Editor do site Ricosurf, jornalista Gerson Filho questiona a falta de um veículo especializado na mídia impressa carioca e o fato de os empresários não apoiarem – e até mesmo boicotarem – o surgimento de novas publicações no Estado.

 

Confira abaixo a íntegra do texto publicado no site Ricosurf.

 

O Rio de Janeiro sempre foi conhecido pelo seu pioneirismo no surfe. Gabamo-nos de termos sido berço da primeira revista de surfe brasileira, a Brasil Surf, somos conterrâneos de Rico, Bocão, Victor Ribas, Dadá Figueiredo, Fernanda Guerra – primeira surfista brasileira.

 

E até bem pouco tempo recebíamos com orgulho a única etapa do WCT na América do Sul.

 

Pois bem. Motivos temos de sobra para sermos a principal capital-surf do país -, e até acredito que somos devido à nossa privilegiada história.

 

Temos surfistas, ondas – potencial de sobra para campeonatos -, bons profissionais que trabalham em eventos, entre outros ingredientes que poderiam gerar um bolo com inúmeras fatias. Mas e em termos de mídia impressa, como nos posicionamos no mercado?

 

Bem, não nos posicionamos, pois não temos uma revista, jornal ou coisa que valha fabricada na terra dos bons malandros. Isso mesmo! O berço do surfe nacional, a terra da vanguarda, não tem sequer uma revistinha, nem um zine.

 

Há bem pouco tempo recebi a proposta de uma galera carioca, séria, que realmente estava na pilha de pôr um produto impresso na rua. Pensei: os caras são sérios, o mercado esta carente, pautas não faltam, enfim, sucesso certo. Não era nada comparado às grandes publicações nacionais, mas seria um ótimo começo.

 

Entretanto, o jornal não conseguiu varar a arrebentação corporativa das “empresas” que davam as desculpas mais esfarrapadas para não anunciarem no veículo.

 

Não entendo muito de estratégias de marketing e investimentos, todavia, um conceito decisivo para o crescimento de qualquer mercado é o investimento em publicidade e a fomentação de novas frentes, tendo sempre em vista o crescimento do mercado em que se opera.

 

Portanto, trocando em merrecas, você investe no moleque, no jornalzinho, no campeonatinho, para que esses, um dia, tornem-se formadores de opinião e, consequentemente, girem o din din investido – dando o famoso retorno aos investidores.

 

Simplificando: os futuros consumidores são arrebanhados desse ciclo. Ou seja, é uma engrenagem. Se o mercado não cresce, como a empresa, loja, fábrica de pranchas, vai se consolidar?

 

O encarregado da parte comercial do jornal – o cara que vende os anúncios – ouvia os mais variados “caôs” do tipo: “eu não posso anunciar em um jornal em que o fulano, que tem uma oficina de fundo de quintal, anuncia” ou “o jornal ainda não tem credibilidade para abrigar o nome da minha marca”.

 

Beleza, mas então onde eles irão anunciar? Bom, se no Rio não tem nada à altura de suas incólumes empresas, a opção só pode ser as revistas de outros Estados. Sem preconceito, pois acho que tanto a Fluir como a Hardcore e Alma Surf realizam um bom trabalho, mas, temos que acreditar no esporte aqui no Rio e acredito ser esse um dos maiores problemas do cenário surfístico fluminense atual.

 

Sem investimento, sem resultados. Equação simples, que resulta em total inércia.

 

*A publicação desse texto é uma cortesia do site Ricosurf.

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