Em contato direto com a arte desde criança, o catarinense Martin Carlos Sánchez renasceu da inspiração.
Já adulto, o filho de Graciela Grassi, conceituada artista plástica argentina, encontrou no reaproveitamento de madeiras e objetos vindos do mar a matéria-prima necessária para criar suas obras.
Seus principais trabalhos representam o mundo aquático, as ondas e os traços primários. Peixes, máscaras tribais e lagostas são algumas das peças que surgem a partir de madeiras de barco, sucata metálica e objetos que as marés deixam nas costas das praias de Itajuba, Barra Velha (SC), onde mora e surfa.
Preocupado com a preservação ambiental e a natureza, Martin sempre passa informações ambientais aos alunos da escolinha de surf local onde trabalhava. Hoje, além de surfar na praia do Sol, Syphodys e laje do Jacques, também encontra objetos úteis para os trabalhos nas areias dos picos.
“Como minha mãe falava, nada se destrói, tudo se transforma. Nunca tinha me focado totalmente para a arte, trabalhava em vários lugares e no final acabava sempre voltando ao ateliê. Desta vez, a criação surgiu sozinha, sem pressões, de forma muito natural e assim deu certo. Agora estou vendendo quadros em Penha, Barra Velha e Itajaí”, diz Martin, que possui um ateliê e comércio de bebidas.
No estabelecimento, batizado de Bom Gole, várias obras enfeitam a entrada e muitos curiosos param para perguntar ou fazer encomendas.
As artes plásticas também são um legado de família. Martin é irmão do cartunista das surf tiras do portal Waves, Nicanor, que todos os dias tem seus desenhor exibidos na parte inferior da página.
Hoje o artista e surfista, nascido em General Roca, Patagônia Argentina, está produzindo várias obras para participar de uma exposição na casa das Recordações, que acontece de 5 a 8 de setembro.
Na primeira exposição, o fato de levar as peças ao público ainda dá um frio na barriga. “Estou um pouco nervoso. Muitas pessoas, compradores e amigos gostam dos quadros, porém expor as obras para uma grande quantidade de pessoas sempre é um desafio. Nesta exposição vou fazer uma homenagem à minha mãe com a apresentação em imagens de trabalhos dela. Toda esta repercussão é graças a Graciela Grassi, ela que me inspirou”, comenta.
Martin começou em 2000 a trabalhar com artes plásticas, quando ainda morava próximo das margens do rio Itajuba. Com sua mãe, aprendeu o tratamento da madeira, uso de pátinas e os segredos da profissão.
“Muitos dos meus trabalhos surgem naturalmente. Faço trabalhos a pedido e tenho várias encomendas, mas minha linha de trabalho está focada em animais e figuras”, explica o artista.
Com temática relacionada à açorianidade, Graciela Grassi foi convidada a participar da Festa do Açor em Florianópolis. Radicada durante mais de 20 anos em Barra Velha, ela faleceu na Argentina em 2011. Hoje seu legado sobrevive através da arte do filho Martin.





