Surf Brasil Pro

Estrelas fazem estreia

Principais nomes do Surf Brasil Pro 2026 entram em ação em Porto de Galinhas, em terça de mar difícil, com 10 das top-11 do feminino na repescagem e só 4 dos 11 top-22 do masculino avançando com vitória.
Surf Brasil Pro 2026, Praia do Borete, Porto de Galinhas, Ipojuca (PE)

As principais estrelas do Surf Brasil Pro 2026 começaram a se apresentar na terça-feira de mar difícil na Praia do Borete, em Porto de Galinhas, no município do Ipojuca, litoral sul de Pernambuco. Mas, os cabeças de chave que entram no evento principal, sofreram com quem já vinha embalado desde a primeira fase. Das top-11 do ranking feminino, 10 foram mandadas para a repescagem. E entre os 11 dos top-22 do masculino que competiram na terça-feira, só 4 estrearam com vitórias. Outros 11 estão na segunda metade da quarta fase, que vai abrir a quarta-feira ao vivo pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e pelos canais de TV Woohoo e XSports.

A paulista Juliana Meneguel foi a única cabeça de chave que conseguiu vencer e passar direto para as oitavas de final do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas. As outras 10 perderam e terão que passar pela repescagem, última rodada de confrontos formados por quatro competidoras. Inclusive as finalistas da primeira etapa de 2026 no Ceará, a líder do ranking Juliana dos Santos e a vice Analu Silva. A primeira vítima foi a número 3 do ranking, Larissa dos Santos, mas a cearense quase consegue a vitória no final da bateria, que acabou empatada em 9.40 pontos. A jovem paulista Carol Bastides, de 14 anos apenas, terminou em primeiro lugar por ter a maior nota, 5.07 contra 5.00 da campeã brasileira de 2018.

“Foi muito nervosismo ali, porque o mar tá muito difícil de escolher a onda boa”, disse a bicampeã brasileira Sub-16 de 2024 e 2025, Carol Bastides. “Não tem um pico certo, definido, então fiquei muito tempo sem pegar nada, uns 10 minutos boiando até conseguir achar uma e fazer um 5.00. Essa nota já me deu uma relaxada, mas eu sabia que precisava surfar mais ondas, mas tava muito difícil. Meu pai pediu pra eu ir pra marcação e quase deu errado. Eu sei do meu potencial e acho que tenho bastante confiança no meu surf, então estou feliz que no final deu tudo certo e por já ter passado para as oitavas de final”.

Outra surfista da nova geração e integrante da Seleção Brasileira Junior do Surf Brasil, Luara Mandelli, foi a segunda a conquistar classificação direta para as oitavas de final. A paranaense mandou duas tops do ranking para a repescagem, Kiany Hyakutake e Potira Castaman. A paulista Sophia Gonçalves, que também vem competindo desde a primeira fase, fez o mesmo com Tainá Hinckel e Ariane Gomes. Na quarta bateria, a vice-campeã no Ceará, Analu Silva, também perdeu para a cearense Gabriely Queiroz, assim como a campeã brasileira e líder do ranking 2026, Juliana dos Santos.

A cearense fez parte da Seleção Brasileira do Surf Brasil que conquistou o tetracampeonato panamericano no Panamá, de onde trouxe uma medalha de bronze. Juliana dos Santos chegou em Ipojuca já ganhando a etapa do Circuito Nordestino, encerrada na sexta-feira da semana passada nas mesmas ondas da Praia do Borete. Mas, ela e a também campeã brasileira, Julia Nicanor, acabaram derrotadas pela Alexia Monteiro. A gaúcha repetiu a sua performance na segunda-feira, voltando a fazer os recordes femininos do dia, com a nota 6.20 e os 11.27 pontos que totalizou.

“Foi uma bateria muito, muito difícil, com duas atletas sensacionais e o mar tava muito difícil também”, destacou Alexia Monteiro. “Eu não tava conseguindo me achar, mas eu venho trabalhando todos os dias para confiar em mim, confiar que Deus vai mandar onda e no finalzinho Ele mandou. Quando veio a onda, eu fui pro tudo ou nada, porque só interessava a vitória e deu certo. Só tenho que agradecer a Deus e ao Alan Jhones, que tava na areia pedindo pra eu me acalmar, que ia vir onda. Estou realmente muito feliz, porque foi uma belíssima bateria para seguir no campeonato”.

