Estadual Júnior do Rio

Sunny Pires dá show em Jaconé

Domingo (31) de ondas pesadas define os campeões amadores do Maricá Surf Pro AM 2022. Atleta de Búzios, Sunny Pires marca duas notas 9.00 pontos, vence a categoria Sub-18 e fatura R$ 2.500 mil.
Maricá Surf Pro AM 2022, Jaconé, Maricá (RJ)

Sunny Pires foi o grande nome das finais amadoras do Maricá Surf Pro AM. O buziano marcou duas notas 9.00 pontos, uma na semi e outra na final da categoria Sub-18 masculina. Com a vitória ele embolsou R$ 2.500 mil. Paloma Olivero, também de Búzios, venceu a Sub-18 feminina e Lanay Thompson foi campeã duas vezes na etapa válida pelo Estadual Júnior do Rio.

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As finais amadoras do Maricá Surf Pro AM 2022 aconteceram em Jaconé. O palco principal da etapa, Ponta Negra, ficou sem condições de surfe pelo segundo dia consecutivo. Com isso, a FESERJ foi ágil e novamente transferiu a etapa para outra praia de Maricá. O pico bombou novamente, dessa vez com algumas séries acima de 1,5 metro.

O buziano Sunny venceu as três baterias que disputou no dia. Na segunda participação, na semifinal, ele começou com 7.00 pontos e na terceira onda fez 9.00 para vencer com o segundo maior somatório de todo o Maricá Surf Pro AM 2022, atrás apenas do 17.37 conquistado pelo campeão profissional Cauã Costa.

O atleta chegou na final e na segunda onda fez duas manobras fortes de frontside para anotar outra nota 9.00 pontos, a segunda maior do evento. Depois ele marcou mais 4.90 e abriu larga vantagem para os adversários. Em segundo lugar ficou o baiano Rayan Fadul, em terceiro o saquaremense Rickson Falcão e em quarto Yan Sondahl.

“A final foi muito difícil. Altas ondas, mas com a maré muito cheia as séries ficaram demoradas. Graças a Deus eu consegui encaixar as manobras e estou muito feliz de ter vencido esse campeonato. Só quero agradecer aos meus patrocinadores e a minha família”, disse o campeão Sunny, que faturou R$ 2.500 mil.

Mais de Búzios – Outro título do Maricá Surf Pro AM 2022 foi pra Búzios. Paloma Olivero quebrou o bico da prancha logo no início da bateria, mas voltou com o mesmo foguete para o outside e venceu a final. A atleta marcou 7.50 pontos, contra 6.75 da vice-campeã, a pernambucana Nicole Santos. Na terceira posição ficou Laiz Costa e na quarta Leticia Calleia.

“Pô, foi irado! Muita loucura, pois veio uma onda na beira, eu fiz ela até o final e quebrei o bico da prancha. Mas entrei novamente com ela, já que estava sem outra prancha, e tive que fazer o máximo com o bico quebrado. Deu tudo certo!”, contou Paloma, que faturou R$ 2.500 mil.

Lanay com dois títulos – Outra surfista de destaque nas finais do Maricá Surf Pro AM 2022 foi Lanay Thomspon, do Recreio dos Bandeirantes. Ela, que está no último ano da Sub-12, venceu a categoria e também a Sub-14. Na Sub-12 das meninas ela venceu com folga. Na Sub-14 ela teve mais dificuldade. Lanay abriu com 7.00 pontos conquistados com duas manobras, porém sofreu a virada de Sarah Ozório. Porém, quando restavam apenas quatro minutos para o fim, Lanay fez uma rasgada de frontside e reassumiu a liderança para não sair mais.

“Estou muito feliz de ter vencido duas categorias. Foi bem difícil, pois as meninas estão quebrando, surfando muito”, contou Lanay, que também falou sobre a onda nota 7.00 pontos. “Foi uma onda da série que deu pra dar duas manobras. Foi muito irada! Estou muito feliz que Deus mandou aquela onda pra mim”.

Vitória pra Niterói – Entre os homens da categoria Sub-12, deu João Peixoto. O surfista de Niterói estava em segundo lugar, atrás de Petrus Dantas, mas conquistou 6.40 pontos com duas manobras, foi para a primeira posição e venceu. Petrus foi o vice, Cauã Diniz o terceiro e Lui da Matta o quarto.

