Turco Loco encara a terceira onda eleitoral

Conheço o Turco Loco há vários anos, desde o meio dos 80, quando eu era empresário do Ratos de Porão e o encontrava no circuito sub de São Paulo. Naquele tempo ele era dono da rede de lojas Surf Combat e marcou época com sua publicidade underground, veiculada semi-clandestinamente pela TV Gazeta, no meio da madrugada.

 

Ele arrematava estoques encalhados e peças com pequenos defeitos das principais marcas de surfwear e revendia a preço de banana em liquidações-relâmpago no centro da cidade. Durante as gravações dos anúncios, criou no grito o personagem Turco Loco, à imagem do feirante que foi quando moleque.

 

Para quem fazia publicidade tosca feito o punk rock do Ratos, foi natural ele virar patrocinador da banda. Aí, já tinha a marca Vision na parada. Ele também apostou no Sepultura e se deu bem. Nunca uma banda de rock brasileira fez tanto sucesso internacional.

 

Enquanto a Vision crescia no segmento skate, não só em venda de produtos mas também como marca apoiadora e patrocinadora de campeonatos, Turco também deu atenção à galera hip-hop, como o rap maneiro do Câmbio Negro, de Brasília, do rapper X, o primeiro.

 

Por conta de sua articulação nos movimentos underground, lançou-se para a política, foi eleito suplente de vereador em 92,  assumiu o cargo em 95, foi eleito deputado estadual em 98 e agora busca a reeleição. Pai de três filhos, 37 anos, nesta entrevista ele diz que sempre teve que correr atrás. “Se eu achasse que era impossível fazer o que fiz, não teria feito”, garante o candidato.

 

 

Como a política seduz um empresário bem colocado no segmento skate-surf-music?

 

O que mais me seduziu foi ter a condição de trabalhar para o jovem e as propostas alternativas em que acredito. Quando comecei na vida pública, era comum ver rapper sendo preso. Hoje em dia, você não vê um rapper preso porque ele canta e passa aquilo que gosta – o que acredita ser verdade – nas suas músicas. Você observava skatistas tendo o skate apreendido. Atualmente isso também é uma coisa que não se vê mais.

 

Há cidades onde é proibido andar de skate e tocar rap, mas isso está mudando.
Hoje, você vê um campeão mundial de skate revelado em São Paulo. Acontece que a partir de 95 começamos a investir nos campeonatos de skate, incentivando a molecada. É lógico que temos talentos, demos sorte de ter o Bob [Burnquist]. As festas alternativas, antes taxadas de “festas de malucos”, hoje acontecem sem brigas nem incidentes. O cenário do rock também cresceu pra caramba porque damos apoio.
Só neste atual mandato realizamos mais de 300 eventos. Durante toda minha gestão política foram mais de 1.500.

 

De que consiste esse apoio?

 

Pode ser de logística ou de solicitações à Justiça, pedindo isonomia, quer dizer, o mesmo direito de tratamento perante todos os segmentos culturais. Isso porque, às vezes, em uma praça é proibido ter show de rock, enquanto show de forró pode.

 

Isso implica em utilização de verba pública?

 

Às vezes sim, outras não. Dependendo do evento, você tem uma liberação de verba pública, feita através de convênio entre a Secretaria de Cultura e Esportes, que passa pelo Ministério Público, para aprovação das contas, e ela vai direto para as associações.
O apoio logístico acontece, por exemplo, para fazer um campeonato mundial no Ginásio do Ibirapuera.

 

Quando iriam liberar o skate no Ginásio do Ibirapuera, que já recebe campeonatos importantes de basquete, entre outros? Nunca! Hoje em dia ali são realizados campeonatos de karatê, jiu-jitsu, eventos de grafiteiros, break, hip-hop.
As escolas públicas estavam totalmente depenadas quando criamos a Secretaria da Juventude. Agora, nos finais de semana, as escolas da periferia têm eventos de capoeira, teatro, dança, futebol, skate. Isso tudo é uma conquista.

