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Com que roupa?

Colunista Jun Hashimoto explica quais são as melhores alternativas para uma moda mais sustentável.

Se você abrir o seu guarda-roupa agora, com certeza poderá escolher as suas roupas preferidas. Aquela bermuda de praia que não prende no surfe e seca em alguns minutos, o moletom favorito para checar o mar nas manhãs de inverno, aquela jaqueta que te protege da chuva, a camiseta mais confortável de tanto usar. Nos vestimos e saímos para a vida, e raramente nos damos conta de qual material foi utilizado na sua produção, se o tecido foi fabricado com fibras naturais, sintéticas ou uma mistura delas.

Neste artigo iremos comparar as vantagens e desvantagens do uso de tecidos sintéticos e tecidos naturais na confecção de roupas, a sua funcionalidade e performance assim como os impactos ambientais da sua produção, mostrando alternativas para uma decisão consciente na escolha da sua próxima roupa favorita.

Geralmente, quando adquirimos uma roupa, escolhemos a nossa marca favorita, conhecida pelo estilo de vida que ela traduz, ou pela relação custo/benefício e a sua funcionalidade, ou então pelo visual alinhado às tendências de moda. Porém, se retirarmos os aspectos acima citados e analisarmos um pouco mais a fundo a matéria prima em que a roupa foi feita, chegaremos à conclusão de que a nossa escolha pode trazer benefícios para o nosso planeta.

O que são tecidos naturais e sintéticos?

Os tecidos naturais como o algodão, seda e lã são fabricados com fibras provenientes de animais ou plantas, enquanto os sintéticos são puramente criados pelo homem através de processos químicos, tais como o nylon, poliéster, rayon, acrílico e muitos outros.

O algodão sem dúvida é o tecido preferido dos séculos XIX e XX e vem sendo utilizado por alguns milênios – suas origens datam de época Neolítica (5000 a 6000 A.C.) e foi introduzido em grande escala em torno de 2000 a 1500 A.C. na região da Índia e Paquistão.

Hoje em dia o algodão representa em torno de 40% da produção mundial de roupas.
A primeira fibra sintética foi o Nylon, sintetizada pela empresa DuPont por Wallace Hume Carothers e sua equipe em 1930. Em 1939 passou a ser comercializada na fabricação de meias e meias-calças femininas em grande demanda na época, substituindo a seda por ser “forte como aço e fino como uma teia de aranha”.

Com a Segunda Guerra Mundial, o nylon passou a ser usado na fabricação de material de uso militar, como os paraquedas e suas cordas, e se tornou um sucesso no mundo. As fibras sintéticas derivadas do petróleo haviam chegado para ficar.

A demanda das fibras sintéticas para vestuário, como o poliéster, aumentaram muito após os anos 80. Hoje em dia, o avanço tecnológico aplicado às fibras de poliéster e a combinação com outras fibras fizeram com que muitas marcas famosas incluíssem o Poliéster em suas coleções, estabelecendo-o como a fibra mais utilizada no mundo, superando o algodão. Estima-se que em 2020 a demanda por fibra de poliéster será em torno de 100 milhões de metros cúbicos.

As diferenças e características entre as fibras naturais e sintéticas

Os tecidos fabricados com fibras sintéticas (poliéster) são excepcionalmente duráveis, resistentes e flexíveis. Não encolhem ou amassam e devido a sua natureza sintética, secam rapidamente, o que é uma vantagem para as roupas “outdoor”e de prática de esportes. As fibras sintéticas também são mais baratas de produzir.

Fibras sintéticas: Poliéster
Características

Não permeável (não respira)
Durabilidade e resistência
Não encolhe ou deforma e não amassa
Forte e leve
Fácil tingimento
De fácil cuidado e fácil lavagem
Secagem rápida
Flexibilidade
Não biodegradável

Os tecidos fabricados com a fibra natural, como o algodão, são absorventes e permeáveis, macios ao toque, resistentes e de fácil lavagem. São hipoalergênicos (melhores para peles sensíveis) e confortáveis para o uso o ano inteiro. Sendo natural, tende ao encolhimento e tem pouca resiliência sob pressão.