Únicas vitórias das surfistas que estrearam no evento principal – Após essa bateria, duas surfistas que estavam estreando no evento principal do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas, quebraram a série de derrotas e conquistaram a classificação direta para as oitavas de final. Uma delas foi a paulista Juliana Meneguel, número 9 do ranking, que derrotou a catarinense Kauanny de Souza e a carioca Mariana Areno. A outra foi a convidada Sophia Medina, que mandou a top-5 Kemily Sampaio e a campeã brasileira local de Ipojuca, Monik Santos, para a repescagem.

“Estou muito feliz de ter passado e tava bem difícil o mar, muito vento, mas graças a Deus, deu tudo certo”, disse Sophia Medina, que vem embalada de duas vitórias seguidas em etapas do QS no Brasil. “Agradeço a Deus por tudo que vem acontecendo, de poder vir de vitórias no QS e chegar aqui passando a primeira bateria. Cada campeonato é uma história, então tem sempre que focar muito, porque o surf exige muito, exige corpo, mente e fico sempre tentando manter o foco. Todo campeonato a gente entra sempre pra dar nosso melhor e espero fazer outro bom resultado aqui, então estou feliz por ter começado bem”.

Evento principal dos homens começa igual ao das mulheres – A rodada de estreia dos cabeças de chave da competição masculina, começou igual a feminina, com o top-3 do ranking, Gabriel Klaussner, sendo mandado para a repescagem pelo embalado campeão brasileiro Israel Junior. O potiguar de Baía Formosa está invicto nas ondas da Praia do Borete esse ano e tenta recuperar o mau resultado na primeira etapa do Surf Brasil Pro 2026 no Ceará. Na Praia da Taíba, Israel Junior parou na mesma sexta fase que se classificou agora, com a vitória sobre Gabriel Klaussner e o cearense Lucas Bezerra por 12,16 pontos.

“Estou felizão de ter avançado essa bateria e por estar conseguindo performar bem nesse evento”, disse o campeão brasileiro de 2022, Israel Junior. “Esse mar está parecido com o que eu surfo diariamente lá em Baía Formosa, no point, onde a onda é pequena assim também, meio picada e a prancha está boa nessa condição. É uma onda que eu gosto, uma condição que eu gosto e foi mais uma boa bateria. Estou feliz por ter avançado direto pra sexta fase e vamos nessa, vamos pra próxima, com tudo”.

Primeira vitória de um top do ranking e com o maior placar do dia – Na segunda bateria, outro potiguar que vinha se destacando desde o início do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas no sábado, Rafael Barbosa, chegou a ameaçar os dois cabeças de chave que estavam estreando nesta segunda etapa do Campeonato Brasileiro de 2026. Mas, o número 14 do ranking, Marcos Correa, surfou bem para vencer com o maior placar da terça-feira, 12.90 pontos, contra 11.63 do surfista da Praia da Pipa. O paulista avançou direto para disputar classificação para as oitavas de final na sexta fase, mas Rafael Barbosa e o cearense Janninfer de Sousa terão outra chance na repescagem.

“É muito bom iniciar o campeonato com uma vitória, ainda mais com atletas como o Rafael Barbosa e o Janninfer de Sousa, molecada que surfa muito de borda e são aerealistas né”, ressaltou Marcos Correa. “O começo foi um pouco difícil e o Janninfer já conseguiu sair na frente. Mas, graças a Deus, eu consegui pegar duas esquerdas boas, para virar nos últimos minutos. Agora é continuar nesse ritmo, estou com minha prancha muito boa, é a mesma desde o ano passado, que deixo sempre bem guardada só para usar nos eventos. Ela tá no pé, tanto de frontside como backside, então é só achar a onda boa e soltar o surf”.

Cauã Costa manda o bicampeão brasileiro Douglas Silva pra repescagem – Além de Marcos Correa, apenas mais três dos 11 tops do ranking que estrearam na terça-feira, conseguiram vencer suas baterias e avançar direto para a sexta fase do Surf Brasil Pro Porto de Galinhas. O paulista campeão brasileiro de 2023, Weslley Dantas, o cearense Cauã Costa e a grande promessa catarinense, Yuri Gabryel, campeão brasileiro Sub-16 e do circuito Taça Brasil no ano passado. Cauã Costa usou os aéreos de backside nas esquerdas da Praia do Borete, para ganhar a maior nota do dia – 7.50. E precisava disso para vencer o defensor do título da etapa pernambucana, o ipojucano Douglas Silva, bicampeão brasileiro de 2024 e 2025 que acaba de conquistar o título panamericano no Panamá.

