Rest in Peace

Jean eterno

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Jean da Silva deixa saudades. Foto: Arquivo pessoal.

Na noite da última sexta-feira (24/11), a comunidade do surfe entrou em choque com a perda de Jean da Silva, um dos surfistas mais talentosos que o Brasil já conheceu.

Aos 32 anos, Jean foi encontrado morto na residência dos seus pais, em Joinville (SC), depois de ter cometido suicídio. O atleta vinha sofrendo de depressão, uma doença grave e silenciosa que afeta 322 milhões de pessoas no mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O número representa 4,4% da população do planeta.

No surfe, a depressão não é novidade. Nomes como os ex-tops da elite mundial Mark Occhilupo, Neco Padaratz e Fabio Silva já admitiram publicamente que enfrentaram a doença. Naquela época, a barreira da língua, o afastamento da família e a rotina estressante do Circuito Mundial (pressão por resultados e cobranças de patrocinadores) eram as principais causas do problema.

De acordo com a OMS – que abordou o tema como “mal do século XXI” -, esse índice tem aumentado consideravelmente. Os números atingem 18% a mais do que há dez anos.

Tratada de forma incompreendida por muitos, inclusive por quem é diagnosticado, a doença pode atingir pessoas de qualquer idade, qualquer lugar e qualquer classe social, famosos e anônimos.

A depressão é a principal causa de mortes por suicídio. São cerca de 800 mil casos por ano. Estima-se que a cada 100 pessoas com depressão, 15 delas decidem colocar fim à própria vida. Ainda de acordo com a OMS, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

Em reportagem publicada pelo site da Veja, amigos de Jean comentaram que o atleta não dava sinais de depressão. “Da última vez que conversamos ele estava normal, feliz, brincando com todo mundo”, contou um dos amigos ao veículo.

Porém, de acordo com a psicóloga Elaine Lopes, a ideia equivocada mais comum em relação à depressão é de que ela causa um sentimento de tristeza. “O deprimido não necessariamente precisa ficar sem sair, sem comer, sem tomar banho. Pelo contrário! Muitas vezes ele sai, se arruma, come – às vezes até demais, para tentar ir contra os sintomas: para tentar se sentir forte! E são essas tentativas que desgastam, deprimem e o fazem sentir incapaz, impotente e só”, escreveu Elaine em seu blog no site A Tribuna.

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Jean na praia de Maresias (SP), onde competiu pela última vez. Foto: © WSL / Smorigo.

Alguns dos sintomas da depressão são desinteresse por atividades, alteração de peso não intencional, distúrbio do sono, agitação ou apatia constante, fadiga diária, inutilidade ou sentimento de culpa, dificuldade de concentração e ideias suicidas.

Caso seja identificado algum sintoma, é necessário buscar ajuda profissional para identificar o grau da doença e definir o tratamento adequado.

Por se tratar de um problema que se agrava aos poucos, é comum que a doença seja diagnosticada em um quadro já avançado, e às vezes, não sendo tratada com a devida importância. O maior problema é que em apenas 30% dos casos os pacientes recebem um tratamento adequado, e o agravamento da doença pode levar a pessoa portadora ao suicídio.

O diagnóstico adequado deve ser feito por um profissional (psicólogo ou psiquiatra) e os sintomas devem persistir para que a doença seja caracterizada. De acordo com a psicóloga Rosângela Garcia, os sintomas da depressão variam de um indivíduo para outro, mas muitos conseguem exibir uma aparente saúde mental – como mecanismo de defesa –, o que não significa que eles sofram menos.

“Talvez ele tenha dias ruins e dias melhores: a depressão traz altos e baixos para a vida do deprimido. Pode não haver um motivo aparente para as suas alterações de humor. Muitas vezes, a sua alegria superficialmente natural pode ser uma forma de disfarçar seus sentimentos e mostrar-se forte perante os outros”, escreveu Rosângela no site do Jornal Notícias do Estado.

Em mensagem enviada a amigos (e publicada com a autorização da família de Jean), Sidnei da Silva, pai do atleta, desabafou sobre a morte do filho e deixou uma mensagem de conscientização: “Não existe uma coisa pior na vida do que perder um filho, do que perder um irmão… A única coisa que posso dizer a todos é que estou muito feliz por ter tido um filho tão maravilhoso como o Jean era. Viveu uma vida plena. Falecido com 32 anos, mas digo a vocês com certeza que ele viveu mais de 80 anos. Quero agradecer às palavras de todos e dizer que vamos continuar lutando. Agora atenção volta-se cada vez mais forte para o nosso outro filho (Maycon), e queria aproveitar e dizer a todos que têm filhos, que continuem amando-os cada vez mais, com mais intensidade, a cada dia olhando com carinho para todas as suas necessidades e o que eles precisam… Fiquem atentos a todos os sinais, porque o meu filho infelizmente foi acometido de uma doença silenciosa, sorrateira, uma coisa que nos cegou e a gente não percebeu. Cuidem dos seus filhos, olhem, prestem atenção aos sinais, porque isso é uma coisa que pode acontecer com todo mundo. Eu jamais pensaria que isso poderia acontecer na nossa família. A gente sempre acha que coisas ruins acontecem só com os outros, e infelizmente entrou na nossa casa”, disse Sidnei.