Fibras naturais: Algodão
Características

Permeável (respira)
Absorvente
Confortável e macio
Retém o tingimento
Fácil de lavar
Boa resistência
Caimento excelente
Biodegradável

Impacto da produção no meio ambiente

A maioria das pessoas prefere o algodão ao poliéster por tratar-se de uma fibra natural, mas, surpreendentemente, se considerarmos o impacto da produção no meio ambiente, as duas fibras são bem similares.

As duas são manufaturadas em usinas de processamento onde passam por múltiplos processos que envolvem enzimas e aditivos como detergentes, amaciadores e descolorantes químicos que em sua maioria são tóxicos para o ser humano e para o meio ambiente.

O algodão industrial requer uma grande área de terra cultivável e muita água para crescer, e utiliza-se maquinário pesado para sua colheita. Estima-se que em torno de 2.700 litros de água são necessários para o cultivo do algodão que é utilizado para se confeccionar uma camiseta. Apesar de recentemente constatar-se certa redução na quantidade, estima se que 25% de todo pesticida usado na agricultura mundial é destinado ao cultivo do algodão.

O poliéster quase não necessita de água para sua produção, mas no processo de produção são usados produtos químicos e agentes tóxicos e cancerígenos, que, se emitidos no ar ou na água sem o devido tratamento, podem causar danos irreversíveis ao meio ambiente. A produção de poliéster utiliza menos energia que a produção do nylon, mas requer o dobro de energia em comparação com o algodão industrial.

O aspecto mais positivo do poliéster e do nylon é que eles podem ser totalmente reciclados e podem ser fabricados a partir de plásticos recicláveis, o que significa que não é necessário utilizar o estoque virgem de sua matéria prima, o petróleo.

O impacto no meio ambiente após a sua produção

O algodão e as fibras naturais são biodegradáveis (material que pode ser decomposto com agentes biológicos) e eventualmente irão se desintegrar após serem descartados.
As fibras sintéticas, porém, não são biodegradáveis e podem levar mais de 30 para começar a se decompor. Além disso, são obtidas a partir de recursos não renováveis como o petróleo e combustíveis fósseis.

As fibras sintéticas, apesar de estarem presentes em nossas roupas e não aparentarem ser plástico, não deixam de trazer as mesmas implicações para o meio ambiente.

Outra preocupação são os resíduos de microplástico e microfibras encontrados nos oceanos, rios e lagos, invisíveis a olho nu, provenientes das águas residuais das máquinas de lavar residenciais e industriais.

Estudos recentes mostram o problema de saúde causado nos plânctons e outros organismos que ingerem estas fibras e as levam até o topo da cadeia alimentar. Pesquisas revelam um grande número de microplásticos nos peixes e crustáceos vendidos nos mercado, e ainda não sabemos das consequências que estes problemas podem trazer no longo prazo.

E agora, quais as opções?

Abaixo estão listadas algumas fibras naturais como opções para substituição do algodão industrial:

Algodão orgânico

Sem dúvida, o algodão orgânico é um grande passo para uma indústria têxtil mais sustentável, livre do uso de pesticidas e adubos químicos. Porém o consumo de água e a utilização de grande área para o seu cultivo é o mesmo.

Cânhamo, mais conhecido como “Hemp”

O cânhamo tem sido cultivado há milênios. Testes de carbono sugerem que os primeiros tecidos de Hemp datam em torno de 8000 A.C.! O cânhamo foi utilizado extensivamente nas frotas dos exploradores do século XV e XVI na confecção de velas e cordas dos galeões e embarcações.

Por ser uma erva, o cânhamo cresce densamente, estrangulando todas as plantas ao seu redor, não necessitando assim de herbicida, e também é naturalmente resistente a insetos, não necessitando de pesticidas, e incrivelmente devolve entre 60% e 70% os nutrientes que retira do solo.

Não somente o cânhamo é delicado com o solo, ele requer pouca água se comparada com o algodão (60% a menos) e utiliza relativamente pouca área para o seu plantio.

O processo de transformação da planta em fibra pode ser feito mecanicamente, mas isso exige muito trabalho e tempo. Com a falta de maquinário adequado e de tecnologia, as empresas que produzem esta fibra o faz quimicamente. Embora o cânhamo seja uma agricultura sustentável, é necessário que o processo de transformação seja de menor impacto para o meio ambiente.

