Espêice Fia

Galápagos em casal

Fabio Gouveia promove divertida barca de casais para Galápagos.

Há um bom tempo venho fazendo, em parceria com a Dreamsurf, a “Barca do Fia”. Posso afirmar que tem sido muito legal, com muitas ondas surfadas ao redor do mundo, risadas e entrosamento geral com novas amizades que vão permanecendo para sempre.

Nos momentos de descontração, e em especial após as duas últimas barcas, começamos a curtir a ideia de fazer a primeira Barca do Fia especial para casais. A regra era reunir apenas casais cujo uns dos pares já havia participado de alguma barca anterior.

Organizar uma trip assim pode não ser tão simples, pois, com os marmanjos, pode ser tudo quase de qualquer jeito. Já com as patroas é necessário um carinho especial, desde uma boa acomodação, sem fugir do custo benefício, é claro, mas com um bom roteiro. Sendo assim, inauguramos a primeira “Barca do Fia Casais”. O destino foi o arquipélago de Galápagos, no Equador, no início do último mês de março.

A ansiedade para o embarque fazia o grupo de WhatsApp bombar diariamente, mas logo já estávamos pernoitando em Guayaquil, com direito a um ótimo rolé na cidade e visitação à praça das Iguanas e ao Malecón, além de almoço com frutos do mar e “cerva” gelada. “Liissaaaa”, patroas já começando felizes! O desembarque em Galápagos foi na ilha de San Cristóbal. Cerca de 10 minutos de trajeto e já estávamos no hotel.

Desarruma malas, descansa e logo a primeira session estava por vir em El Canhão. O pico fica a cerca de dez minutos de caminhada do nosso hotel, mas precisávamos adentrar em uma área militar, com posse de nossas identidades. Só precisávamos lembrar que às 18 horas teríamos que estar de volta à guarita. As ondas não estavam lá essas coisas, mas para o primeiro dia foi ótimo, pois é sempre melhor chegar com mar pequeno e ir se ambientando.

Esta seria a primeira surf trip em que eu não surfaria. Consequência de ter rompido os ligamentos do meu joelho direito em Fernando de Noronha, no início de fevereiro. Fui para Galápagos apenas para curtir com a dona Elka e os casais integrantes da barca (Adalton e Beatriz, Vitor e Rafaela, Cristiano e Ithani, Marcelo e Renata, José Eduardo e Daniela). Virei o videomaker oficial.

Como a contusão era recente e grave, estava com receio de caminhar nas pedras de El Canhão para filmar da água. Mas não precisou nem de uma hora para que a inquietude me jogasse pra dentro. Desfrutei daquela maravilha ao lado da galera e dos leões-marinhos. O casal Adalton e Ana Beatriz estava muito feliz em estar ali. Grudadinhos um no outro, eles foram para o pico onde um pequeno crowd se formava. Vitor Bidone, Marcelo Pretto, Cristiano Moraes e nosso agente de viagem, José Eduardo, também dividiam as ondas e pegaram boas, apesar de todos meio travados por causa da viagem.

Já Roberto Samarone, outro integrante da barca, não teve a companhia da esposa. Ela estava em início de gravidez e acabou não participando da trip por recomendações médicas. Samarone chegou a Galápagos com uma indisposição e preferiu se resguardar neste primeiro dia, afinal a semana seria longa e o swell estava por vir. Só pra registrar, a fissura do primeiro surfe foi convertida em uma “chamada” dos oficiais na guarita, pois acabamos esquecendo do prazo das 18 horas da saída. Mas os pedidos de desculpas foram prontamente aceitos e ficamos felizes com a hospitalidade.