“Estou muito feliz de ter avançado essa bateria. No ano passado fiz um 9.00 aqui contra o Fininho (José Francisco), agora consegui passar direto pra sexta fase e o aéreo, com certeza, é uma manobra eu tenho na manga”, disse Cauã Costa. “É uma manobra que eu treino muito e tenho muita facilidade de mandar. Eu acho que é uma manobra que se encaixa muito bem no meu surf e essa prancha está muito boa nessa marola. Hoje tava com bastante bump, então ela ficou bem conectada ali com a vala e deu tudo certo pra vencer essa bateria, que era bem importante”.

Líder do ranking estreia na primeira bateria da quarta-feira em Ipojuca – O pernambucano Douglas Silva terá outra chance na repescagem, de seguir buscando o bicampeonato em casa no Surf Brasil Pro Porto de Galinhas. Assim como todos que não conseguiram vencer as oito baterias da quarta fase, que fecharam a terça-feira de show de surf na Praia do Borete. Na última do dia, o vice-campeão na primeira etapa de 2026 no Ceará, o paulista Wesley Leite, foi mandado para a repescagem pelo potiguar Alan Jhones, que ganhou a sua quarta bateria seguida em Ipojuca. Já o líder do ranking, Michael Rodrigues, vai estrear na primeira bateria da quarta-feira, contra o também cearense Alexandre Camargo e o paulista voador, Murillo Coura.

O Surf Brasil Pro 2026 é uma realização de Surf Brasil, em conjunto com a Federação Pernambucana de Surf nesta segunda etapa em Porto de Galinhas, que conta com patrocínio da Prefeitura Municipal do Ipojuca através da Secretaria Especial de Esportes, CAIXA Esportes, Monster Energy e Surf Telecom; apoio local da marca JISK e parceria de Suntech, Brazilian Tiger Balm, Sococo, Shopee, Chandon, Restaurante Chicama, Cerveja Praya, apoio ambiental de Mondo Ekvilibro e apoio institucional do COB – Comitê Olímpico do Brasil. Todas as etapas do Surf Brasil Pro 2026 são transmitidas pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e nos canais Woohoo na TV fechada e XSports na TV aberta, com o último dia também passando ao vivo no canal Time Brasil TV do COB no YouTube.

Baterias do Surf Brasil Pro – Porto de Galinhas

(entre parênteses o estado que representa na competição)

Resultados da terça-feira na Praia do Borete
Terceira fase masculina
3º=49º lugar (2.400 pontos) e 4º=61º lugar (1.800 pts)

as 4 primeiras baterias fecharam a segunda-feira

5ª 1-Gabriel André (SP), 2-Marcos Alves TT (CE), 3-Edvan Silva (CE), 4-Alan Donato (PE)

6ª 1-Alan Jhones (RN), 2-Alexandre Camargo (CE), 3-Bernardo Brizola (RN), 4-E O Lobster (PE)

7ª 1-Murillo Coura (SP), 2-Ytalo Oliveira (CE), 3-Jonatans Ruan (RN), 4-Antonio Venicius (BA)

8ª 1-Lucas Haag (SC), 2-Lucas Vicente (SC), 3-Emanoel Tobias (RN), 4-Nicolas Oliveira (SP)

9ª 1-Renan Pulga (SP), 2-Amando Tenorio (AL), 3-Luan Lapolli (PE), 4-Michel Demetrio (SC)

10 1-Michel Roque (CE), 2-Cauet Frazão (CE), 3-Krystian Kymerson (ES), 4-Madson Costa (RN)

11 1-Felipe Oliveira (SP), 2-Gabriel Dantas (RJ), 3-José Claudio (PE), 4-Rickson Falcão (RJ)

12 1-Rafael Teixeira (ES), 2-Luan Wood (SC), 3-Lysandro Leandro (RN), 4-Kailani Renno (SP)

Terceira fase feminina – entrada das Top-11 e 1 convidada
1ª avança para as Oitavas de Final e 2ª e 3ª vão para a Repescagem

1ª 1-Carol Bastides (SP)=9.40, 2-Larissa dos Santos (CE)=9.40, 3-Maria Clara (RN)=4.10