Bambu

O bambu é a planta que cresce mais rapidamente no planeta. O seu cultivo não requer fertilizantes químicos ou pesticidas e utiliza um quarto da água se comparada com o cultivo do algodão. O bambu também é 100% biodegradável.

Existe, porém, uma grande controvérsia no “processo de transformação” desta planta em fibra têxtil. Para transformar a fibra áspera do bambu em um tecido macio, em geral é necessário um processo extensivo utilizando produtos químicos de alta toxicidade semelhante ao de transformar celulose em viscose.

Dessa forma, é sempre aconselhável escolher estas fibras de fábricas que utilizem o processo “Closed Loop”, onde 99% dos solventes químicos são retidos e reciclados.

Tencel

O Tencel é uma fibra feita da celulose retirada da polpa da madeira, mais frequentemente do eucalipto, que é uma planta que cresce em climas áridos e portanto não necessita de muita água, herbicidas ou pesticidas.

O processo de produção dessa fibra é feita através do “Closed Loop”. O solvente utilizado é toxico, porém 99% dele é recuperado e continuamente reciclado, o que torna esse processo ecologicamente correto. Além das vantagens de ser econômico no consumo de água e energia.

O Tencel é uma fibra confortável, durável e de fácil manutenção e 100% biodegradável, que, misturada com outras fibras naturais, realça as qualidades das mesmas.

FLAX ou Linho

As evidências da utilização do FLAX como fibra datam de torno da era Paleolítica, 30.000 anos atrás. Foi cultivada pelos chineses há cerca de 5.000 anos e usada extensivamente no Egito, onde pinturas de flores do FLAX decoram as paredes dos templos. Lá o linho também era usado no processo de mumificação – para os egípcios, o linho era considerado um símbolo de purificação.

O FLAX é melhor cultivado em climas frios e é tolerante a vários tipos de solo. As longas fibras são retiradas do caule da planta e têm em média um metro de comprimento, além de ser melhor e mais durável que o algodão.

Ele não requer pesticidas e consome pouco adubo para se desenvolver, o que torna o linho uma das melhores opções de fibra natural sustentável.

Do momento do plantio até sua colheita há um ciclo de 90 dias. A planta é retirada do solo pela raiz para preservar o comprimento total da fibra. Em seguida ela é exposta à umidade para que o processo biológico natural (Retting) facilite a remoção da fibra de seu caule.

A separação das fibras é feita mecanicamente e estas são enviadas para as usinas de fiação. Por ser uma fibra de baixa flexibilidade, as máquinas fiandeiras devem utilizar uma baixa velocidade, reduzindo a produtividade e aumentando o custo.

Juta

A Juta é uma planta que cresce nas planícies tropicais de clima úmido e necessita de muita chuva para desenvolver-se. É a opção mais econômica dentre as fibras naturais, seguida pelo algodão. Não necessita de herbicidas, adubagem química ou pesticidas e é também 100% biodegradável e reciclável, tornando-se uma opção de baixo impacto no meio ambiente.

O processo de extração da fibra é feito através do “Retting“, no qual a fibra é separada do caule, lavada e seca, e então é enviada para a usina onde é transformada em fio.

A juta tem uma fibra áspera , mas com o avanço tecnológico e a melhora de sua qualidade, pode tornar-se uma alternativa para inúmeras utilizações na indústria têxtil.

Seda

A Seda é uma fibra retirada dos casulos do bicho-da-seda, que se alimenta das folhas de amoreiras, planta que requer pouca adubação química e moderada utilização de pesticidas. É um recurso totalmente renovável e causa menos impacto ao meio ambiente do que a maioria das fibras naturais disponíveis no mercado.

O processo de fabricação dessa fibra requer a morte do bicho-da-seda, para que o casulo seja fervido. Do casulo se extrai um filamento contínuo que, desenrolado, pode ter de 500 a 800 metros, e em alguns casos até 1.400 metros.

Depois da extração este filamento é tratado quimicamente e pode poluir o sistema freático se os resíduos não forem tratados adequadamente. A produção da seda consome muitos recursos, pois requer muita mão de obra e muitos trabalhadores para uma produtividade muito pequena.

Estima-se que cerca de 16 quilos de seda são produzidos por acre (4.160 metros quadrados) de amoreiras.