No dia seguinte, o surfe matinal foi de ondas maiores em La Loberia. Este seria o pico mais constante. Logo no trajeto de carro e na caminhada com o sol nascendo, já deu pra ver belas paredes, longas para a direita e algumas mais curtas para a esquerda. Ao chegarmos no inside, em uma bela baía pequena, fomos recepcionados por um leão-marinho que tomava conta do seu filhote. Marcelo Pretto que o diga, pois, enquanto colocava a cordinha e passava parafina, teve que se afastar, tamanha braveza do animal.

Aos poucos todos foram entrando e fui buscando diferentes ângulos para gravar a session. Beatriz olhou bastante o mar e, como estava um pouco grande, preferiu ficar de fora. Fez a escolha certa, pois ali não era momento para estar em desconforto, mas sim em curtição e contemplação. Logo ficou comigo observando Tom, Pretto, Zé Eduardo, Bidone e Cris surfarem as paredes com cerca de 6 pés.

Já o surfe da tarde foi no pico de Tongo Reef. A turma partiu de barco do cais à frente do nosso hotel e fui caminhado com as meninas (Elka, Renata, Ithani, Rafaela, Beatriz e Daniela) a fim de fazer umas imagens da trilha e captar algo do surfe fora d’água. Achávamos que o passeio seria curto, mas caminhamos por cerca de uma hora sob um sol escaldante com direito a várias iguanas no meio do caminho que fizeram parte da adrenalina e da comédia, pois a cada susto eram gritos e gargalhadas. Nos divertimos!

O contraluz estava sinistro, e ficava difícil para as patroas identificarem seus maridos na água, mas no geral ficaram contemplando o pôr do sol e a silhueta da galera deslizando nas longas esquerdas. Que visual! Na manhã seguinte, pegamos o barco ao clarear mais uma vez para Tongo Reef. Estava ansioso pra gravar as imagens de dentro d’água, pois a luz estava maravilhosa e o terral deixando a superfície lisinha. Navegação de uns dez minutos e logo avistamos longas e belas paredes. Altas!

Fiz aquela imagem tradicional da turma pulando do barco e logo estava posicionado no inside. O lineup de Tongo Reef era de certa forma estreito. No ponto do drop, existia um “double up”, onde a maioria ficava aglomerada. No entanto, logo após a primeira curva, a parede se estendia e o passeio era gostoso. As ondas estavam entre 3 e 5 pés e algumas séries entravam um pouco fora da bancada, fazendo alguns tomarem na cabeça. A galera estava amarradona com altas ondas e eu curtindo tanto quanto todos, pois tenho um prazer enorme em fazer registros aquáticos.

Sem contar que Galápagos é um caso à parte, tamanha a fauna diversificada. Fiz muitos registros legais, com tomadas acima da superfície e abaixo dela, com algumas quilhas passando cantando e leões-marinhos desfilando. No dia seguinte, a session rolou mais uma vez em Tongo, e desta vez o Roberto, já recuperado da gripe, juntou-se a nós. Assim o time de marmanjos ficou completo. Algumas remadas erradas e Roberto já estava evoluindo ao fim da session.

Destemido, Tom botou pra baixo em alguns drops atrasados. Neste dia, José Eduardo já estava mais encaixado, assim como Vitor Bidone, Cristiano e Marcelo Pretto, que sempre atento ao lineup, ia pegando as boas que sobravam.

Neste dia as ondas estavam concorridas, com alguns locais e outros estrangeiros (incluindo brasileiros) surfando muito bem. Mas todos surfaram por mais de duas horas até que pegássemos o barco para voltar ao hotel, com direito ao visual de sempre da navegação. Na parte da tarde voltamos a Loberia. Altas ondas e decidi dar uma longa nadada para filmar da água. Que visual! No meio da session fui alertado por um surfista local sobre a presença de possíveis tubarões, “mas não passa nada”, ele disse. Confesso que não tive o menor problema, estava mais preocupado e atento ao leão-marinho que cuidava de seu território para defender o filhote.