Onde tem esporte e cultura o índice de violência é menor. E onde não tem, o índice é maior. Isso eu sei. Quando chego num evento, pergunto: “o que você estaria fazendo se não estivesse aqui?”. “Estaria assistindo televisão”, respondem. O que uma criança aprende assistindo TV aberta na periferia?

 

Em 92 você era candidato a vereador e demonstrava descrédito pela classe política. E agora, como avalia seus colegas?

 

Continua a mesma coisa. Há outros candidatos com propostas modernas e contemporâneas. Não sou o único. Tem muita gente boa. Mas tem que ter mais. Tem a máfia do mal. Então, vamos fazer a do bem. Por que não pode ter a do bem?

 

De que maneira os políticos tradicionais encaram o setor dos esportes de ação?

 

Não entendem. Eu continuo falando inglês e eles falando japonês. Eles tentam decupar. Aconteceu um fato gozado, do líder da minha bancada, uma pessoa que adoro, um político sério e honesto, deputado Sidnei Dourado. Ele falou que só entendeu um pouco da minha proposta quando comentou com sua filha que estava nervoso por minha causa e ela contou a ele toda minha história. A garota mora em São José do Rio Pardo e conhecia minha vida. Quer dizer, ele não sabe o que acontece em lugares como Diadema porque só trabalha a questão regional.
Não tenho que ser o deputado do skate. Eu sou deputado de São Paulo. Então, é meu problema o que ocorre na Febem. É meu problema também o que acontece na Detenção.

 

Por falar em segurança, a Febem foi o calcanhar de aquiles dos oito anos de PSDB no governo de São Paulo. Quais os planos do seu partido para combater a intolerável onda de violência atual?

 

Da Febem hoje em dia quase não se ouve mais falar.

 

Recentemente houve problemas em Franco da Rocha.

 

Mudamos a cara da Febem. Agora são unidades menores, descentralizadas. Os   menores são divididos de acordo com a infração e a idade. Procuramos colocar quadras de futebol, adotar atividades esportivas e culturais, dar acompanhamento psicológico.

 

Há planos de levar esportes à Febem?

 

A grade de atividades da Febem já está perfeita. Os menores têm aulas de capoeira, skate, hip-hop, instrumentos musicais, percussão. Estamos proporcionando capacitação e qualificação para esses garotos e, às vezes, eles até vêm à Assembléia Legislativa. Queremos melhorar a cara da Febem. Constantemente tenho visitado a unidade do Tatuapé.

Estamos desativando a unidade Imigrantes, onde fizemos um grande parque esportivo, mantendo uma unidade educacional para os garotos cujos delitos são pequenos. Esse é um trabalho também da Secretaria de Juventude. Tudo isso foi uma conquista que leva um tempo para consolidar. Até então, nunca havia sido feito nada.

 

Jovens participam da Secretaria?

 

Toda a coordenadoria é formada por pessoas na faixa de 30 anos. A secretária da Juventude, Luciana Tomer, tem cerca de 32 anos. Passamos a Febem para essa Secretaria.
 
Como divide seu tempo entre o empresário e o político?

 

Estou quase saindo da minha empresa. Estamos criando um modelo de administração e vou entrar como conselheiro. Saio do cargo executivo para trabalhar como conselheiro. Isso já vem acontecendo, porque eu não tinha mais tempo para tomar as decisões e executá-las. Mas, as pessoas gostam de escutar o que falo, de saber o que eu penso. Procuro dedicar umas quatro horas por dia à empresa, sendo que chego lá pela manhã e depois venho para a Assembléia no início da tarde, onde fico até as 10 da noite. Isso até quinta-feira, quando o plenário encerra às quatro e meia e tento chegar em casa lá pelas sete, oito, para ficar com as crianças. Aos domingos, não abro mão de ficar com meus filhos.

 

Como andam os negócios?