A lã é uma fibra natural extraída de animais como carneiro, cabrito, alpaca, entre outros. Dependendo do animal ela recebe nomes diferentes, como o cashmere (das cabras), angorá (dos coelhos), alpaca (da alpaca), Merino (dessa raça de carneiro), entre outras.

O pelo que cresce nos animais pode ser tosado anualmente e a fibra da lã é biodegradável, reciclável e portanto altamente renovável. Em produção de grande escala, no caso dos carneiros, é necessária uma grande área para a sua criação, muitas vezes maior do que a agricultura de fibras vegetais. Em grande número, podem causar danos ao ecossistema, causando erosão e produzindo uma grande quantidade de metano que é jogada na atmosfera, contribuindo com o processo de mudanças climáticas.

Para obtermos a lã seguimos as seguintes etapas: tosa, classificação e separação, lavagem e desengorduramento, cardagem e fiação.

Fibras Sintéticas

Não há hoje um substituto natural com as características das fibras sintéticas, como a alta resistência, resiliência e elasticidade. Mas temos a opção de escolher produtos que utilizam o processo de reciclagem.

Há um número crescente de tecidos e tipos de tecidos com poliéster que provém de plástico reciclado e certificado, como a REPREVE, que recicla as garrafas plásticas para produzir os tecidos utilizados em sportswear e swimwear.

A empresa Econyl produz fibras de nylon para a indústria têxtil, reciclando lixo plástico como redes de pesca e carpetes industriais. O processo está em recolher o lixo, limpar e destruir em pequenas partes e tratar em um procedimento chamado Depolymerization, que retorna este plástico a sua forma original, similar ao petróleo. Este material é novamente transformado em nylon. Estas e outras tecnologias irão ajudar a limpar os oceanos e reciclar as fibras sintéticas utilizando o processo “Closed Loop“.

Como alternativa para o Elastano existe hoje no mercado o T162R, que é uma fibra 70% bioderivada da dextrose do milho. Foi desenvolvida pela empresa Invista, detentora da marca Llycra.

O que podemos fazer?

Sabemos que hoje é impossível substituirmos o algodão ou o poliéster como matéria-prima nas roupas que vestimos. Seria uma grande hipocrisia dizer que devemos abandonar completamente o uso do plástico em um mundo dominado por ele, mas é de grande urgência termos consciência desse problema e reduzirmos o uso do plástico no nosso dia a dia.

Sempre que possível, devemos escolher roupas com fibras naturais orgânicas, e no caso de roupas de performance, que utilizam as fibras sintéticas, fique com a opção de comprar roupas feitas de poliéster reciclado. Devemos também comprar roupas de melhor qualidade com mais tempo de vida e de uso mais prolongado, e sempre somente de acordo com a necessidade. Além de lavar as roupas somente quando for necessário.

Sempre verifique o conteúdo das fibras das roupas e torne a sua próxima compra em uma opção de escolha consciente.

A Terra agradece.

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    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

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    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Em inglês: Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) x Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) x Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) x Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) x Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) x João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) x Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) x Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) x Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) x Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) x Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) x Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) x Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) x Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) x vencedor da bateria 64 vencedor da bateria 7 x vencedor da bateria 8 Feminino Round 1 Sally Fitzgibbons (AUS) × Anat Lelior (ISR)Tya Zebrowski (FRA) × Erin Brooks (CAN)Isabella Nichols (AUS) × Vahine Fierro (FRA)Stephanie Gilmore (AUS) × Yolanda Hopkins (POR)Alyssa Spencer (EUA) × Bella Kenworthy (EUA)Bettylou Sakura Johnson (HAV) × Brisa Hennessy (CRC)Nadia Erostarbe (ESP) × Francisca Veselko (POR)Tyler Wright (AUS) × Kelia Gallina (TAH) Round 2 Caroline Marks (EUA) × Tya Zebrowski (FRA) ou Erin Brooks (CAN)Molly Picklum (AUS) × Alyssa Spencer (EUA) ou Bella Kenworthy (EUA)Sawyer Lindblad (EUA) × Isabella Nichols (AUS) ou Vahine Fierro (FRA)Lakey Peterson (EUA) × Nadia Erostarbe (ESP) ou Francisca Veselko (POR)Gabriela Bryan (HAV) × Sally Fitzgibbons (AUS) ou Anat Lelior (ISR)Caitlin Simmers (EUA) × Tyler Wright (AUS) ou Kelia Gallina (TAH)Luana Silva (BRA) × Stephanie Gilmore (AUS) ou Yolanda Hopkins (POR)Caity Simmers (EUA) × Bettylou Sakura Johnson (HAV) ou Brisa Hennessy (CRC)

    Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.