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Entubar em lugares como a Indonésia era uma das suas maiores paixões. Foto: Luana Panek.

Inteligente, carismático, sereno e dono de um surfe muito fluido, Jean obteve muitos resultados expressivos ao longo da carreira.

Conquistou três títulos nas categorias de base do Circuito Brasileiro – Iniciante (1999), Mirim (2001) e Open (2002); venceu três etapas do QS – Fernando de Noronha (2006), Portugal (2008) e Virginia Beach (2012); foi terceiro no Mundial Pro Junior em 2006 e, no mesmo ano, faturou o título catarinense profissional. No ano de 2010, Jean tornou-se o primeiro surfista de Santa Catarina a erguer a taça de campeão brasileiro profissional. Dois anos depois, foi coroado campeão sul-americano da Association of Surfing Professionals (ASP), hoje conhecida como World Surf League (WSL).

Por anos, foi apontado como sério candidato a uma vaga na elite mundial. Chegou a ficar entre 10 primeiros no ranking no decorrer de algumas temporadas, mas não não conseguiu manter o ritmo até o fim do ano.

Em 2017, sem vaga nas etapas com 10.000 pontos do Qualifying Series por não ter terminado a última temporada entre os 100 melhores da divisão de acesso do Mundial, Jean direcionou seu foco apenas nos eventos com 6.000 pontos, competindo na Austrália, Japão, Espanha e Portugal.

Na Indonésia, onde passava boa parte do tempo curtindo as ondas perfeitas do arquipélago, aproveitou para disputar um QS 1.000 em Krui Beach e acabou conquistando o seu melhor resultado no ano, ficando em terceiro lugar. No fim do ano, Jean ainda competiu nas etapas brasileiras, em Itacaré (BA) e Maresias (SP), mas os resultados não foram suficientes para que ele garantisse uma vaga entre os 100 melhores no ranking do Qualifying Series.

A notícia da morte de Jean deixou a comunidade do surfe atônita, mas quem teve a oportunidade de conhecê-lo, jamais esquecerá da sua humildade, educação, carisma e talento, como o Top australiano Adrian Buchan: “Obrigado por me mostrar os atalhos quando fui ao Brasil pela primeira vez. Obrigado por ser sempre amável e disponível. Obrigado por ser um dos melhores hóspedes que já tivemos em casa. Obrigado por compartilhar seu amor pela vida e surfar comigo. E por sempre ter tempo para meus pais e minha irmã. Sinto muito, eu nunca consegui dizer isso nesta vida… mas te vejo na próxima”.

Campeão mundial em 2015, Adriano de Souza também deixou sua mensagem de despedida: “Jean, não sei o que dizer nesse momento de dor. Tu foi uns dos caras que mais puxou a minha evolução na fase amadora. Um surfista de corpo e alma. Descanse em paz”.

Miguel Pupo é outro que lembra com carinho do catarinense: “Ele tinha um apelido especial para cada um de nós. Nas minhas lembranças, você sempre vai estar sorrindo. Descanse em paz, ‘Jeanbush'”.

Conterrâneo de Jean e recém-classificado à elite mundial, Tomas Hermes descreveu o amigo: “Um influenciador direto da minha geração, um cara em quem nos espelhávamos, sem falar no surf! Para, né? O cara flutuava sobre a prancha! Às vezes não temos ideia do quanto um esporte tem um poder de nos unir como família. A família do surf está com o coração apertado, querendo poder falar com ele”, escreveu Tomas.

Em 2012, durante uma entrevista marcante que fiz com Jean, ele contou que chegou a pensar em abandonar a carreira devido aos desgastes nas viagens para competir. Também revelou que ficou traumatizado ao ser assaltado em sua própria residência, depois de vencer o Hang Loose Pro Contest em Fernando Noronha. “Nasci de novo!”, disse Jean, que levou uma coronhada, uma facada e foi ameaçado de morte com a arma apontada para a sua testa.

Veja abaixo alguns trechos da entrevista publicada em novembro de 2012:

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Em 2010, Jean tornou-se o primeiro catarinense a conquistar o título brasileiro profissional. Foto: Pedro Monteiro.

Como o surfe entrou em sua vida?