Estar ali no lineup de Loberia não é tão simples, pois a nadada é longa e, dependendo do dia, a corrente é forte. A session havia começado tranquila, mas depois, quando já estava cansado, ela aumentou. Antes disso já havia gravado altas ondas, tanto na direita longa quanto na esquerda, mais curta e tubular. Visual magnifico também na piscina natural que dividia o lineup da beira da praia. Quanta diversidade de peixes e tartarugas majestosas. Depois do surfe, os casais se reuniam e era aquela alegria, com todos sempre capturando altas imagens.

O surfe foi muito bem aproveitado, mas em trip de casais tudo é prioridade. Destaque para o tour na ilha com passagem pelo lago El Junco, em meio à cratera do vulcão extinto, e belas praias como Porto Chino. Passeio magnifico com direito a almoço e um visual alucinante. E o melhor, sempre aquela gelada presente para aumentar a curtição e as gargalhadas, pois naquela altura todos estavam mais que entrosados e não existia zoação que pudesse deixar alguém zangado (risos).

Nos dois últimos dias da trip o surfe ficou reservado para o magnífico pico de Punta Carola. Sempre tive aquele visual do Farol, com a direitona quebrando atrás, em meus pensamentos e sonhos. Era louco pra ir a Galápagos só para surfar esta onda. Caminhada legal entre nosso hotel até o pico e logo constatamos boas direitas de até 1 metro de face. O swell não era ideal, mas deu pra conferir o potencial da onda. Tom estava amarradão, tal como Marcelo, Cristiano e Bidone. Zé Eduardo ficou registrando o surfe na ponta do Farol e eu dentro d’água, juntamente com vários leões-marinhos.

Nesta session gravei uma das imagens mais incríveis de minha vida, e talvez se estivesse surfando nunca iria presenciar uma cena daquelas. Ganhei a trip naquele momento, quando um lobo-marinho começou a brincar com a câmera. Foram vários desfiles e, em uma cena inóspita, recebi uma mordiscada, assim como meus cachorros fazem em casa. O animal fez o contato e depois ficou olhando. Que coisa incrível! Ele vinha, passava por mim e ia em cada um da galera, interagindo também com todos e mordiscando suas cordinhas. Virou uma festa, a galera todo amarradona e incrédula. Que dia!

Mesmo com três ligamentos do joelho direito rompidos (mas eles não doíam), tive que ao menos deslizar em umas três, quatro paredes. Peguei a prancha do Marcelo Pretto e ele, que já foi fotógrafo profissional, gravou pra que eu tivesse o registro. Muito de leve, ainda consegui dar uma rasgadinha e saí feliz demais. Na praia o maior astral com um filhote de leão-marinho interagindo com as patroas. Já as iguanas aquáticas causavam certo frenesi, em um mix de medo e curiosidade. E haja grito fino (risos).

Durante nossa estada, foram muitos almoços e jantares em restaurantes locais e mais sofisticados. Deu para apreciar bem a culinária local. Infelizmente, alguns da galera tiveram desconforto com diarreia e náuseas, no entanto, não foi possível saber se foi da água não filtrada em algum momento, alguma verdura crua mal lavada, virose ou até mesmo o fato de estarmos muito expostos ao sol durante o período. De qualquer forma, depois que o desconforto passava, virava motivo de histórias para contar e acabávamos na risada. Se me perguntarem o que faltou na trip, acho que foi uma “night” bem feita para bailarmos (risos). Mas pelo menos não nos acabamos e sempre tinha o surfe matinal no dia seguinte.

Foi o caso de nossa última session, mais uma vez em Punta Carola. Todos a caminho para desfrutar daquela pequena praia maravilhosa, mas antes da session alguns foram fazer a trilha do mirante, com direito a fotos em mais uma estátua de Darwin. Que visual do Farol com a série entrando, e que logo nos fez acelerar o passo. Na água, tivemos o reforço da Beatriz, que ao lado do marido Tom abriu aquele sorriso por estar naquelas condições.