    No início da década de 1980, Paulo Bittencourt, o Biteka, decidiu seguir rumo ao Oceano Pacífico. O objetivo era simples e, ao mesmo tempo, imenso: encontrar grandes ondas da maneira que seu orçamento permitia. Mais do que chegar ao Peru e ao Equador, queria viver cada quilômetro daquela aventura. A viagem começou na histórica Estação da Luz, em São Paulo, seguindo de trem até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Dali atravessou a fronteira a pé até Puerto Quijarro, na Bolívia, onde embarcou no lendário Trem da Morte. Levava duas pranchas especialmente construídas pelo mestre Oracio Cocada para enfrentar as ondas do Pacífico: uma 7’2″ e uma 5’11” biquilha em EPS, ambas com inovadoras longarinas de madeira de cinco centímetros, produzidas com madeira cuidadosamente selecionada na Mata Atlântica. Na mochila cabia apenas o indispensável. Entre poucas roupas estavam sua faixa de Taekwondo, um nunchaku e os ensinamentos do mestre Taney Campos. Para Biteka, surfe e artes marciais sempre caminharam lado a lado, uma ligação que ele hoje reconhece também na forte presença do jiu-jitsu entre surfistas de todo o mundo. O Trem da Morte seguia lentamente por cerca de 600 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra. Os bancos eram de ripas de madeira e, a cada parada, embarcavam indígenas, comerciantes, famílias, galinhas e mercadorias. O vagão ia ficando cada vez mais cheio. Em alguns momentos, mães colocavam seus filhos pequenos em seu colo para descansar durante a viagem. Antes mesmo de alcançar o mar, a aventura já se revelava nas pessoas encontradas pelo caminho. Depois de alguns dias de descanso e de treinos em uma academia de Taekwondo, seguiu de ônibus para Cochabamba. As pranchas viajavam amarradas sobre o bagageiro enquanto a antiga Rota 7 serpenteava pelas montanhas, desfiladeiros e curvas da Cordilheira dos Andes. Dois dias depois, partiu para La Paz. Na subida da Cordilheira, a locomotiva parecia lutar contra a montanha. A velocidade diminuía enquanto a altitude retirava o oxigênio de passageiros e motor. O soroche – mal das montanhas – aproximava desconhecidos, que dividiam remédios, conselhos e solidariedade. Ali compreendeu por que aquela ferrovia carregava um nome tão marcante. Em La Paz, impressionaram a resistência do povo andino, os carregadores transportando enormes volumes pelas ladeiras, os tecidos coloridos e a delicada arte em prata. Antes de deixar o litoral brasileiro, havia separado algumas conchas das praias pela beleza de suas formas. Trocá-las por pequenas peças de prata tornou-se uma das lembranças mais especiais da viagem e uma inesperada aproximação entre duas culturas ligadas pelo mar. A viagem prosseguiu margeando o Lago Titicaca. Os Caballitos de Totora, construídos com junco, pareciam ligar a história dos povos andinos às primeiras formas de deslizar sobre as águas do Pacífico. Ao cruzar a fronteira entre Bolívia e Peru, retirou as pranchas da capa para explicar às autoridades o que era o surfe. Olhou ao redor e, sem perceber, as lágrimas começaram a cair. Eram lágrimas de alegria. Depois de tantos quilômetros percorridos, o Oceano Pacífico finalmente estava ao seu alcance. A partir dali começava outra grande aventura: Punta Hermosa, Punta Rocas, Chicama, Máncora, Montañita e Galápagos. Histórias que ficarão para outro capítulo. Ao recordar essa jornada, Biteka ajuda a preservar a memória de um tempo em que viajar era aceitar o desconhecido, aprender com diferentes culturas e descobrir que, muitas vezes, o caminho era tão importante quanto o destino. Uma época que convida a refletir sobre a verdadeira essência do surfe: a aventura, o respeito à natureza e a busca constante pela evolução. Paulo Bittencourt (Biteka), nascido em Santos (SP), é surfista desde a década de 1970. Aos 65 anos continua surfando, filmando e produzindo documentários independentes sobre as culturas do surfe. Acompanhe as publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Paulo Bittencourt, o Biteka, que cruzou a América do Sul rumo ao Pacífico em uma jornada que se tornou um marco de aventura, resiliência e paixão pelo surfe.

    Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto, e os modelos indicam um cenário promissor logo na abertura. A expectativa é de muito swell nos primeiros dias, embora o vento possa influenciar diretamente a qualidade das condições ao longo da etapa. Os modelos de previsão apontam ondas entre 3 e 4 metros de face na abertura da janela, com séries podendo alcançar até 5 metros. Se a previsão se confirmar, o domingo (9) pode apresentar as maiores ondas da janela de competição, com algumas séries podendo ultrapassar até mesmo os 6 metros. Apesar do tamanho das ondas, a previsão indica predominância do vento de sudeste, que costuma prejudicar a qualidade das condições em Teahupoo. Conhecido localmente como Maaramu, este vento traz consigo a estação mais seca e fria, afetando as condições de navegação e surfe na região. Na prática, isso significa um cenário de muito tamanho, mas com condições potencialmente mais difíceis para os atletas. Entre os dias 11 e 12 de agosto, a previsão sugere uma combinação mais favorável, reunindo ventos mais favoráveis, ondas ainda com bom tamanho e boas possibilidades para a realização da competição. Depois desse período, o Maraamu pode voltar a ganhar força. Para o restante da janela, o cenário ainda é instável nos modelos de previsão. Existe a possibilidade de uma nova ondulação forte durante a segunda metade do evento, mas as próximas atualizações deverão trazer uma definição mais precisa. Medina embarca para o Taiti em momento delicado Às vésperas da etapa de Teahupoo, Gabriel Medina, um dos maiores nomes da história deste evento, embarcou para o Taiti vivendo um momento delicado fora d’água. O tricampeão mundial e sua esposa Isabella Arantes perderam o filho que esperavam após a gestação não evoluir. Mesmo diante da notícia, ele seguiu viagem para o Taiti, onde disputará uma etapa importante na reta final do Championship Tour. Atual quarto colocado do ranking mundial, o tricampeão segue na disputa pelo título da temporada. Kelly Slater lidera lista de convidados da etapa A WSL confirmou Kelly Slater como convidado da etapa de Teahupoo. Dono de 11 títulos mundiais e cinco vitórias na onda taitiana, o norte-americano retorna ao CT em busca de mais um resultado expressivo em um dos palcos mais marcantes de sua carreira. Além de Slater, também foram confirmados os taitianos Eimeo Czermak e Kelia Gallina, vencedores das Tahiti Trials, seletiva local que reuniu mais de 36 surfistas. Aos 13 anos, Gallina disputará o evento principal pelo segundo ano consecutivo e tentará aproveitar a experiência adquirida em 2025. Já Czermak fará sua estreia no Championship Tour após finalmente conquistar a classificação para a etapa em sua onda de casa. Horário das chamadas As chamadas da WSL costumam acontecer por volta das 7h30 da