
A pele serve de tela para retratar afirmações de individualidade, sexualidade, participação em grupo, machismo, frustração, raiva, entre outros sentimentos.
Atualmente, as mulheres estão utilizando muito a tatuagem como uma arte corporal, pois estima-se que 50 mil a 100 mil mulheres são tatuadas anualmente.
Já entre os homens, cerca de 9 e 11% dos adultos possuem uma tatuagem. É comum observar que com o passar do tempo, elas ficam mais escuras, azuladas, indistintas e borradas.
Essas alterações visuais decorrem do aprofundamento das partículas na derme (camada intermediária da pele), bem como de sua eliminação pela ação dos fagócitos móveis(células existentes na pele que absorvem e degradam substâncias reconhecidas como não-essenciais).
Biópsias aleatórias de tatuagens antigas mostram pigmentos mais profundos na derme – ao contrário da localização mais superficial das tatoos mais novas.
Embora os tatuadores utilizem um grande número de pigmentos (ver tabela abaixo), ignora-se a pureza e a origem de muitas tintas.
As tintas usadas por tatuadores amadores consistem em partículas de carbono simples obtidas de madeiras, algodão ou papel queimado e de inúmeras outras, incluindo tinta da Índia, de caneta e até mesmo substâncias vegetais.
Embora raras, as reações mais comuns na tatuagem profissional ocorrem quando o pigmento tem cores vermelhas (mercúrio), amarela (cádmio), verde (crômio) e azul (cobalto). De maneira geral, tais reações manifestam-se como dermatite alérgica ou fotoalérgica localizada, mas também são constatadas reações generalizadas.

É interessante notar que as cores mais envolvidas em alergias (vermelho e amarelo) também são aquelas que desaparecem espontaneamente da tatuagem, mesmo sem qualquer sinal perceptível de reação.
A tatuagem pode apresentar riscos quando realizada por profissionais não licenciados, ou produzidas com pigmentos não aprovados pelo FDA (Food and Drug Administration). Além de higiene, técnicas e equipamentos inconsistentes.
Em adição a reações alérgicas locais, ainda há risco de infecção, hepatite e transmissão de tuberculose cutânea quando não são tomados os mínimos cuidados.
Nos últimos tempos, vem crescendo também a procura nos consultórios médicos no que diz respeito à remoção das tatuagens. Chama a atenção à faixa etária que encontra esta motivação: na grande maioria adultos e não adolescentes. O que nos faz pensar que a busca da identidade entre 14 a 18 anos (média de idade que se solicita tatuagem profissional – dado estatístico) é, com freqüência irrelevante ou embaraçosa aos 40 anos.
O que há em comum em todas as técnicas de remoção de tatuagem é a destruição das camadas mais superficiais da pele, acompanhadas de inflamação. Essas várias modalidades podem ser caracterizadas como mecânicas (dermoabrasão, incisões, escarificações e punções – risco de fibroses e cicatrizes), químicas (uso de substâncias químicas cáusticas, ácidos – risco de cicatrizes) e térmicas (coagulador infravermelho, nitrogênio líquido e lasers, mais usado atualmente devido cicatrizes menos extensas ou apenas hipocromia e maior aceitabilidade – laser de argônio, CO2, rubi, Nd: YAG e alexandrita.).
Depois de fazer uma tatuagem, deve-se ficar atenta aos seguintes cuidados diários:
– Lavar o local com sabonete neutro.
– Uso de pomada cicatrizante composta pela vitamina B5 (D-pantenol) que tem efeito regenerador para a pele.
– Não esfregar o local nem tirar a casquinha.
– Não tomar banho de mar, piscina, sauna ou sol. Não tomar banhos muito demorados e com água quente nos primeiros 15 a 20 dias.
– Depois do banho, muito cuidado na hora de secar a região da tatuagem, não esfregue o local, apenas encoste a toalha para absorver o excesso de água.
– Não usar roupas muito apertadas logo após ter feito a tatuagem, porque fibras da roupa podem grudar no local da casquinha que se formou.
– Mesmo quando já estiver cicatrizada, use o protetor solar, o pior inimigo da tatuagem é o sol. Tome, também, muito cuidado com cortes e arranhões muito profundos no local da tatuagem.
Um pouco de história – A tatuagem é uma arte antiga, cujas origens foram investigadas até a idade da Pedra (12.000 a.C.). Acredita-se que o homem primitivo cortava sua pele durante cerimônias de luto e passava cinzas nos cortes como sinal de pesar.
A tatuagem decorativa era feita na Idade do Bronze (8.000 a.C.) segundo evidências circunstanciais de agulhas grosseiras e cuias para pigmentos encontradas em cavernas. A população pré-histórica desta época pintava peles de animais com ocre e pigmentos vegetais e a vestia para se aquecer.
Essa prática evoluiu até a tatuagem decorativa da própria pele. O fato de terem surgido espontanêamente em diferentes partes do mundo, isoladas entre si pela geografia e pela falta de comunicação, indica que a tatuagem representa uma resposta a uma necessidade inerente ao homem.
Pigmentos usados por tatuadores:
Negro – carbono, óxido de ferro e madeira;
Azul – aluminato cobáltico;
Verde – óxido de cromo, verde-malaquita, cromato de chumbo, cianeto de ferro férrico, verde-curcumim, corantes com ftalociamina (sais de cobre com corantes de alcatrão amarelo);
Vermelho – sulfeto de mercúrio, seleneto de cádmio, siena (hidrato férrico-ocre e sulfato férrico);
Amarelo – sulfeto de cádmio, ocre, amarelo curcumim;
Castanho – ocre;
Violeta – violeta de manganês;
Branco – dióxido de titânio, óxido de zinco;
Cor de carne – óxido de ferro (uma variante do ocre).