Fiz uma linda foto do casal com o Farol ao fundo. Tom pegou altas! Foi seu melhor dia. Marcelo Pretto, Zé Eduardo, Vitor e Cristiano, também. E até Robertão, que agora mais que íntimo da galera, pegou suas esquerdas e teve uma bela imagem registrada. Dona Elka levou o bodyboard, mas preferiu nadar até o lineup apenas com seu pé-de-pato. A intenção era gravá-la interagindo com os leões-marinhos, mas infelizmente (ou felizmente) vai ficar para a próxima oportunidade!

Agradeço a Dreamsurf e a todos que fizeram desta trip maravilhosa, pois como já havia relatado, foi uma das melhores viagens que já fiz, mesmo sem surfar. Voltaremos em breve. Gracias y hasta la vista!

Mais fotos:

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    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

    Pernambucano Douglas Silva conquista primeira vitória no Circuito Banco do Brasil, e peruana Daniella Rosas vence no feminino na etapa de Natal, disputada na Praia de Miami (RN).

    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Em inglês: Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) x Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) x Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) x Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) x Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) x João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) x Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) x Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) x Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) x Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) x Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) x Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) x Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) x Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) x vencedor da bateria 64 vencedor da bateria 7 x vencedor da bateria 8 Feminino Round 1 Sally Fitzgibbons (AUS) × Anat Lelior (ISR)Tya Zebrowski (FRA) × Erin Brooks (CAN)Isabella Nichols (AUS) × Vahine Fierro (FRA)Stephanie Gilmore (AUS) × Yolanda Hopkins (POR)Alyssa Spencer (EUA) × Bella Kenworthy (EUA)Bettylou Sakura Johnson (HAV) × Brisa Hennessy (CRC)Nadia Erostarbe (ESP) × Francisca Veselko (POR)Tyler Wright (AUS) × Kelia Gallina (TAH) Round 2 Caroline Marks (EUA) × Tya Zebrowski (FRA) ou Erin Brooks (CAN)Molly Picklum (AUS) × Alyssa Spencer (EUA) ou Bella Kenworthy (EUA)Sawyer Lindblad (EUA) × Isabella Nichols (AUS) ou Vahine Fierro (FRA)Lakey Peterson (EUA) × Nadia Erostarbe (ESP) ou Francisca Veselko (POR)Gabriela Bryan (HAV) × Sally Fitzgibbons (AUS) ou Anat Lelior (ISR)Caitlin Simmers (EUA) × Tyler Wright (AUS) ou Kelia Gallina (TAH)Luana Silva (BRA) × Stephanie Gilmore (AUS) ou Yolanda Hopkins (POR)Caity Simmers (EUA) × Bettylou Sakura Johnson (HAV) ou Brisa Hennessy (CRC)

    Próxima chamada nesta terça-feira (11) às 14h30 (de Brasília). Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.

