A apnéia é uma prática não muito divulgada no meio do surf, mas essa modalidade esportiva é com certeza de muita utilidade para qualquer surfista que queira expandir os limites físicos.

As técnicas utilizadas por esses mergulhadores profissionais para baterem recordes de permanência em baixo da água, podem ser utilizadas com grande eficiência por nossa tribo.

Em busca dessas qualidades, eu, Romeo Bruno, Formiga (o idealizador da barca), Gui Von Schmit, Alex e Catarina tivemos um curso de apnéia com o paulista Christian Dequeker, que fez parte da equipe brasileira em 2001 que teve o melhor resultado em mundiais, a quinta colocação.

O local de treino de Christian é Ubatuba, em São Paulo, e no sábado retrasado nos juntamos à sua equipe. E eles tiveram a maior paciência e prazer de nos passar os melhores truques possíveis na hora de encarar uma ”bomba de água”.

As principais modalidades praticadas nesse curso são a estática e dinâmica. Na apnéia estática, o mergulhador fica parado, apoiado, buscando ficar o maior tempo embaixo dágua.

 

Já a dinâmica, você nada debaixo dágua para o fundo, ou de um lado para o outro, ou até os dois, dependendo do treino praticado. Neste caso, você pode usar, ou não, cintos com peso (lastro).

 

Nosso treino começou fora dágua e Dequeker explicou todos os detalhes técnicos em uma lousa. Depois, fizemos um treino prático fora de nosso habitat (fora d’água), parados deitados no chão, e, na sequência, seguramos a respiração o maior tempo possível, utilizando as técnicas explicadas anteriormente pelo instrutor.

 

As técnicas de respiração são o ponto alto do curso e são explicadas de preferência antes de entrar na água.

Segundo ele, esse treino é mais difícil do que o segundo dentro dágua, da mesma forma parada (estático), pois a água relaxa e você fica mais calmo.

 

Na terceira e última parte do exercício, pegamos uma lancha e nos deslocamos para cerca de uma hora da costa, em uma ilhota perto da Ilha Anchieta, litoral de São Sebastião.

 

No local, foi colocada uma corda com um peso na extremidade, que variou de 12 a 25 metros de profundidade. Nela, praticamos a apnéia com e sem pés-de-pato, desenvolvendo a atividade com segurança e o auxilio da equipe – pois a modalidade é perigosa e não deve ser praticada por uma pessoa sozinha em nenhuma hipótese.

 

Um detalhe importante é o uso de roupas de borracha. Afinal, o corpo perde temperatura rapidamente devido às tentativas de atingir maior profundidade. Além disso, os locais  apropriados para a modalidade costumam ser bem longe da costa, onde também normalmente é mais frio.

O que mais me impressionou nas técnicas ensinadas, foi a afirmação de que na hora de um caldo forte, não devemos expirar e inspirar rapidamente, pois essa prática chamada hiperventilação acelera o coração, consumindo mais ar.

 

No caso de um caldo só, é recomendado uma grande absorção de ar, de uma vez só. Apenas no caso de você for tomar mais de uma onda na cabeça, é recomendado a hiperventilação no intervalo entre as ondas.

No mais, galera, se quiserem aprender mais sobre apnéia, e eu particularmente recomendo, entre em contato com o Christian, que surfa e realiza cursos como esse direcionados à surfistada.

 

O Power Surf Camp – www.powersurfcamp.com.br – de Ibiraquera (SC), promove um curso com ele em fevereiro de 2004.

Para saber mais sobre apnéia, entre em contato com Christian Dequeker, da Apnéia Sports, pelo endereço [email protected] .

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