A ameaça da ocupação desenfreada

#O litoral brasileiro está ameaçado por um dos mais terríveis vilões: a ocupação desenfreada. De norte a sul, é possível observar a rápida transformação que vem acontecendo nas nossas praias: dunas cedendo lugar a casas e prédios do tipo ?pé-na-areia?, matas perdendo espaço para favelas, visuais selvagens se transformando em área urbana…

Com a crescente facilitação do acesso à maioria das praias e o fluxo de informações (revistas de viagem e turismo, internet, boca a boca etc) cada vez mais rápido, picos desertos e paradisíacos estão se tornando cada vez mais raros.

A conseqüência mais imediata e nefasta da construção de estradas em praias virgens é a abertura para a especulação imobiliária. Quem comanda esta invasão é o setor imobiliário, formado por construtoras, incorporadoras, loteadores, grileiros etc. É provavelmente o lobby com maior poder econômico, político e destrutivo existente na zona costeira.

O grande problema da especulação ocorre porque os municípios não possuem planos diretores e/ou leis de zoneamento voltadas a disciplinar o uso e ocupação do solo. É a lei do ?pode-tudo?. Quem tem mais ($) pode mais…

Este quadro se agrava, pois o lobby imobiliário geralmente age em conluio com políticos e empresários, todos com a única intenção de lucrar muito sem ligar para o que vai acontecer com o lugar. A única maneira de deter esta destruição é pela união dos setores organizados da sociedade, exigindo a criação e o cumprimento de leis que restrinjam a ocupação de modo a não destruir os recursos naturais e de acordo com o desenvolvimento sustentado.

A denúncia dos crimes ambientais deve ser estimulada, e mecanismos de fiscalização eficientes devem ser criados, senão a coisa acaba não saindo do plano das idéias. E os municípios litorâneos devem compreender que políticas voltadas ao estímulo do turismo desenfreado e ao inchaço das cidades são bastante arriscadas, e geralmente causam a favelização, o aumento da violência, a mudança no perfil do turista (daquele que gasta para aquele que não gasta), a desvalorização dos imóveis, a poluição, a sujeira, a degradação visual e o desaparecimento da cultura local, só para citar alguns efeitos.

Você quer isso pra sua praia? Então se informe e participe das ações visando estabelecer formas de desenvolvimento não destrutivas em sua praia!

No próximo artigo: bons e maus exemplos…

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