    No início da década de 1980, Paulo Bittencourt, o Biteka, decidiu seguir rumo ao Oceano Pacífico. O objetivo era simples e, ao mesmo tempo, imenso: encontrar grandes ondas da maneira que seu orçamento permitia. Mais do que chegar ao Peru e ao Equador, queria viver cada quilômetro daquela aventura. A viagem começou na histórica Estação da Luz, em São Paulo, seguindo de trem até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Dali atravessou a fronteira a pé até Puerto Quijarro, na Bolívia, onde embarcou no lendário Trem da Morte. Levava duas pranchas especialmente construídas pelo mestre Oracio Cocada para enfrentar as ondas do Pacífico: uma 7’2″ e uma 5’11” biquilha em EPS, ambas com inovadoras longarinas de madeira de cinco centímetros, produzidas com madeira cuidadosamente selecionada na Mata Atlântica. Na mochila cabia apenas o indispensável. Entre poucas roupas estavam sua faixa de Taekwondo, um nunchaku e os ensinamentos do mestre Taney Campos. Para Biteka, surfe e artes marciais sempre caminharam lado a lado, uma ligação que ele hoje reconhece também na forte presença do jiu-jitsu entre surfistas de todo o mundo. O Trem da Morte seguia lentamente por cerca de 600 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra. Os bancos eram de ripas de madeira e, a cada parada, embarcavam indígenas, comerciantes, famílias, galinhas e mercadorias. O vagão ia ficando cada vez mais cheio. Em alguns momentos, mães colocavam seus filhos pequenos em seu colo para descansar durante a viagem. Antes mesmo de alcançar o mar, a aventura já se revelava nas pessoas encontradas pelo caminho. Depois de alguns dias de descanso e de treinos em uma academia de Taekwondo, seguiu de ônibus para Cochabamba. As pranchas viajavam amarradas sobre o bagageiro enquanto a antiga Rota 7 serpenteava pelas montanhas, desfiladeiros e curvas da Cordilheira dos Andes. Dois dias depois, partiu para La Paz. Na subida da Cordilheira, a locomotiva parecia lutar contra a montanha. A velocidade diminuía enquanto a altitude retirava o oxigênio de passageiros e motor. O soroche – mal das montanhas – aproximava desconhecidos, que dividiam remédios, conselhos e solidariedade. Ali compreendeu por que aquela ferrovia carregava um nome tão marcante. Em La Paz, impressionaram a resistência do povo andino, os carregadores transportando enormes volumes pelas ladeiras, os tecidos coloridos e a delicada arte em prata. Antes de deixar o litoral brasileiro, havia separado algumas conchas das praias pela beleza de suas formas. Trocá-las por pequenas peças de prata tornou-se uma das lembranças mais especiais da viagem e uma inesperada aproximação entre duas culturas ligadas pelo mar. A viagem prosseguiu margeando o Lago Titicaca. Os Caballitos de Totora, construídos com junco, pareciam ligar a história dos povos andinos às primeiras formas de deslizar sobre as águas do Pacífico. Ao cruzar a fronteira entre Bolívia e Peru, retirou as pranchas da capa para explicar às autoridades o que era o surfe. Olhou ao redor e, sem perceber, as lágrimas começaram a cair. Eram lágrimas de alegria. Depois de tantos quilômetros percorridos, o Oceano Pacífico finalmente estava ao seu alcance. A partir dali começava outra grande aventura: Punta Hermosa, Punta Rocas, Chicama, Máncora, Montañita e Galápagos. Histórias que ficarão para outro capítulo. Ao recordar essa jornada, Biteka ajuda a preservar a memória de um tempo em que viajar era aceitar o desconhecido, aprender com diferentes culturas e descobrir que, muitas vezes, o caminho era tão importante quanto o destino. Uma época que convida a refletir sobre a verdadeira essência do surfe: a aventura, o respeito à natureza e a busca constante pela evolução. Paulo Bittencourt (Biteka), nascido em Santos (SP), é surfista desde a década de 1970. Aos 65 anos continua surfando, filmando e produzindo documentários independentes sobre as culturas do surfe. Acompanhe as publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Paulo Bittencourt, o Biteka, que cruzou a América do Sul rumo ao Pacífico em uma jornada que se tornou um marco de aventura, resiliência e paixão pelo surfe.

    Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto, e os modelos indicam um cenário promissor logo na abertura. A expectativa é de muito swell nos primeiros dias, embora o vento possa influenciar diretamente a qualidade das condições ao longo da etapa. Os modelos de previsão apontam ondas entre 3 e 4 metros de face na abertura da janela, com séries podendo alcançar até 5 metros. Se a previsão se confirmar, o domingo (9) pode apresentar as maiores ondas da janela de competição, com algumas séries podendo ultrapassar até mesmo os 6 metros. Apesar do tamanho das ondas, a previsão indica predominância do vento de sudeste, que costuma prejudicar a qualidade das condições em Teahupoo. Conhecido localmente como Maaramu, este vento traz consigo a estação mais seca e fria, afetando as condições de navegação e surfe na região. Na prática, isso significa um cenário de muito tamanho, mas com condições potencialmente mais difíceis para os atletas. Entre os dias 11 e 12 de agosto, a previsão sugere uma combinação mais favorável, reunindo ventos mais favoráveis, ondas ainda com bom tamanho e boas possibilidades para a realização da competição. Depois desse período, o Maraamu pode voltar a ganhar força. Para o restante da janela, o cenário ainda é instável nos modelos de previsão. Existe a possibilidade de uma nova ondulação forte durante a segunda metade do evento, mas as próximas atualizações deverão trazer uma definição mais precisa. Medina embarca para o Taiti em momento delicado Às vésperas da etapa de Teahupoo, Gabriel Medina, um dos maiores nomes da história deste evento, embarcou para o Taiti vivendo um momento delicado fora d’água. O tricampeão mundial e sua esposa Isabella Arantes perderam o filho que esperavam após a gestação não evoluir. Mesmo diante da notícia, ele seguiu viagem para o Taiti, onde disputará uma etapa importante na reta final do Championship Tour. Atual quarto colocado do ranking mundial, o tricampeão segue na disputa pelo título da temporada. Kelly Slater lidera lista de convidados da etapa A WSL confirmou Kelly Slater como convidado da etapa de Teahupoo. Dono de 11 títulos mundiais e cinco vitórias na onda taitiana, o norte-americano retorna ao CT em busca de mais um resultado expressivo em um dos palcos mais marcantes de sua carreira. Além de Slater, também foram confirmados os taitianos Eimeo Czermak e Kelia Gallina, vencedores das Tahiti Trials, seletiva local que reuniu mais de 36 surfistas. Aos 13 anos, Gallina disputará o evento principal pelo segundo ano consecutivo e tentará aproveitar a experiência adquirida em 2025. Já Czermak fará sua estreia no Championship Tour após finalmente conquistar a classificação para a etapa em sua onda de casa. Horário das chamadas As chamadas da WSL costumam acontecer por volta das 7h30 da