 

Minha empresa é a K2. A marca Vision foi devolvida aos americanos. Eu represento a Cavalera, a AVB, e a V.Rom, uma marca nova que estamos introduzindo no mercado.

Durante a abertura da feira Surf & Beach 2000, o então vice-governador Geraldo Alckmim utilizou o termo “haole” no discurso.  O que os surfistas podem esperar de um novo governo Alckmin e de você em particular?

 

Nossa verba na área de esportes é ridícula, corresponde a 0,13% do orçamento estadual, cerca de R$ 150 milhões por ano. É nada. Quando você vê o governador usar termos do segmento, como eu não sou só o deputado do surf, do skate e do rock, explico para ele sobre a importância do setor, que tem um orçamento de R$ 40 bilhões anuais. Ele, com seus 47 anos, tem sensibilidade para entender a importância do segmento até pela votação que tive – cerca de 70 mil votos.

 

Qual o balanço deste seu mandato como deputado estadual?

 

Bem, como vereador, tive dois mandatos cortados pela metade. Neste mandato, estamos inaugurando mais de 100 pistas de skate no Estado. Como vereador, foram cinco pistas. Nesta gestão, inauguramos uma pista e uma quadra esportiva por semana, em todas as regiões, além de centenas de outros eventos como shows de rap e rock, e apoio em campeonatos de surf e vários outros esportes.

 

Até onde vai sua ambição política?

 

Até onde as pessoas acharem que tem que ir. Não sou eu quem decide.

 

Você gostaria de ir para Brasília?

 

Se eu quisesse já teria ido. Eu tive votação para ser deputado federal. O partido quis que eu fosse para defender essa bandeira no Congresso.

 

E que tal essa responsabilidade?

 

Eu nasci praticamente na favela de Heliópolis, a uma quadra dali. Vendia saco de farinha de porta em porta. Fui feirante, trabalhei no Brás. Não fiquei rico. Com 17 anos eu já era empresário. E, aos 20, já tinha dois filhos. Toda minha história está ligada ao sucesso. Vision, Cavalera… Moro num apartamento de 100 metros quadrados, tenho uma casa legal na praia, um Vectra 96. Uso roupas de brechó, além de roupas que fabrico e algumas marcas legais. Fico no meio da moçada o tempo todo. O que me faz feliz é o sol, o mar e a lua.

 

Você é contra ou a favor da pena de morte?

 

Pena de morte, nunca.

 

E a questão do aborto, qual sua opinião?
 
Você não pode tirar o direito das pessoas terem os filhos. Você tem que conscientizar as pessoas em relação ao planejamento familiar. Agora, uma pessoa que faz aborto está matando uma vida. Qual a diferença de um nenê de 1 ano para um de 1 mês?

 

Se o Serra não passar para o segundo turno, em quem você vai votar?

 

Lula.

 

Quem você admira no cenário da política?

 

Eu não tinha admiração por ninguém até conhecer o Mário Covas e o Geraldo Alckmin. São os dois que admiro. O Mário falava coisas muito sábias, como: “Fale bem por trás, fale mal na frente”. Ou ainda, “seja verdadeiro porque a mentira será descoberta pelos outros, mesmo que você não queira”. Covas também falava que só existem conquistas com trabalho.

Essas pequenas palavras têm um significado muito grande para mim. Ele comentava comigo que eu só falava de surf e skate e eu dizia que tinha sido eleito por esse povo, que se ele não quisesse fazer, tudo bem. Mas eu não ia pedir para construir ponte. Foi quando ele disse que eu tinha ganho a confiança dele, pois o tinha peitado por uma coisa em que eu acreditava.
E admiro o Alckmin pela capacidade administrativa e pelo jeito humilde. Ele conhece o Estado de ponta a ponta e sabe tudo o que está acontecendo, o que é bom ou não. Ele tem base, uma sensibilidade muito grande. Fui com ele à Galeria do Rock e fomos muito bem recebidos. Para quem não sabe, lá existe uma oficina cultural bancada pelo Estado.

