse é o futuro do shape da prancha, gerado pelo talento de surfistas que continuam empurrando os limites de design continuamente.

 

Muitos shapers estão encontrando na máquina uma forma de poder desenvolver melhor seus designs e a quantidade de shapes, sem prejuízo da qualidade do trabalho e principalmente da qualidade de vida, com mais tempo para criar e experimentar.

Com as máquinas, o shaper pode iniciar seu trabalho com as linhas de rocker e bordas previamente definidas com suas medidas, liberando-o da fase primária de execução do shape, quando são retirados as imperfeições do blank e o volume de núcleo excedente ao modelo da prancha para então definir tais linhas.

Em conversa recente com o shaper Pat Rawson ouvi o testemunho pessoal do mesmo sobre o quanto a máquina facilitou sua vida como shaper ao redor do mundo, permitindo uma agenda mais produtiva nos lugares em que a mesma está instalada. Anúncios prévios de sua chegada com os modelos da coleção atual são disponibilizados para os clientes que de posse das informações, fazem suas encomendas com solicitações de ajuste que são efetuadas nos arquivos do software e identificadas com o nome do cliente que dessa forma registra suas pranchas para eventuais futuras repetições ou ?up-grades?.

 

Da mesma forma como também observei no fórum Swaylock?s, começa a ocorrer por parte de surfistas interessados em criar seu próprio design, a procura do software, para que em parceria com seu shaper, possam desenvolver seus modelos.

Essa parceria indispensável complementa a criação, visto ser a modelagem da prancha uma forma de arte e a arte ser um dom natural dos shapers, que com sua visão e mãos criam e lapidam estes instrumentos que colocados entre o surfista e a vibração oceânica proporcionam aos surfistas a possibilidade e a percepção desse movimento mágico e único nas ondas.

 

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