
Imagine receber um bom salário para ficar hospedado numa casa em frente ao mar, com alimentação estabelecida por nutricionistas, equipamento de vídeo e fotografia para registrar e aperfeiçoar a qualidade do seu surf, aulas de inglês, um trabalho específico com preparador físico e um ônibus absolutamente equipado para procurar as melhores ondas possíveis. Impossível?
Essa é a realidade cotidiana dos atletas que foram escolhidos para a Board House, a casa que funciona como centro de treinamento da Billabong, localizada na praia de Camburi, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo.

A “casa do surf” da Billabong foi inaugurada em janeiro de 2005 e conta com nove profissionais: team manager, administradora, preparador físico, professora de inglês, nutricionista, cinegrafista, zelador, cozinheira e motorista.
“Nós temos uma chance incrível nas mãos. Eu sei que muitos atletas gostariam de estar na minha posição e isso só me faz trabalhar ainda mais forte para desenvolver a minha carreira”, diz Fabrício Caraça, atleta amador patrocinado pela Billabong.
Aproximadamente 400 atletas, inclusive estrangeiros, utilizaram os serviços da casa desde o inicio das suas atividades.
“A casa não visa aprimorar exclusivamente os atletas da Billabong. O nosso intuito é auxiliar o surf brasileiro em geral e demonstrar que idéias pioneiras assim podem fazer toda a diferença na formação desses garotos”, explica Zé Paulo, team manager da Billabong.
“Aqui na casa nós trabalhamos com atletas e não com surfistas. Eu procuro deixar todo mundo livre pra fazer o que quiser, mas existem regras básicas e elas devem ser seguidas por todos”, ressalta Zé Paulo.
O ambiente do local demonstra que todos os atletas presentes entendem e espontaneamente escolhem seguir a rotina da casa. “Eu assumo que perder uma bateria pode dar vontade de sair pra balada e esquecer um pouco da carreira, mas a minha família e o time da Billabong sempre acabam me mostrando que não vale a pena e então eu enxergo o caminho certo novamente”, afirma Fabrício, que possui apenas 16 anos de idade e demonstra, através do seu próprio exemplo, saber que surf é uma perfeita metáfora da vida: tudo conspira a favor de quem sabe o que quer e faz a coisa certa.
“No nosso time só fica quem realmente tem talento e quer seguir a rotina que nós temos aqui”, acrescenta Zé Paulo, que é o responsável por escolher quem são os atletas que integram o time da empresa.
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A rotina
6h45 – Hora de acordar. Escovar os dentes conferindo as condições do mar e “caso esteja realmente grande esticar o tempo gasto no banheiro”, lembra o atleta amador Tomas Hermes.
7h15 – O café da manhã apresenta pão, manteiga, frutas, sucos, panquecas e tudo o que uma excelente refeição matinal requer.
7h45 – Antes de entrar no mar todos os atletas alongam sob o comando do preparador físico Ari Lobo. Uma corrida básica até o canto da praia e alguns exercícios de aquecimento resumem esta atividade.

8h – Hora de trabalhar. Os atletas vão surfar e todas as manobras são registradas pelo cinegrafista e fotógrafo Leandro, que por melhor que faça o seu trabalho sempre é azucrinado pela molecada.
11h – Todos se reúnem e assistem as manobras de cada atleta. As correções ficam por conta do Zé Paulo, que insiste pra molecada “parar de matar barata e utilizar as bordas da prancha”, “voltar com força contra a espuma” etc.
12h – Hora do almoço e a fartura se repete. O cardápio é orientado por um nutricionista e a preparação fica por conta da cozinheira Leidiane.
13h – Os atletas que ainda não terminaram os estudos vão para o colégio. “Quando o mar fica flat até que é fácil, mas quando as ondas estão rolando é um sacrifício ter que estudar”, confessa Peterson Crisanto, um dos atletas mais talentosos da novíssima geração brasileira e morador permanente da Board House.
14h – Para os que já concluíram os estudos, água novamente. “Eu amo tudo nesse centro. A possibilidade de surfar todos os dias, de procurar outros picos, de melhorar, de aprender, tudo”, garante Tomas.
18h – Hora de voltar para casa e o zelador Erivaldo está sempre pronto para a chegada do grupo que utiliza a base móvel da casa. O ônibus possui todos os utensílios domésticos imagináveis e fica sempre à disposição do time da Billabong. O motorista Ademir conduz a galera até as melhores ondas.
18h30 – O preparador físico Ari realiza um trabalho de alongamento individual com os atletas. “A preparação física é o que eu mais gosto na casa. Possuir um profissional do gabarito do Ari para trabalhar exclusivamente com você é privilegio de poucos atletas brasileiros”, conta Fabrício.
19h – O jantar é servido e todos se reúnem mais uma vez para a refeição, que acontece em um clima de total descontração.
20h – Os atletas aprendem inglês com a professora Silvia, que simula situações reais que um atleta profissional enfrenta no exterior e utiliza letras de músicas como metodologia de ensino. A administradora da casa Adriana participa da atividade e incentiva a molecada a soltar o verbo.
21h – O dia termina cedo porque o próximo também começa da mesma maneira e a Board House possui um objetivo muito sério: “Formar um campeão mundial, estamos trabalhando pra isso, mas antes de qualquer outra coisa visamos formar indivíduos saudáveis, dignos e felizes. O resto é conseqüência deste trabalho”, conclui Zé Paulo.
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