#A cada dia que passa vejo o quanto é importante treinar em ondas de qualidade para a evolução e boa performance no surf. Como em todo esporte, a qualidade do campo ou da pista é proporcional ao nível técnico alcançado pelo jogador ou piloto.
Acho que falta para nossos atletas profissionais mais horas de surf em ondas perfeitas e longas, para que o lado técnico esteja em constante atualização e amadurecimento.
Quando jovens australianos e havaianos vencem alguns eventos do WCT como Bell?s ou em J-Bay, fico achando que eles evoluem de promessa à realidade mais rápido que os brasileiros.
Alguns eram inclusive nivelados em técnica, enquanto juniores, com os brasileiros, só que nesta transição para o circuito mundial alguma coisa acontece e faz com que os gringos estejam sempre revelando promessas que vencem etapas do circuito mundial.
Não sei o que acontece, mas a minha impressão é de que os gringos pegam ondas melhores que as nossas e acabam se preparando melhor para a temporada.
No ano passado estava em Jeffrey?s, 15 dias antes do WCT da África, que por sua vez acontece uma semana depois do WQS de Durban, e presenciei um fato curioso.
Dentro da água estava o australiano Jake Paterson que, mesmo tendo que voltar a Durban, investiu e voou para J-Bay atrás de um swell que provavelmente ele tinha visto na Internet.
Nenhum brasileiro fez isso. Preferiram ficar a semana toda em Durban, mesmo tendo que competir só na sexta ou sábado. Quando começou o WCT não havia ondas e eles não puderam treinar. E em Jeffrey?s, assim como em outras ondas boas, quanto mais horas dentro da água melhor.
Resultado: fomos eliminados em massa no round 2, só restando um ou dois para o round 3. E Jake Paterson acabou campeão da etapa. Não acho que ele ganhou por isso, simplesmente estava mais preparado.
Na Fórmula 1 os pilotos se mudam para Europa para ficar mais perto das pistas de treino e das equipes. No Tênis, a maioria vai morar em Miamim nos EUA.
Um surfista que queira ser campeão do mundo tem que fixar residência em alguma praia com ondas de nível internacional, de preferência no Hawaii ou Austrália, para ficar no centro das ações e interagir com os surfistas locais para uma atualização técnica.
Quando falo em ondas boas, penso sempre em ondas longas, que oferecem mais condições para um treinamento voltado à competição. No Brasil, de um modo geral, as ondas são curtas e, limitado ao treinamento nos beach-breaks, o atleta não consegue fazer uma preparação técnica adequada às ondas do circuito mundial.