 

Você acredita na reeleição?

 

Vou fazer política independente de ser deputado ou não. Vou contestar o que não acredito, elogiar o que acho certo. Tenho uma ferramenta na mão que é o que eu penso.

 

Se não for eleito vai continuar engajado em questões políticas?

 

Politicamente, não. Posso montar uma ONG, por exemplo.

 

Caras influentes como o Fred d’Orey acham sua postura demagógica. O que você diria para ele?

 

Que venha discutir política comigo.

 

Como fazer a juventude se aproximar da política?

 

Isso depende mais de você do que de mim. Você tem a mídia.

 

A mídia está aí para divulgar e criticar as ações dos políticos.

 

A mídia só divulga notícia ruim dos políticos. Notícia boa não é divulgada.

 

Bem, a imprensa especializada em surfe e skate teve importante papel para sua eleição, não é?

 

Isso eu não discuto. Mas a grande imprensa não dá o devido valor. Agora, eu quero ver quem tem coragem de ficar no gabinete para atender a moçada.

 

Depois desses anos na política em que medida você evoluiu como cidadão?

 

Eu descobri meus direitos. Quando fui abordado na estrada e os policiais jogaram maconha no meu carro – eu nunca fumei um baseado e você sabe disso –  eles perguntaram se eu queria ser preso. Eu afirmei que queria. Eles falaram que eu era louco e que fariam “um acerto”. Aí, eu disse que ou eu iria preso ou eu os levaria pra cadeia. Quem já não foi parado logo no início de Parati?

 

Você pediu para ser preso? Como foi?

 

Aí, o cara falou: “Vamos”. E eu disse ok. Falei que conhecia meus direitos. Aí, ele me mandou embora e nem quis dar a mão para mim.

 

Você já era deputado?

 

Eu tinha sido eleito deputado e estava a caminho de um evento da Surfrider Foundation.  Por que um policial tem que dar um tapa na cara de algum indivíduo? Só porque ele é preto ou é da periferia?

 

Como o Estado deve lidar com a questão das drogas?

 

Fui o único deputado a defender a Soninha quando ela foi despedida da TV Cultura por afirmar que fumava maconha. Sou contra as drogas, mas a favor do usuário.

 

Por que?

 

Porque acho que o uso de droga não pode ser considerado crime. Mas, em contrapartida, você não pode legalizar as drogas. Tem que discriminalizar a maconha, diferenciá-la das outras drogas. Está na hora. Vamos falar de segurança? Então, feche os bares clandestinos que tem por aí. Cairiam em 50% os crimes em SP.

 

O que aconteceu entre você e o Igor em relação à marca Cavalera?

 

Tínhamos um acordo, que no entendimento dele foi cumprido. E, no meu entendimento, ele não cumpriu nosso acordo. Com a saída do Max do Sepultura, ele ficou um pouco chateado e acabou não se dedicando à marca. E, quando ela tomou o caminho da moda, ele quis mudar o conceito de um trabalho que estava dando certo e eu disse que não queria. Gosto muito dele e o Sepultura é a banda que mais gosto. Só que temos que separar amizade e estilo musical dos negócios. Se há casamentos que acabam sendo desfeitos, por que não existiria sociedade desfeita? Quando começamos, era eu e ele, mas o pacote veio junto.

 

Pacote, como assim?

 

O pacote é a família.

 

E?

 

E a gente não se fala mais em função do negócio. Eu adoro o Igor, ele é o melhor baterista do mundo. O Sepultura é a melhor banda do mundo. Falo isso onde for.

 

Esta pendência com ele pode gerar prejuízo político?

