22 é a força da Rocinha

O Brasil está repleto de histórias de pessoas que em meio às adversidades e provações, lutam por uma vida digna e honesta.

 

São pessoas com sonho de oferecer o melhor para sua família com um trabalho respeitado.

 

Essa é a história de Haroldo Rocha Lauro Vieira, 30, morador da maior favela da América Latina, a Rocinha, Rio de Janeiro, e mais popularmente conhecido como “22” (leia-se “dois dois”). Depois de morar em diversas favelas do Rio, há 10 anos Vieira mudou-se para a Rocinha, tornando-se o único shaper da comunidade.

 

Mas, o que torna essa característica ainda mais intereressante é que suas pranchas são testadas e aprovadas por surfistas do morro e do asfalto, em uma das ondas mais poderosas e tubulares do Brasil.

 

O canto esquerdo de São Conrado, praia próxima à Rocinha, propícia uma das ondas mais ocas do litoral brasileiro. E é nessa onda que as pranchas são colocadas à prova. O contato com o surf comecou quando morou no morro do Cantagalo, por intermédio do shaper Josafa Fernandes. O aprendizado foi interrompido quando prestou seviço militar na Marinha, onde sentiu na pele a força do preconceito.

 

“Sofria muito porque era visto como um marginal”, lembra.

 

Ao deixar o serviço militar, Vieira foi vítima de insistente assédio do tráfico para que se incorporasse às suas fileiras.

 

Para quem não sabe, é muito comum que o tráfico alicie jovens recém-saídos do serviço militar para trabalharem e utilizarem no crime o aprendizado obtiveram, como manejo de fuzis, táticas de guerrilha e sobrevivência etc.

 

Vieira chegou a provar da tentação de ocupar um bem remunerado cargo de segurança no tráfico, mas logo abriu mão. “Quero ter liberdade”, afirma.

 

Perfil para função não falta: seu apelido “22” provém de sua atitude “go for it”. “As pessoas sabem que sou um cara que se digo que vou fazer, faço mesmo. Não tem tempo ruim comigo”, esclarece.

 

Decidido a ter uma vida honesta, Vieira concentrou suas energias para o trabalho em oficinas de prancha, onde aprendeu diversas tarefas e aprimorou a arte de shapear.

 

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Dentre as influências, ele faz questão de mencionar o Surfavela, Dadá Figueiredo e, mais recentemente o Base, que tem oferecido importante apoio.

 

A influência familiar também foi importante para manter a escolha profissional, pois tem um primo que pega onda e que dá aula de surf no Recreio.

 

Munido de força de vontade, porém desprovido de recursos, Vieira passou a atender a clientela do “asfalto” e do “morro”, fazendo consertos de prancha e, eventualmente, shapeando.

 

“Cheguei a shapear ao ar livre”, recorda, que recorria ao apoio e estrutura do Base.

 

A sorte começou a mudar quando um surfista do asfalto, que ele prefere manter anônimo, decidiu adotá-lo como uma espécie de mecenas.

 

O surfista alugou um barraco de 9 m2, transformando-o em shape-room e oficina. Atenção: um barraco de 9 m2 de custo mensal de R$ 100.

 

Essa estrutura precária para qualquer shaper faz toda diferença na vida de Vieira, que passou a ter condições mínimas de trabalho. 

 

No local, ele se desdobra para shapear, laminar e lixar as pranchas – tudo em um mesmo cavalete.

 

“Meu sonho é ter uma oficina de verdade”, confessa. Apesar do ambiente de dificuldades, é desse cubículo que saem os foguetes.

 

Num momento em que a sociedade brasileira depara-se com uma das maiores crises políticas, em que malas recheadas de milhões circulam de um lado para o outro, em meio à miséria e desiguladade social, a história de “22” lembra a força e poder de renovação do sofrido brasileiro. O que nos obriga citar Guimarães Rosa: “Um brasileiro é acima de tudo, um forte”.

 

Interessados em colaborar com o trabalho de Vieira podem fazer um depósito na conta de sua esposa: Bradesco agência 0472, conta 1004248-8, em nome de Adriana Bispo dos Santos. Para entrar em contato com o shaper, ligue para (0xx21) 8746-7348.

 

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