Meu pai, Sidnei da Silva, pegava onda quando era mais novo e sempre frequentávamos o Balneário Barra do Sul nas férias. Sempre gostei de ficar na água; nadava três vezes por semana e gostava muito de ficar brincando no mar com meu irmão (Maycon), com uma prancha de bodyboard que ganhamos. Em pouco tempo começamos a ficar de pé, buscando fazer qualquer coisa diferente de estar deitado nela. Foi quando ganhei minha primeira prancha de surfe de verdade, isso porque já havíamos quebrado algumas pranchas de body nessas tentativas! Foi bem no meu aniversario de 7 anos (6/2/92) e dada pelo meu pai. Ele disse que eu poderia tomar como uma atividade saudável para o resto da vida e não ficar na areia da praia fazendo castelinhos de areia ou, pior ainda, depois de velho, estar fazendo castelinho de latinhas de cerveja. Foi uma forma carinhosa de me orientar a praticar um esporte saudável, ocupando a mente com algo que valesse a pena, e até mesmo ter um futuro nisso!

Bom, a prancha era zerada e era uma 5’9 Oceano, laminada pelo então shaper Afonso Egert, hoje empresário de surfwear. Essa prancha já tinha uma história antes mesmo de eu ter estreado: era uma prancha nova a partir de uma prancha velha! (risos), provavelmente uma 6’6 que virou 5’9. Ela não tinha envergadura alguma, era uma tábua de passar. Era difícil não imbicá-la na água!!

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Carregado pelo irmão em 2002, depois de vencer um Pro Junior na Ilha do Mel (PR). Foto: Ricardo Macario.

De qualquer maneira, era verão e eu não saía mais da água. Foi quando começamos a fazer várias amizades no mar. Foi aí que conheci Balú e, aos 13 anos, meu velho amigo me convidou para competir em um evento local em Barra do Sul, só por brincadeira. Competi na categoria Estreante (naquela época não havia categoria Grommet ou Infantil). Daí, competia com vários atletas de diferentes idades e tamanhos. Fiquei em segundo lugar. Foram três etapas; venci as duas últimas etapas e fui campeão da Estreante.

Paralelamente, eu também competia nos eventos de natação e treinava três vezes por semana com meu irmão. Certo dia, meu treinador falou pra mim que eu teria de treinar aos sábados também. Virei para o meu pai e disse que não queria mais nadar (risos). Não iria perder o fim de semana de surfe por causa do treino de natação!

Meus pais me apoiaram desde sempre na minha carreira. Lembro certinho dos mínimos detalhes quando meu pai ia me buscar no colégio em Joinville, com um prato de comida no banco da frente que minha mãe tinha preparado para eu comer rapidinho no caminho até o ponto de ônibus para a Barra. Treinava a tarde toda sozinho e no fim de tarde eu voltava a Joinville para estudar e fazer curso de inglês. Foi uma das épocas mais maneiras. Tinha aquela aventura de pegar o ônibus por duas horas sem saber como o mar estava, chegar à praia e não ter ninguém surfando no mar! Era muito bom!

Você sempre foi visto como um atleta muito exemplar, mas teve uma fase sem resultados há alguns anos. O que aconteceu?

Sempre fui e sempre serei visto como um atleta exemplar enquanto estiver nas competições, porque o esporte faz parte de mim. Passei por uma fase difícil em minha vida. Fui assaltado por conta de um evento que venci. Fiquei traumatizado com isso. Lutei muito para conseguir minhas coisas, sempre fui muito focado e dedicado, e depois disso eu não queria mais vencer eventos, com medo de que isso viesse a acontecer novamente. Veio o Jean que as pessoas nunca viam sair à noite e se espantavam com minha presença em baladas, mas eu não via nada de mais naquilo porque eu sabia o que estava fazendo! Uma pena que muitas pessoas olharam isso de uma maneira errada, acabaram apontando dedos e julgando como elas bem entendiam. O bacana foi que isso não durou muito. Botei a cabeça no lugar e segui no meu foco.

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Jean da Silva passando por dentro da Cacimba do Padre, onde já disputou duas finais do QS, vencendo uma delas (2006). Foto: Daniel Smorigo / WSL South America.

Como foi esse assalto?