“Foi emocionante (a final). Eu nunca tinha vencido na vida. Essa é a minha primeira vitória. Estou muito feliz! Eu consegui achar aquela onda (6.40), fui pra primeiro e conquistei a vitória”, comentou João.

Mais troféu para o Recreio – Na Sub-14 masculina deu Nathan Hereda, surfista do Recreio dos Bandeirantes. Logo no início da final ele marcou 8.00 pontos depois de atacar uma junção pesada. João Victor Coutinho marcou 3.05 e 5.00 e se manteve no jogo, mas Nathan conquistou 5.50 para garantir o título. João ficou na segunda posição. Rafael Oberlander (3º) e Benjamin Martins (4º) completaram o pódio.

“Aquela (junção) foi bem complicada, me esforcei muito pra voltar da manobra. O mar está bem difícil, mas dá pra achar ondas boas, só tem que esperar. É isso, dei o meu melhor, procurei as boas e deu certo”, falou Nathan.

Saquarema no alto do pódio – O título da Sub-16 masculina foi pra Saquarema. Rickson Falcão, que ficou em terceiro lugar na Sub-18, foi o campeão. O atleta travou uma batalha contra o também saquaremense Rafael Lutfy. Rickson marcou 4.90 e 6.75 pontos para vencer com o somatório de 11.65 contra 11.15 de Rafael. Em terceiro ficou o cearense Guilherme Lemos e em quarto Gabriel Dantas.

“Estou muito feliz com minha vitória aqui em Jaconé. Tem umas ondas boas, mas as condições estão difíceis, com mar balançado. Eu consegui achar as ondas, peguei as boas. Todo mundo surfou bem e o campeonato foi animal! Obrigado a todos que estavam na torcida!”, disse Rickson.

Sub-16 feminina – Entre as meninas da Sub-16 deu Sarah Ozório. A surfista do Recreio dos Bandeirantes acertou uma forte batida de frontside numa junção pesada, anotou 8.25 pontos e abriu larga vantagem no placar. A vitória foi com o somatório de 12.85, contra 4.75 da segunda colocada, Paloma Olivero. Leticia Calleia (3ª) e Sofia Tinoco (4ª) completaram a final.

Maricá Surf Pro AM 2022 – Estadual Júnior
Sub-18 Masculino

1 Sunny Pires 13.90 – R$ 2.500,00 + Prancha Oceanside
2 Rayan Fadul (BA) 9.35 – R$ 1.250,00
3 Rickson Falcão 9.25 – R$ 750,00
4 Yan Sondahl 5.75 – R$ 500,00

Sub-18 Feminino

1 Paloma Olivero 7.50 – R$ 2.500,00 + Prancha Oceanside
2 Nicole Santos (PE) 6.75 – R$ 1.250,00
3 Laiz Costa 5.65 – R$ 750,00
4 Letícia Calleia 5.45 – R$ 500,00

Sub-16 Masculino
1 Rickson Falcão 11.65
2 Rafael Lutfy 11.15
3 Guilherme Lemos (CE) 8.00
4 Gabriel Dantas 6.50

Sub-16 Feminino

1 Sarah Ozório 12.85
2 Paloma Olivero 4.75
3 Letícia Calleia 2.60
4 Sofia Tinoco 1.50

Sub-14 Masculino

1 Nathan Hereda 13.50
2 João Victor Coutinho 8.05
3 Rafael Oberlander 7.75
4 Benjamin Martins 6.00

Sub-14 Feminino

1 Lanay Thomspon 10.50
2 Sarah Ozório 9.40
3 Sofia Tinoco 8.55
4 Leticia Calleia 7.75

Sub-12 Masculino

1 João Peixoto 10.00
2 Petrus Dantas 6.60
3 Cauã Diniz 5.10
4 Lui da Matta 2.55

Sub-12 Feminino

1 Lanay Thompson 9.50
2 Brenda Calazans 3.40
3 Eloah de Souza 2.05
4 Alice Calazans 0.30

Local

1 Fernando Souza 6.60
2 Christiano Paiva 5.85
3 José Felipe 4.00
4 Dimitri Carvalho 2.45

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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