Fecasurf de Base

Ferrugem é palco do circuito

Abertura do Circuito Mormaii Storm Kids 2026 acontece nos dias 1 e 2 de maio na praia da Ferrugem, em Garopaba (SC).
Circuito Fecasurf de Base 2026

O Circuito Fecasurf de Base 2026 continua movimentando as competições no estado, e chega ao litoral sul catarinense, após três etapas realizadas em sequencia em Florianópolis. O palco escolhido foi a constante praia da Ferrugem, em Garopaba (SC), considerada a “Capital do Surf Catarinense”.

A competição começa na próxima sexta-feira (01/05), e vai até o sábado (2), devido as previsões de tempo ruim e ventos fortes previstos para o domingo (3).

“Decidimos antecipar o evento para sexta e sábado por causa das condições climáticas desfavoráveis que os gráficos apontam para o domingo, que era a data oficial do evento. E também para aproveitar da melhor forma esse swell que está chegou na costa catarinense, oferecendo as melhores condições possíveis e maior segurança para os competidores”, disse Nelson Mitke, presidente da ASG.

Esta será a primeira das três etapas do circuito local da ASG (Associação de Surf de Garopaba) programadas para acontecerem neste ano. No total, dez categorias farão parte da competição, que valerá 10 mil pontos pela quarta etapa do Circuito Fecasurf de Base: Sub-08 Mista, Sub-10/12/14/16 e 18 Masculino, Sub-12/14 e 16 Feminino e Local.

“Devido ao enorme sucesso da temporada passada do Circuito Storm Kids ASG, a Prefeitura Municipal de Garopaba, juntamente com os patrocinadores renovaram essa parceria e bateram o martelo para mais um ano de disputas aqui em Garopaba. Quem ganha são os atletas e o surfe catarinense”, encerrou Nelson Mitke.

A competição terá início na sexta-feira às 7h (de Brasília) para aproveitar o máximo os dois dias de evento. O cronograma oficial da prova já pode ser acessado no site www.surfpro.com.br.

“Depois de três etapas seguidas em Floripa, o Circuito Fecasurf de Base chega a uma das principais ‘surf cities’ do país. Garopaba oferece uma diversidade de ondas com excelente qualidade e estrutura perfeita para grandes eventos de surf, contribuindo muito para o desenvolvimento dos nossos atletas”, comentou Renato Melo, presidente da Fecasurf.

Destaques do Circuito Fecasurf até o momento – Considerado um dos circuitos de Base mais fortes do país, o Circuito Fecasurf revela novos talentos a cada temporada, atraindo surfistas de diversas partes do Brasil para suas competições.

Nas categorias Sub-18 e Sub-16 Masculino, destaque para o surfista da praia do Campeche, Floripa, Michel Demétrio que lidera as duas divisões. Na Sub-14 Masculino a liderança do ranking está nas mãos de Luca Messenger, surfista sergipano radicado há alguns anos em Florianópolis (SC).

Guilherme Goulart, da praia dos Açores em Floripa, é o número um do ranking da Sub-12 Masculino em seu ano de estreia na divisão. Mais um surfista de Floripa lidera o ranking da Sub-10 Masculina, com Ricardo Búrigo na primeira posição até o momento.

Na Sub-08 Mista, a liderança está com o surfista de Garopaba (SC) Ben Gonçalves, que venceu as três etapas de sua categoria neste ano com aproveitamento de 100% até o momento.

No surfe feminino, destaque para a jovem Lulu Vivan, de Balneário Camboriú (SC), que lidera as categorias Sub-18 e Sub-14. Na Sub-16, mais uma atleta do litoral norte está na primeira colocação, com Valentina Zanoni, de Itajaí (SC) puxando a fila. E na Sub-12 Feminina, a liderança da categoria está para Maria Carolina Braga, atleta de Garopaba (SC).

Circuito Mormaii Storm Kids 2026 – 1ª Etapa
Válida pela 4ª Etapa do Circuito Fecasurf de Base 2026
Patrocínio:
Mormaii, Surfland Brasil, Silverbay e RZ Turismo.

Co-Patrocínio:
Rancho do Surf, Guna Made, Odara, Fu-Wax, Beach Life e Coral Biquinis.

Apoio:
Buena Onda, Pousada Capão, Brasa Gaúcha, Atletis, Serra Geral Internet, Bar do Zado, Surf Trips, V8 Comunicação Visual, Pedra Marca, Associação de Surf da Ferrugem, Silveira Sul Laje, Blend, Surf Pro, Amendoim Dada, Rádio Estação Garopaba e Pico Santo.

Realização:
Associação de Surf de Garopaba (ASM)

Homologação:
Fecasurf (Federação Catarinense de Surf).

Ranking Fecasurf de Base 2026 após três etapas
Sub 18 Masculino

1 Michel Demetrio 22.300 pontos
2 Lucas Velasquez 21.920
3 Rian Prieto 20.240
4 Rafael Kenzo Saito 5.250

Sub 16 Masculino

1 Michel Demétrio 24.300
2 Luca Messenger 21.920
3 Lucas Velasquez 21.810
4 Rian Prieto 19.990

Sub 14 Masculino

1 Luca Messenger 24.270
2 Kaleb Henrique 19.850
3 Miguel Pereira 18.585
4 Guilherme Goulart 16.760

Sub 12 Masculino

1 Guilherme Goulart 22.900
1 Kauai Chedid 22.120
3 Rafael Acom 20.410
4 JP Batatinha 19.600

Sub 10 Masculino

1 Ricardo Búrigo 25.600
2 JP Batatinha 20.370
3 Kaka Biscaro 18.870
4 Gabrielzinho do Surf 16.210

Sub 8 Mista

1 Ben Gonçalves 27.000
2 Bárbara Porto 19.810
3 Noah Foerster 13.320
4 Noah Minelli 13.290

Sub 18 Feminino

1 Lulu Vivan 17.300
2 Valentina Zanoni 17.300
3 Ane Leite 12.800
4 Kauanny de Souza 12.800

Sub 16 Feminino

1 Valentina Zanoni 22.300
2 Maya Reis 20.620
3 Lulu Vivan 20.370
4 Maria Heizen16.685

Sub 14 Feminino

1 Lulu Vivan 24.620
2 Maria Carolina Braga 21.700
3 Maya Reis 20.790
4 Malu Pires 18.270

Sub 12 Feminino

1 Maria Carolina Braga 27.000
2 Flora Abbott Bond 19.990
3 Sophia Sens 19.110
4 Maria Clara Borges 18.220

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.