 

Ele é quem sabe. A única maneira que ele tem para me atacar é falar que não deu certo minha sociedade com ele. Eu só não quis ser mais sócio dele. É um direito que me cabe. Agora, pergunta para ele quantas vezes ele foi à fábrica no período em que estávamos juntos? Eu também quero ficar assistindo televisão, levar o filho para casa e ganhar dinheiro. Só que eu não consigo. Só consigo ganhar dinheiro trabalhando. A gente conseguiu dar uma cara de moda para a Cavalera, estávamos no principal evento de moda do Brasil (São Paulo Fashion Week) por uma conquista minha. O dia que ele quiser sentar comigo e conversar, sento a hora que ele quiser. Só não quero que ele venha com o discurso da esposa dele.

 

Você pratica algum esporte?

 

Eu estou pegando onda. Meu maior sonho era pegar onda. Acompanho campeonatos de surfe desde 82. É uma coisa louca como uma onda perfeita me fascina, fico hipnotizado. Nunca tive tempo e também tinha medo de água. Depois, comecei a mergulhar e tirei carteirinha. Adoro snowboard, que pratico com meus filhos. Acho  até que ando bem, pelo pouco tempo que pratico e pela freqüência. Aí, resolvi pegar onda. Coloquei na cabeça e contratei um personal-trainer, personal-surfer neste caso, que dá aulas apenas para mim.
Comecei com o Mark Lund, do bar Legends. Depois, com o Romeu Andreatta, da revista Alma Surf. E agora estou com o Luis Henrique, o “Boneco”, pai daquele garoto Adriel que surfa em Maresias.
Treino remada na areia e os caras tiram sarro da minha cara. Paguei vários micos e, depois de tomar vários caldos, comecei a pegar umas ondas. Estou enlouquecido por pegar onda. Foi a melhor sensação da minha vida, um momento mágico.

 

Alguns usuários do Waves criticaram uma propaganda sua. Como recebe as críticas de pessoas de seu reduto eleitoral?

 

Eu acho que é um direito de cidadania que elas têm. Tenho várias mídias parceiras de minha candidatura, como a 89 FM, revistas Trip, Fluir, TPM e Tribo, Waves, que cederam espaço gratuitamente. Se você vê candidatos nos segmentos dos evangélicos, da área rural, por que o surf não pode ter o candidato dele? Independentemente de ser do esporte, há o segmento por trás que desenvolve esse esporte. O que seria da surfwear, dos surfistas, sem patrocínio? O que seria dos patrocinadores sem evento? O que seria do evento sem a mídia? Se eu estiver errando em alguma coisa, vou procurar corrigir.
Todo poder emana do povo. O poder que tenho aqui não é meu, é do povo. Eu estou exercendo esse poder, mas não o tenho. Eu queria que essas pessoas que reclamaram procurassem saber mais sobre meu mandato, pedissem explicações. Eu quero que as pessoas acompanhem, não quero ficar gastando dinheiro mandando fazer jornal para explicar o que estou fazendo. Eu tenho e-mail, site, fax, telefone. Eu não deixo de responder um e-mail.

 

 

Para saber mais sobre a campanha e os projetos do candidato, acesse o endereço

 

http://www.turcoloco.com.br/

 

O endereço eletrônico de Turco Loco é [email protected]