Isso aconteceu em 2006, depois que venci o Hang Loose Pro Contest em Fernando de Noronha. Publicaram muitas reportagens em revistas, websites e jornais sobre meu feito. Só que, em uma dessas publicações em jornais, saiu uma nota dizendo que ganhei a premiação equivalente a 200 mil reais, valor total distribuído entre os 96 atletas naquela época. Depois de um ou dois meses, em uma noite tranquila, duas pessoas entraram em minha casa armadas, perguntando sobre o dinheiro. No momento eu não entendi nada porque não podia acreditar que aquilo era um assalto! Levei uma coronhada na cara, fiquei amarrado por muito tempo e sempre sendo intimado pela premiação. Depois de um tempo falando que o único dinheiro que eu tinha comigo estava em minha carteira, eles falaram que iriam cortar meus dedos, e eu dizendo que eles iriam me matar e não achariam nada porque realmente não tinha nada comigo. Quando eles viram que não iriam chegar a lugar algum, um dos assaltantes falou para me apagar! Colocou a arma na minha testa e falou “apaga”. Fechei meus olhos e achei que era o fim. Nada aconteceu! Mais uma vez eles confirmaram que não chegariam a lugar algum com aquilo. Enquanto um ladrão apontava a arma para mim, o outro pegava tudo o que eu tinha no meu armário, como roupas e relógios do meu patrocinador. Mais uma vez ele veio para cima de mim e disse “apaga ele!”. Aí, eu já não tinha mais esperanças; olhei para a arma apontada na minha cara e estava pronto para morrer, já que não tinha o que fazer a não ser esperar para ver como era o outro lado dessa vida. No fim, saíram com algumas roupas e um computador que eu tinha, e me deram uma facada nas costas, muito perto do pulmão. Por sorte eu não morri, pelo corte não ter sido tão profundo. Foi uma das experiências mais pesadas da minha vida. Passei quase um ano tentando absorver isso e acabei não conseguindo competir direito. Mas, graças a Deus, isso passou e tudo ficou para trás! Deparar-se com a morte em uma situação dessas foi algo que me renovou. Nasci de novo!

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Jean na Praia Brava (SC). Foto: Reprodução.

Chegou a pensar em abandonar o surfe alguma vez na carreira?

Já pensei em abandonar as competições em um ano. Estava competindo muito e surfando pouco. O surfar pouco quer dizer viajar pouco para lugares com ondas boas e viver o real espírito do surfe. Cheguei ao ponto de me sentir sufocado de tantos campeonatos e viagens desgastantes, dormindo mal, passando por inúmeras roubadas, surfando com pranchas emprestadas porque entre as conexões elas se perdiam no caminho. Enfim, muita coisa que não estava curtindo. Quando fiz uma viagem para a Indonésia com meus amigos Marco Giorgi, Loic Wirth, Icaro Ronchi e Cicero Ronchi, minha visão mudou em relação a tudo. Meu surfe evoluiu e acabei competindo muito mais feliz. Uma das coisas que também me incomodava acho que era a questão da cobrança. Eu me cobrava muito em todas as etapas, sempre queria vencer e não admitia a derrota. O engraçado era que as pessoas mais próximas me diziam “Poxa, olha para o Jean, ele perde e não sai da bateria socando a prancha ou indignado!”. Mas, a verdade era que eu ficava muito bravo, só que eu refletia sobre meus erros em particular e não aparentava isso para o povo. Até em eventos que vencia, eu mal comemorava porque achava que o trabalho foi concluído da maneira que eu tinha almejado, e algumas pessoas achavam que eu não parecia estar contente (risos) e me falavam para comemorar porque gostavam de ver a cara de “vencedor feliz” (risos).

Você se arrepende de alguma coisa que fez?

Não me arrependo de nada porque sempre tive uma vida normal! Eu me arrependo de não ter viajado mais para pegar ondas perfeitas (risos).

Clique aqui para ver a entrevista completa.

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    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).

    A Praia de Paúba, na Costa Sul de São Sebastião (SP), recebe neste sábado (3) a nona edição do Paúba Super Tubos. A competição reúne 56 surfistas convidados em um dos picos mais técnicos do Litoral Norte paulista, com transmissão ao vivo durante todo o dia. Conhecida pelas ondas fortes, rápidas e tubulares que quebram próximas à faixa de areia, Paúba deve oferecer condições de alto nível para os competidores. A previsão divulgada pela organização indica ondas com mais de 1 metro de altura. A disputa acontece em categoria única e exclusivamente para convidados, selecionados pelo nível técnico necessário para enfrentar as características da onda. O formato conta com seis fases e começou com 40 atletas no Round 1. Os 16 classificados avançam e encontram outros competidores já posicionados na chave. As semifinais e a grande final estão previstas para o período da tarde, com os horários sujeitos a alterações de acordo com as condições do mar. A lista de participantes ainda pode receber nomes que disputam o Challenger Series da WSL em Maresias. Segundo a organização, atletas eliminados antes das finais da competição internacional poderão participar do Paúba Super Tubos. Além das disputas dentro d’água, o evento movimenta a Praia de Paúba e a Costa Sul de São Sebastião, com a presença de atletas, equipes e público. A competição conta com apoio da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Secretaria de Esportes.

    Nona edição do Paúba Super Tubos reúne 56 surfistas neste sábado (3), nas ondas tubulares da Costa Sul de São Sebastião; acompanhe a transmissão ao vivo.