manhã no Taiti, o que normalmente corresponde às 14h30 no horário de Brasília. Esse horário pode variar de acordo com as condições do mar. A primeira chamada acontece neste sábado (8). Chaves de baterias Masculino Round 1 Ramzi Boukhiam (MAR) × Oscar Berry (AUS)Luke Thompson (AFS) × Matthew McGillivray (AFS)Seth Moniz (HAV) × Eimeo Czermak (TAH)Eli Hanneman (HAV) × Kelly Slater (EUA) Round 2 Kauli Vaast (FRA) × Crosby Colapinto (EUA)Samuel Pupo (BRA) × Alan Cleland (MEX)Yago Dora (BRA) × Seth Moniz (HAV) ou Eimeo Czermak (TAH)Marco Mignot (FRA) × Barron Mamiya (HAV)Filipe Toledo (BRA) × Connor O’Leary (JAP)Italo Ferreira (BRA) × Luke Thompson (AFS) ou Matthew McGillivray (AFS)Liam O’Brien (AUS) × Jake Marshall (EUA)Ethan Ewing (AUS) × Joel Vaughan (AUS)Leonardo Fioravanti (ITA) × Ramzi Boukhiam (MAR) ou Oscar Berry (AUS)Morgan Cibilic (AUS) × João Chianca (BRA)Kanoa Igarashi (JAP) × Alejo Muniz (BRA)George Pittar (AUS) × Cole Houshmand (EUA)Gabriel Medina (BRA) × Eli Hanneman (HAV) ou Kelly Slater (EUA)Jack Robinson (AUS) × Callum Robson (AUS)Griffin Colapinto (EUA) × Rio Waida (IND)Miguel Pupo (BRA) × Mateus Herdy (BRA) Feminino Round 1 Sally Fitzgibbons (AUS) × Anat Lelior (ISR)Tya Zebrowski (FRA) × Erin Brooks (CAN)Isabella Nichols (AUS) × Vahine Fierro (FRA)Stephanie Gilmore (AUS) × Yolanda Hopkins (POR)Alyssa Spencer (EUA) × Bella Kenworthy (EUA)Bettylou Sakura Johnson (HAV) × Brisa Hennessy (CRC)Nadia Erostarbe (ESP) × Francisca Veselko (POR)Tyler Wright (AUS) × Kelia Gallina (TAH) Round 2 Caroline Marks (EUA) × Tya Zebrowski (FRA) ou Erin Brooks (CAN)Molly Picklum (AUS) × Alyssa Spencer (EUA) ou Bella Kenworthy (EUA)Sawyer Lindblad (EUA) × Isabella Nichols (AUS) ou Vahine Fierro (FRA)Lakey Peterson (EUA) × Nadia Erostarbe (ESP) ou Francisca Veselko (POR)Gabriela Bryan (HAV) × Sally Fitzgibbons (AUS) ou Anat Lelior (ISR)Caitlin Simmers (EUA) × Tyler Wright (AUS) ou Kelia Gallina (TAH)Luana Silva (BRA) × Stephanie Gilmore (AUS) ou Yolanda Hopkins (POR)Caity Simmers (EUA) × Bettylou Sakura Johnson (HAV) ou Brisa Hennessy (CRC) Galeria de campeões do Tahiti Pro 1999 – Mark Occhilupo (AUS)2000 – Kelly Slater (EUA)2001 – Cory Lopez (EUA)2002 – Andy Irons (HAV)2003 – Kelly Slater (EUA)2004 – C.J. Hobgood (EUA)2005 – Kelly Slater (EUA)2006 – Bobby Martinez (EUA)2007 – Damien Hobgood (EUA)2008 – Bruno Santos (BRA)2009 – Bobby Martinez (EUA)2010 – Andy Irons (HAV)2011 – Kelly Slater (EUA)2012 – Mick Fanning (AUS)2013 – Adrian Buchan (AUS)2014 – Gabriel Medina (BRA)2015 – Jeremy Flores (FRA)2016 – Kelly Slater (EUA)2017 – Julian Wilson (AUS)2018 – Gabriel Medina (BRA)2019 – Owen Wright (AUS)2020 – Não realizada (COVID-19)2021 – Não realizada (Cancelada)2022 – Miguel Pupo (BRA)2023 – Jack Robinson (AUS)2024 – Italo Ferreira (BRA)2025 – Jack Robinson (AUS)