2ª 1-Luara Mandelli (PR)=9.03, 2-Kiany Hyakutake (SC)=8.74, 3-Potira Castaman (SC)=6.97

3ª 1-Sophia Gonçalves (SP)=9.13, 2-Ariane Gomes (CE)=8.97, 3-Tainá Hinckel (SC)=8.40

4ª 1-Gabriely Queiroz (CE)=7.24, 2-Analu Silva (PB)=6.67, 3-Nicole Santos (PE)=6.16

5ª 1-Alexia Monteiro (RS)=11.27, 2-Julia Nicanor (SP)=10.87, 3-Juliana dos Santos (CE)=9.73

6ª 1-Juliana Meneguel (SP)=9.74, 2-Kauanny de Souza (SC)=8.74, 3-Mariana Areno (RJ)=5.46

7ª 1-Sophia Medina (SP)=10.76, 2-Kemily Sampaio (SP)=7.17, 3-Monik Santos (PE)=7.10

8ª 1-Yanca Costa (CE)=8.06, 2-Aysha Ratto (RJ)=7.07, 3-Sarah Ozorio (RJ)=2.40

Quarta fase masculina – entrada dos Top-22 e os 2 convidados
1º avança para a Sexta Fase e 2º e 3º vão para a Repescagem

1ª 1-Israel Junior (RN)=12.16, 2-Gabriel Klaussner (SP)=11.50, 3-Lucas Bezerra (CE)=8.17

2ª 1-Marcos Correa (SP)=12.90, 2-Rafael Barbosa (RN)=11.63, 3-Janninfer de Sousa (CE)=9.17

3ª 1-Deivid Silva (SP)=9.96, 2-Derek Souza (SP)=7.64, 3-Rafael Santos (CE)=4.86

4ª 1-Weslley Dantas (SP)=11.44, 2-Peterson Crisanto (PR)=9.76, 3-Mathias Ramos (CE)=8.63

5ª 1-Cauã Costa (RJ)=12.63, 2-Douglas Silva (PE)=11.33, 3-Guilherme Fernandes (SP)=11.00

6ª 1-Gabriel André (SP)=10.07, 2-Cauã Gonçalves (SP)=9.80, 3-Walley Guimarães (SC)=9.37

7ª 1-Yuri Gabryel (SC)=9.83, 2-Marcos Alves TT (CE)=8.57, 3-Paulo Henrique Grilo (RN)=7.84

8ª 1-Alan Jhones (RN)=11.70, 2-Wesley Leite (SP)=10.53, 3-Ytalo Oliveira (CE)=8.23

Próximas baterias do Surf Brasil Pro em Ipojuca
Quarta fase masculina – entrada dos Top-22 e os 2 convidados
1º avança para a Sexta Fase e 2º e 3º vão para a Repescagem

9ª Michael Rodrigues (CE), Murillo Coura (SP), Alexandre Camargo (CE)

10 Deyvson Santos (RN), Santiago dos Santos (CE), Lucas Haag (SC)

11 Alex Ribeiro (SP), Renan Pulga (SP), Lucas Vicente (SC)

12 Jonathan Freitas (RN), Edgard Groggia (PE), Amando Tenorio (AL)

13 Jadson André (RN), Luan Carvalho (SP), Michel Roque (CE)

14 Bino Lopes (BA), Felipe Oliveira (SP), Cauet Frazão (CE)

15 Samuel Joca (RN), Samuel Igo (PB), Luan Wood (SC)

16 Rafael Venuto (CE), Rafael Teixeira (ES), Gabriel Dantas (RJ)

Quarta fase ou repescagem feminina – 1ª e 2ª avançam para as Oitavas de Final
3ª=17º lugar (R$ 3.000 e 4.000 pontos) e 4ª=21º lugar (R$ 3.000 e 3.800 pts)

1ª Larissa dos Santos (CE), Kiany Hyakutake (SC), Julia Nicanor (SP), Nicole Santos (PE)

2ª Analu Silva (PB), Tainá Hinckel (SC), Potira Castaman (SC), Aysha Ratto (RJ)

3ª Juliana dos Santos (CE), Mariana Areno (RJ), Ariane Gomes (CE), Maria Clara (RN)

4ª Sarah Ozorio (RJ), Kemily Sampaio (SP), Monik Santos (PE), Kauanny de Souza (SC)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.