
No dia 29 de outubro de 1971 morria Duane Allman, um dos maiores guitarristas do mundo na época, num acidente de motocicleta.
Seu grupo, Allman Brothers, passava pelo melhor momento comercial da carreira, colocando o disco “At the Filmore East” no top 10, finalmente alavancando o que era considerada “a melhor banda de Rock’n Roll da América”.
Duane tinha apenas 24 anos e já tinha tocado com a rainha da Soul Music, Aretha Franklin, e o príncipe, Wilson Pickett, mas foi com o álbum “Layla” do Derek and the Dominos que Duane teve a honra e o privilégio de tocar com o deus da guitarra, Eric Clapton.
Nos anos 60 os ingleses pixavam os muros dos subúrbios londrinos com os dizeres: “Clapton is GOD!”.
Uma revista de Long Island especializada em música (a mais antiga publicação regional dos EUA), a Good Times, publicou uma entrevista com Allman pouco antes de sua trágica morte, onde ele dizia uma frase que cabe nesse conturbado momento que vivemos:
“Você não pode fazer nada pela revolução, ela é apenas a evolução. Eu toco guitarra. E quem toca não se preocupa com mais nada, só tocar e as coisas que envolvem o ato de tocar?”. Alguém se reconhece?

Surfistas não se incomodam com pôrra nenhuma que não seja s-u-r-f-e.
E por que deveriam?
Andy Irons acaba de perder uma bateria que pode ser ou não crucial para sua corrida alucinante ao bi. Seria mais uma bateria de primeira fase, tanto faz perder ou passar, sempre há a repescagem.
Eu escrevi seria? Sim, seria. Entretanto, um conselho de surfistas, eleito por outros surfistas como Andy, representando os interesses de, digamos, Andy, votou que neste campeonato específico não haveria repescagem.
Dado o fato que a mítica onda de Mundaka é temperamental demais para se dar ao luxo de quebrar por dias seguidos, justo na janela de 15 dias do evento – quando muito dois dias de ondas perfeitas e lamba os beiços -, uma troca de maré absurda que pode transformar em questão de minutos um mar clássico num pesadelo competitivo, deixando qualquer um boiando por mais de meia hora.
Entregue os fatos, a turma decidiu que repescagem, não.
A.I. entrou pelo cano, rodando de cara e já saiu esperneando que não foi comunicado da nova regra (como se a ASP devesse satisfação aos 48 competidores de cada passinho de formiga que seus próprios surfistas tomam) e ainda bradou que estaria tudo arranjado para uma vitória do Slater, ou Taj, consertou Irons.
Ora, amiguinhos e amiguinhas, esse é um momento muito interessante do nosso esporte predileto. Na semana passada, Irons levantou o caneco de champanhe na casa (patrocinador) do adversário (Kelly).

Enquanto isso, em Wall Street, uma horda (as hordas!) de operadores da bolsa acompanhava tudo com a cotação das ações da Billabong numa mão e as da Quiksilver na outra. É briga de cachorro grande.
A influência dos engravatados na vida dos que optaram pela bermuda cresce cada vez mais. A Surfer já até brincou uma vez com esse troço de Blue Chip quando fez a tradicional análise dos top 44 simulando compra e venda na bolsa.
Se K.S. ganha o Billabong Pro em Mundaka, a conta estará paga, de um lado e do outro – e aqui é que a porca torce o rabo!
Estamos diante de uma disputa de mercado e, de quebra, um título mundial. Nick Carroll afirma que Slater estava pelo menos 30% na frente dos outros 47 em Jeffreys. A pressão aumenta e será delicioso ver o WCT de Floripa fazer uma re-estréia aos moldes do primeiro Hang Loose, Joaca clássica, atrás da pedra.
Peço para que não façam como aqui em Saquarema, quando por motivos que prefiro omitir, decidiram finalizar o WCT em inéditos e inacreditáveis três dias de competição, quinta, sexta e sábado, quando todos sabiam que estava prevista um bela ondulação para domingo e segunda.