    Primeira chamada para etapa do Tahiti acontece sábado (8) às 14h30 (de Brasília). Previsão indica swell consistente. Medina embarca para evento e WSL divulga baterias, com Kelly Slater convidado.

    O Waves passa a oferecer, a partir de hoje, o modo Clássico de visualização da previsão de águas rasas. A novidade já está disponível na plataforma e pode ser acessada pelo botão “Clássico”, localizado na página da previsão detalhada de todos os picos. A experiência retorna preservando a forma de leitura que acompanhou gerações de surfistas, integrada ao novo Waves e com uma evolução importante: a previsão passa de sete para até 16 dias. Clique aqui para visualizar o modelo clássico Desde o lançamento da nova plataforma, recebemos centenas de mensagens com sugestões, elogios, dúvidas e críticas sobre a experiência da previsão. Cada uma delas foi lida com atenção pela nossa equipe. Afinal, ninguém conhece melhor o Waves do que quem consulta a previsão todos os dias antes de entrar no mar. Ao longo de quase três décadas, aprendemos que evoluir também significa saber ouvir. E foi justamente desse diálogo com a comunidade que nasceu a decisão de trazer de volta a visualização Clássica, ampliando as formas de acompanhar a previsão e permitindo que cada surfista escolha a experiência que faz mais sentido para ele. O Clássico evoluiu junto com o Waves Quem já utilizava a visualização Clássica vai encontrar uma experiência muito familiar. A organização das informações, os mapas, os gráficos e a forma de interpretar a previsão permanecem praticamente os mesmos, preservando a leitura que se tornou referência para milhões de surfistas ao longo dos anos. A principal novidade está no alcance da previsão. Antes limitada a sete dias, ela agora passa a oferecer informações para até 16 dias, permitindo acompanhar a evolução dos swells com muito mais antecedência e planejar viagens, sessões e expedições com uma janela muito maior. O modo Clássico também passa a fazer parte da nova plataforma do Waves e seguirá evoluindo ao lado das demais formas de visualização da previsão. Não se trata de substituir uma experiência pela outra, mas de oferecer mais opções para que cada usuário acompanhe o mar da maneira que preferir. Muito além de uma interface Embora muita gente associe o Clássico ao seu formato visual, o grande diferencial sempre esteve na tecnologia por trás da previsão. O Waves utiliza um modelo de águas rasas, desenvolvido para calcular como a energia das ondas se transforma ao se aproximar da costa. Enquanto grande parte das previsões disponíveis mostra apenas o comportamento das ondas em águas profundas, este modelo representa os processos físicos que acontecem quando as ondulações começam a interagir com o fundo do mar. É nesse momento que fatores como a profundidade, o relevo submarino, ilhas, costões e bancos de areia passam a influenciar diretamente a direção, a velocidade, o comprimento e a altura das ondas. Na prática, isso significa que um mesmo swell pode produzir condições completamente diferentes em praias separadas por poucos quilômetros. É justamente essa transformação que o modelo de águas rasas procura representar, oferecendo ao surfista uma estimativa muito mais próxima daquilo que ele realmente encontrará quando chegar ao pico. Essa tecnologia, utilizada há anos pelo Waves, nasceu da aplicação de modelos científicos originalmente desenvolvidos para estudos costeiros, obras portuárias, engenharia naval e prevenção de desastres. Adaptada ao universo do surf, tornou-se um dos principais diferenciais da previsão e ajudou o Waves a construir sua credibilidade junto à comunidade ao longo de quase três décadas. Cada surfista lê o mar de um jeito Nenhum surfista interpreta a previsão exatamente da mesma maneira. Há quem prefira uma leitura rápida, tradicional e familiar. Outros gostam de explorar gráficos, mapas, novas visualizações e recursos interativos para analisar cada detalhe das condições do mar. Por isso, o retorno do modo Clássico amplia as possibilidades da plataforma e passa a conviver com as demais experiências de visualização disponíveis no Waves. Nosso objetivo é simples: permitir que cada surfista escolha a forma como prefere acompanhar a previsão, sem abrir mão da confiabilidade que sempre esteve no centro do nosso trabalho. O compromisso continua o mesmo O mar muda todos os dias. A tecnologia também. Ao longo dos últimos 28 anos, o Waves evoluiu inúmeras vezes. Novas funcionalidades foram incorporadas, novas ferramentas surgiram e a maneira de consumir informação mudou. Mas uma coisa permaneceu exatamente igual: o compromisso de oferecer uma previsão confiável para ajudar cada surfista a tomar a melhor decisão antes de entrar na água. O retorno do modo Clássico faz parte dessa evolução. Ele preserva uma forma de visualização que marcou a história do Waves, agora integrada a uma plataforma mais completa, com novos recursos e previsão de até 16 dias. Ao longo de quase três décadas, muita coisa mudou no Waves. Mas existe algo que nunca deixaremos de buscar: a confiança de quem consulta a nossa previsão para decidir quando entrar no mar.

    Depois de ouvir a comunidade, o Waves traz de volta a visualização clássica da previsão de águas rasas, agora integrada à nova plataforma e com previsão das ondas para até 16 dias.