manhã no Taiti, o que normalmente corresponde às 14h30 no horário de Brasília. Esse horário pode variar de acordo com as condições do mar. A primeira chamada acontece neste sábado (8). Chaves de baterias Masculino Round 1 Ramzi Boukhiam (MAR) × Oscar Berry (AUS)Luke Thompson (AFS) × Matthew McGillivray (AFS)Seth Moniz (HAV) × Eimeo Czermak (TAH)Eli Hanneman (HAV) × Kelly Slater (EUA) Round 2 Kauli Vaast (FRA) × Crosby Colapinto (EUA)Samuel Pupo (BRA) × Alan Cleland (MEX)Yago Dora (BRA) × Seth Moniz (HAV) ou Eimeo Czermak (TAH)Marco Mignot (FRA) × Barron Mamiya (HAV)Filipe Toledo (BRA) × Connor O’Leary (JAP)Italo Ferreira (BRA) × Luke Thompson (AFS) ou Matthew McGillivray (AFS)Liam O’Brien (AUS) × Jake Marshall (EUA)Ethan Ewing (AUS) × Joel Vaughan (AUS)Leonardo Fioravanti (ITA) × Ramzi Boukhiam (MAR) ou Oscar Berry (AUS)Morgan Cibilic (AUS) × João Chianca (BRA)Kanoa Igarashi (JAP) × Alejo Muniz (BRA)George Pittar (AUS) × Cole Houshmand (EUA)Gabriel Medina (BRA) × Eli Hanneman (HAV) ou Kelly Slater (EUA)Jack Robinson (AUS) × Callum Robson (AUS)Griffin Colapinto (EUA) × Rio Waida (IND)Miguel Pupo (BRA) × Mateus Herdy (BRA) Feminino Round 1 Sally Fitzgibbons (AUS) × Anat Lelior (ISR)Tya Zebrowski (FRA) × Erin Brooks (CAN)Isabella Nichols (AUS) × Vahine Fierro (FRA)Stephanie Gilmore (AUS) × Yolanda Hopkins (POR)Alyssa Spencer (EUA) × Bella Kenworthy (EUA)Bettylou Sakura Johnson (HAV) × Brisa Hennessy (CRC)Nadia Erostarbe (ESP) × Francisca Veselko (POR)Tyler Wright (AUS) × Kelia Gallina (TAH) Round 2 Caroline Marks (EUA) × Tya Zebrowski (FRA) ou Erin Brooks (CAN)Molly Picklum (AUS) × Alyssa Spencer (EUA) ou Bella Kenworthy (EUA)Sawyer Lindblad (EUA) × Isabella Nichols (AUS) ou Vahine Fierro (FRA)Lakey Peterson (EUA) × Nadia Erostarbe (ESP) ou Francisca Veselko (POR)Gabriela Bryan (HAV) × Sally Fitzgibbons (AUS) ou Anat Lelior (ISR)Caitlin Simmers (EUA) × Tyler Wright (AUS) ou Kelia Gallina (TAH)Luana Silva (BRA) × Stephanie Gilmore (AUS) ou Yolanda Hopkins (POR)Caity Simmers (EUA) × Bettylou Sakura Johnson (HAV) ou Brisa Hennessy (CRC) Galeria de campeões do Tahiti Pro 1999 – Mark Occhilupo (AUS)2000 – Kelly Slater (EUA)2001 – Cory Lopez (EUA)2002 – Andy Irons (HAV)2003 – Kelly Slater (EUA)2004 – C.J. Hobgood (EUA)2005 – Kelly Slater (EUA)2006 – Bobby Martinez (EUA)2007 – Damien Hobgood (EUA)2008 – Bruno Santos (BRA)2009 – Bobby Martinez (EUA)2010 – Andy Irons (HAV)2011 – Kelly Slater (EUA)2012 – Mick Fanning (AUS)2013 – Adrian Buchan (AUS)2014 – Gabriel Medina (BRA)2015 – Jeremy Flores (FRA)2016 – Kelly Slater (EUA)2017 – Julian Wilson (AUS)2018 – Gabriel Medina (BRA)2019 – Owen Wright (AUS)2020 – Não realizada (COVID-19)2021 – Não realizada (Cancelada)2022 – Miguel Pupo (BRA)2023 – Jack Robinson (AUS)2024 – Italo Ferreira (BRA)2025 – Jack Robinson (AUS)

