
Aos 20 anos, o soteropolitano Patrick Coelho conquistou o título mais importante da carreira. Depois de sagrar-se campeão em todas as categorias amadoras do Circuito Baiano, Coelho garantiu seu primeiro título profissional.
Para chegar ao topo do circuito baiano profissional, “Tick Mola”, como também é conhecido, não precisou vencer nenhuma etapa. Na primeira, o Telebahia Celular Surf Pro, realizado na praia de Aleluia, ele ficou em quarto lugar, perdendo para os ilheenses Flávio Costa (1o.), Jerônimo Bonfim (2o.) e Charles Costa (3o.).
Em seguida, no Villas Surf Pro, que rolou na praia do Surf, em Villas do Atlântico, município de Lauro de Freitas, Patrick foi barrado na semi-final, terminando o evento em sétimo lugar.

O campeão desta etapa foi Bruce Kamonk, de Salvador, com os irmãos Léo e Michel Herêda ocupando as segunda e terceira colocações, respectivamente, e Charles Costa ficando com o quarto lugar.
A terceira etapa do baiano foi o Oi Radical Wave Surf Pro, na praia de Aleluia, distribuindo R$ 5 mil em prêmios. “Tick” só não venceu a competição por causa da surpreendente atuação do pequeno James Christian, 16 anos, de Itacaré, que levou o caneco do evento e embolsou R$ 1,8 mil pela vitória. Na final, Christian deixou para trás Patrick (2o.), o ilheense Sandro Grossinho (3o.) e o soteropolitano Bruno Pitanga (4o.).

O Surfing Series Final Heat fechou o circuito baiano com chave ouro. Com uma estrutura brilhante, a quarta etapa foi vencida por Christiano Spirro, de Salvador, seguido dos ilheenses Dennis Tihara (2o.), de 17 anos, e Marcelo Alves (3o.), com Bruno Pitanga terminando em quarto lugar. Mesmo perdendo na semifinal, Patrick Coelho assegurou o título do Circuito ao terminar o evento em quinto lugar.
Enquanto curte as merecidas férias em Ilhéus, terra do seu técnico Gabriel Macedo, “Tick Mola” arruma as malas para a sua primeira temporada havaiana.
Confira entrevista exclusiva que o novo campeão baiano concedeu ao Waves.

Nome: Patrick Coelho Guimarães
Data de nascimento: 13/06/1982
Quiver: 5’9; 5’11; 6’1 ; 6’4; 6’7 e 7’2.
Patrocínios: Wet Works e Joca Secco
Manobra preferida: Tubo e todo tipo de aéreo
Picos prediletos: Barravento, Farol da Barra e Havaizinho
Principais títulos: campeão baiano Iniciante invicto (95); campeão baiano Mirim (98); bicampeão baiano Júnior (99 e 2000); vice-campeão baiano profissional (2001); campeão baiano profissional (2002)
Quando você começou a pegar a onda?
Em 93, quando tinha 11 anos, minha família se mudou para um prédio perto da praia do Barravento, na Barra. Foi amor à primeira vista. Eu ia à praia e ficava observando meus amigos. Aí, pra começar foi um pulo.

E como foi seu início nas competições?
No ano seguinte, em 94. E ainda consegui ser vice-campeão baiano na Iniciante.
Por que o apelido de “Tick Mola”?
Tick por causa do meu nome (Patrick) e Mola porque meus cabelos eram compridos, pareciam uma mola. Aí, a galera não perdoou!
Você costuma mandar manobras bastante inovadoras. Como surgiu esse talento?
Antes de começar a pegar onda, eu já andava de skate. Já tinha uma certa facilidade em manobrar no asfalto, aí, na água foi bem mais fácil.

Os juízes devem valorizar mais estas manobras? Como você observa o atual critério de julgamento?
Lógico! O surf vem evoluindo para o lado da radicalidade. E os juízes também estão evoluindo nos seus critérios, pois não podem ficar atrasados.
Mesmo perdendo na semi-final da última etapa, você garantiu o título da Pro/Am no Circuito Baiano. O que passou pela sua cabeça naquele momento?
Aconteceu um lance parecido em 2001. Cheguei até a semi e precisava ir até a final para conquistar o título, mas não deu e fiquei com o vice. Este ano fiz uma campanha regular, chegando até duas finais e duas semi-finais. Na hora que o locutor anunciou que eu havia garantido o título, comecei a jogar a prancha na água, comemorando bastante.
Fiquei amarradão!

Qual o melhor momento em sua carreira?
Este ano foi superimportante pra mim. Além de chegar ao título baiano profissional, consegui uma grana para fazer minha primeira viagem para o Hawaii.
Quando você embarca para o arquipélago havaiano e quais suas expectativas?
Estou indo no final de janeiro. Vou ficar junto com meus conterrâneos Wilson Nora e Danilo Couto. Espero pegar altas ondas e fazer vários tubos irados! Pretendo também competir na etapa do WQS que vai rolar em Pipe.
Quais seus planos para 2003?
Depois que chegar do Hawaii, vou correr as etapas do Super Trials e tentar o bicampeonato baiano profissional. Pretendo também participar das etapas brasileiras do WQS.

Qual a importância de sua mãe, Dona Ana Coelho, em sua carreira. Você fez até uma tatuagem nas costas com o nome dela, não foi?
É verdade. Minha mãe sempre minha grande incentivadora. Sempre me levou para os campeonatos, desde pequeno. Isto foi muito importante, pois poucos pais incentivavam o surfe naquela época.
E o seu técnico Gabriel Macedo, como você avalia o trabalho que vem fazendo com ele desde 1996?
O Gabriel é uma pessoa muito especial. Além de ser um grande amigo, ele entende tudo de surfe. Não é à toa que é tricampeão baiano Master. Ele me ensinou a surfar com muita linha e pressão nas manobras.
Recentemente você deu uma entrevista para a TV afirmando que os surfistas de Ilhéus são melhores do que os de Salvador, sua terra natal. Isto causou a maior polêmica entre os soteropolitanos. Você sofreu alguma repressão por causa disso? Qual a sua opinião sobre este fato?
Houve um grande equívoco em minha entrevista. O repórter me perguntou quem eram os melhores competidores da Bahia, então eu respondi que eram os ilheenses, pois eles ganham a maioria das categorias e realmente treinam para competir. Na edição da matéria, só colocaram as respostas, tiraram as perguntas. Por isso houve um mal-entendido. Se sofri repressão, foi apenas de algumas pessoas que nem assistiram à entrevista na TV, só ouviram o boato.
Para finalizar, deixe uma mensagem para a galera.
Quero mandar um grande abraço para a galera do Barravento, meus amigos, minha namorada, meus familiares e para a galera do Forum do Waves e desejar um feliz ano novo, de muito surf, felicidades e realizações. E quero agradecer ao Waves pelo incentivo e reconhecimento ao surfe baiano. Feliz 2003!!