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    Gabriel Medina ficou com o vice-campeonato do MEO Rip Curl Pro Portugal 2026. Em uma final emocionante nesta sexta-feira (23), em Supertubos, Peniche, o norte-americano Griffin Colapinto conseguiu a virada na reta final da bateria e conquistou o título por 17.60 (9.43 + 8.17) a 16.77 (8.57 + 8.20). O tricampeão mundial brasileiro fez uma grande apresentação nas ondas portuguesas, com tubos profundos e aéreos que levaram ao delírio o público presente na praia. Medina chegou a liderar a decisão, mas viu Colapinto encontrar a melhor onda da final nos minutos finais e ficou a apenas 0.83 ponto do título. Final de alto nível em Supertubos A decisão começou em ritmo acelerado. Colapinto abriu a disputa com um tubo avaliado em 8.17, enquanto Medina respondeu com 7.67. O norte-americano ampliou a vantagem com mais uma boa onda, de 7.57, mas o brasileiro encontrou um tubo profundo, recebeu 8.20 e assumiu a liderança. A disputa ganhou ainda mais intensidade quando Medina completou outra esquerda de qualidade e arrancou 8.57 dos juízes, elevando seu somatório para 16.77. A vitória parecia próxima, mas Colapinto ainda tinha uma resposta. Na reta final, o norte-americano encontrou uma esquerda longa e pesada, percorreu o tubo e conseguiu sair com controle. A onda recebeu 9.43, maior nota da decisão, e colocou Colapinto novamente na frente, com 17.60 pontos. Medina passou a precisar de 9.04 para recuperar a liderança, mas não encontrou outra oportunidade até o término da bateria. Foi o terceiro vice-campeonato do brasileiro na temporada, depois das decisões em Margaret River e Fiji. Sua última vitória em uma etapa do Championship Tour aconteceu em abril de 2023, justamente em Margaret River, na Austrália. Colapinto, por sua vez, conquistou seu terceiro título em Peniche, onde também havia vencido em 2022 e 2024. Medina supera Italo na semifinal Antes da decisão, Medina enfrentou Italo Ferreira em um duelo brasileiro que reuniu dois campeões mundiais. Com condições difíceis em Supertubos, Italo começou melhor e chegou a abrir vantagem, mas o tricampeão encontrou uma onda decisiva. Medina encaixou um tubo seguido de uma manobra aérea, recebeu 8.17 e virou o confronto. Com 11.67 pontos, superou os 10.10 de Italo e garantiu presença em sua terceira final da temporada. Na outra semifinal, Yago Dora acabou eliminado por Griffin Colapinto. O líder do ranking somou 8.83 pontos, contra 14.33 do norte-americano. Durante a bateria, Yago sofreu uma queda e precisou sair do mar para trocar a prancha, perdendo tempo importante na tentativa de reação. Com os resultados, Medina terminou como vice-campeão, enquanto Italo e Yago dividiram a terceira posição na etapa portuguesa. Brasileiros seguem na briga pelo título Apesar da derrota na decisão, Medina ganhou uma posição no ranking mundial e passou a ocupar o quarto lugar, com 43.210 pontos, ultrapassando Miguel Pupo. Yago Dora permanece na liderança, com 48.865 pontos, seguido por Italo Ferreira, com 46.015. Campeão em Peniche, Griffin Colapinto subiu para a terceira posição, com 43.695 pontos. Miguel Pupo completa os cinco primeiros, com 42.770. A diferença entre os principais candidatos mantém a disputa aberta nas duas últimas etapas da temporada. Em 2026, o título mundial será definido pela pontuação acumulada ao longo do Championship Tour, sem uma final em formato de mata-mata. Molly Picklum vence no feminino Entre as mulheres, a australiana Molly Picklum conquistou sua primeira vitória da temporada ao superar a norte-americana Caitlin Simmers por 13.33 a 12.84 na final em Supertubos. Atual campeã mundial, Picklum somou notas 7.83 e 5.50 para garantir o título e assumir a liderança do ranking feminino, ultrapassando Carissa Moore. Próxima parada: Filipinas O Championship Tour segue agora para Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas, com janela de competição entre 31 de outubro e 10 de novembro. Depois da estreia filipina no calendário, a temporada será encerrada em Pipeline, no Havaí, onde serão definidos os campeões mundiais de 2026. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) 10.00 x 10.60 Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) 12.83 x 6.84 Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) 15.84 x 3.00 Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) 14.17 x 14.50 Griffin Colapinto (EUA) 1 – Gabriel Medina (BRA) 11.67 x 10.10 Italo Ferreira (BRA)2 – Griffin Colapinto (EUA) 14.33 x 8.83 Yago Dora (BRA) Final 1 – Griffin Colapinto (EUA) 17.60 x 16.77 Gabriel Medina (BRA) Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline

    Gabriel Medina perde de virada para Griffin Colapinto por 17.60 a 16.77 na final em Supertubos e sobe à quarta posição do ranking mundial.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.