    Primeira chamada para etapa do Tahiti acontece sábado (8) às 14h30 (de Brasília). Previsão indica swell consistente. Medina embarca para evento e WSL divulga baterias, com Kelly Slater convidado.

    O Waves passa a oferecer, a partir de hoje, o modo Clássico de visualização da previsão de águas rasas. A novidade já está disponível na plataforma e pode ser acessada pelo botão “Clássico”, localizado na página da previsão detalhada de todos os picos. A experiência retorna preservando a forma de leitura que acompanhou gerações de surfistas, integrada ao novo Waves e com uma evolução importante: a previsão passa de sete para até 16 dias. Clique aqui para visualizar o modelo clássico Desde o lançamento da nova plataforma, recebemos centenas de mensagens com sugestões, elogios, dúvidas e críticas sobre a experiência da previsão. Cada uma delas foi lida com atenção pela nossa equipe. Afinal, ninguém conhece melhor o Waves do que quem consulta a previsão todos os dias antes de entrar no mar. Ao longo de quase três décadas, aprendemos que evoluir também significa saber ouvir. E foi justamente desse diálogo com a comunidade que nasceu a decisão de trazer de volta a visualização Clássica, ampliando as formas de acompanhar a previsão e permitindo que cada surfista escolha a experiência que faz mais sentido para ele. O Clássico evoluiu junto com o Waves Quem já utilizava a visualização Clássica vai encontrar uma experiência muito familiar. A organização das informações, os mapas, os gráficos e a forma de interpretar a previsão permanecem praticamente os mesmos, preservando a leitura que se tornou referência para milhões de surfistas ao longo dos anos. A principal novidade está no alcance da previsão. Antes limitada a sete dias, ela agora passa a oferecer informações para até 16 dias, permitindo acompanhar a evolução dos swells com muito mais antecedência e planejar viagens, sessões e expedições com uma janela muito maior. O modo Clássico também passa a fazer parte da nova plataforma do Waves e seguirá evoluindo ao lado das demais formas de visualização da previsão. Não se trata de substituir uma experiência pela outra, mas de oferecer mais opções para que cada usuário acompanhe o mar da maneira que preferir. Muito além de uma interface Embora muita gente associe o Clássico ao seu formato visual, o grande diferencial sempre esteve na tecnologia por trás da previsão. O Waves utiliza um modelo de águas rasas, desenvolvido para calcular como a energia das ondas se transforma ao se aproximar da costa. Enquanto grande parte das previsões disponíveis mostra apenas o comportamento das ondas em águas profundas, este modelo representa os processos físicos que acontecem quando as ondulações começam a interagir com o fundo do mar. É nesse momento que fatores como a profundidade, o relevo submarino, ilhas, costões e bancos de areia passam a influenciar diretamente a direção, a velocidade, o comprimento e a altura das ondas. Na prática, isso significa que um mesmo swell pode produzir condições completamente diferentes em praias separadas por poucos quilômetros. É justamente essa transformação que o modelo de águas rasas procura representar, oferecendo ao surfista uma estimativa muito mais próxima daquilo que ele realmente encontrará quando chegar ao pico. Essa tecnologia, utilizada há anos pelo Waves, nasceu da aplicação de modelos científicos originalmente desenvolvidos para estudos costeiros, obras portuárias, engenharia naval e prevenção de desastres. Adaptada ao universo do surf, tornou-se um dos principais diferenciais da previsão e ajudou o Waves a construir sua credibilidade junto à comunidade ao longo de quase três décadas. Cada surfista lê o mar de um jeito Nenhum surfista interpreta a previsão exatamente da mesma maneira. Há quem prefira uma leitura rápida, tradicional e familiar. Outros gostam de explorar gráficos, mapas, novas visualizações e recursos interativos para analisar cada detalhe das condições do mar. Por isso, o retorno do modo Clássico amplia as possibilidades da plataforma e passa a conviver com as demais experiências de visualização disponíveis no Waves. Nosso objetivo é simples: permitir que cada surfista escolha a forma como prefere acompanhar a previsão, sem abrir mão da confiabilidade que sempre esteve no centro do nosso trabalho. O compromisso continua o mesmo O mar muda todos os dias. A tecnologia também. Ao longo dos últimos 28 anos, o Waves evoluiu inúmeras vezes. Novas funcionalidades foram incorporadas, novas ferramentas surgiram e a maneira de consumir informação mudou. Mas uma coisa permaneceu exatamente igual: o compromisso de oferecer uma previsão confiável para ajudar cada surfista a tomar a melhor decisão antes de entrar na água. O retorno do modo Clássico faz parte dessa evolução. Ele preserva uma forma de visualização que marcou a história do Waves, agora integrada a uma plataforma mais completa, com novos recursos e previsão de até 16 dias. Ao longo de quase três décadas, muita coisa mudou no Waves. Mas existe algo que nunca deixaremos de buscar: a confiança de quem consulta a nossa previsão para decidir quando entrar no mar.

    Depois de ouvir a comunidade, o Waves traz de volta a visualização clássica da previsão de águas rasas, agora integrada à nova plataforma e com previsão das ondas para até 16 dias.