Surf nas ondas de fumaça

Preparativos para mais uma viagem em busca das ondas. A família de surfistas prepara a caranga com todo o material necessário. Destino: Saquarema, Rio de Janeiro… Integrantes: minha esposa Luciane, Paola, minha meio filha amiga inteira, e meu cachorro Sereno, um labrador completamente desmiolado. Uma típica família praiana que não causaria nenhum tipo de desconfiança, não fosse a meia dúzia de longboards empilhados na caçamba da S10. Longboards, isca de rodoviário mal intencionado.

 

E as previsões se confirmam. Foram dez horas de viagem até Saquarema, regadas de sete gerais monstros em busca do baseado perdido. Nada é poupado… Pote de geléia, saco de parafina, carteira de documentos, porta luvas, creme de barbear, etc. Incrédulo com o fato de não ter encontrado o que procurava, o policial olha para o meu cachorro e emenda:

 

– E o vira-lata aí? Por que está com os olhos vermelhos?
– Olhos vermelhos? Retruquei. – Ele é o Sereno seu guarda, é assim mesmo… Ele é dorminhoco e fica com os olhos vermelhos.

– Dorminhoco o escambau! Esse cachorro não me engana não… Olha a cara dele. Pra mim ele é um puta de um beloteiro e veio estourando um aí na caçamba. Quando me viu comeu a bagana e fingiu que tava dormindo. Cachorro de surfista é tudo assim, além de maconheiro é cínico. Tá todo mundo em cana!

 

Pensando bem, não importaria muito quem estivesse dirigindo a caranga… Podia ser até mesmo a Hebe Camargo e a Ana Maria Braga… Tem prancha? Geral na certa!

Entra ano e sai ano, surf na TV, nos jornais, nas revistas e no inconsciente coletivo da população: “nem todo maconheiro é surfista, mas todo surfista é maconheiro”. Esta é uma frase extremamente preconceituosa, e que vigorou durante anos como uma verdade absoluta. Porém, daria pra escrever uma tese sobre essa afirmação, tamanha é a quantidade de variáveis que envolvem este tema.

 

Maconha, hashish, bangh, ganja, diamba, marijuana, marihuana… Afinal de contas, qual é a dessa plantinha? Extratos da planta haxixe, Cannabis sativa, que costuma crescer em regiões de clima temperado e tropical, contêm a substância ativa Delta-9-Tetrahidrocannabinol (THC). Marijuana ou maconha é o nome dado às folhas secas que comumente são fumadas; o haxixe é a resina extraída [28,30].

 

Durante séculos essas substâncias foram usadas com vários objetivos medicinais. O professor Carlini, da Escola Paulista de Medicina, relata em seu livro “Medicamentos, Drogas e Saúde”, que a maconha era utilizada como anestésico a quase cinco mil anos, na China. A medicina Ayurvédica da Índia também utilizou a maconha como analgésico, hipnótico e espasmolítico [30].

 

Acredita-se que a maconha tenha chegado na América do Norte por volta do século XIX, trazida por imigrantes, e começou a se tornar um problema social no início deste século; foi legalmente banida durante a década de 30. Seu uso aumentou dramaticamente durante a década de 60, impulsionada pela guerra do Vietnã, onde os soldados fugiam da realidade assustadora da guerra atolando seus neurônios nas mais diversas substâncias alucinógenas. A guerra também produziu o movimento hippie e sua contra cultura baseada no “peace and love”, sexo, drogas e rock’n roll, e coisas afins, o que reforçou ainda mais seu consumo e sua introdução em nossa sociedade.

 

Entretanto, antes de nos aprofundarmos no assunto, é importante definir alguns conceitos, e o primeiro deles é o conceito de droga. Droga é toda a substância química que provoca uma alteração fisiológica, ou seja, que altera as funções de nosso corpo [28]. Temos as drogas lícitas (permitidas), como a grande maioria dos remédios de farmácia, o tabaco e o álcool, e as ilícitas (proibidas), como a maconha, a cocaína, entre outras. Atualmente, a divisão entre drogas lícitas e ilícitas não obedece nenhum padrão pré-estipulado, e no decorrer da história várias drogas já ocuparam ora uma categoria, ora outra. A cocaína é um bom exemplo, pois outrora já foi remédio, prescrito por médicos!

 

Algumas dessas drogas agem somente em nosso cérebro, e são chamadas de psicotrópicas. Para uma droga psicotrópica agir, ela tem que liberar na corrente sanguínea uma substância química. Esta substância chega no cérebro e altera a função dos nossos neurônios (células do cérebro), ao se unir a pequenos receptores localizados nas membranas externas dessas células. Logo, as drogas são como chaves, e os receptores como fechaduras. Toda nossa vida emocional, e toda a nossa percepção do que é real, é forjada em nosso cérebro no momento em que liberamos substâncias produzidas nos nossos próprios neurônios: os neurotransmissores. As drogas copiam a ação deles ou impedem que alguns sejam liberados. O resultado é uma visão distorcida da realidade [28,29,30].

 

Alguns cientistas já descobriram que os seres humanos produzem uma substância muito semelhante ao THC, a anandamida [1,2,3,28]. Suas funções ainda não são totalmente compreendidas, mas sabe-se que a anandamida age inibindo determinados neurônios no cérebro, causando efeitos analgésicos, comportamentais e térmicos. O THC produz os mesmos efeitos, mas de forma amplificada4.

 

Atualmente, existem alguns dados científicos sugerindo que aproximadamente 15% da população adulta da América e Europa Ocidental já usaram Cannabis em algum momento de suas vidas, com a proporção crescendo para 35% entre estudantes adolescentes [28,30]. Logo, haja maconheiro no mundo! É bem provável que exista advogado maconheiro, engenheiro maconheiro, professor maconheiro, médico maconheiro. Entretanto, existem e são milhares, os surfistas é que nunca provaram isso.  

 

Droga não é e nunca foi um problema setorizado, faz parte da nossa história, da história do homem neste planeta e da necessidade que grande parte das pessoas têm de explorar estados alterados de sua própria consciência… Até mesmo uma criança, em toda a sua ingenuidade, curte um barato diferente quando brinca de girar, girar e girar, até cair no chão de tão tontinha. Alguns aspectos, porém, continuam obscuros até para os usuários mais destemidos, o que tentarei esclarecer nas linhas que se seguem.

 

Efeitos subjetivos no homem:

 

A maconha produz uma sensação de relaxamento e bem estar, não muito diferente daquela produzida pelo etanol. Além disso, gera um estímulo da consciência sensorial, com sons e visões parecendo mais intensos e fantásticos.

 

Efeitos farmacológicos no cérebro do homem:

 

Hoje já se sabe que a maconha prejudica algumas funções cognitivas, como a memória de curto prazo, da atenção, do tempo de reação a um dado estímulo, e alguns aspectos da aprendizagem. Além disso, as funções motoras ficam mais lentas, o que prejudica o controle dos movimentos corporais [17].

 

Sendo a maconha uma droga que sabidamente prejudica as funções cognitivas e motoras, é bem provável que nem o estudante nem o esportista possam extrair dela algum benefício de performance. Alguns pesquisadores [19] têm demonstrado que mesmo em pessoas que faziam uso intenso da maconha, é possível obter melhoras na função cognitiva após seis semanas de abstinência, muito embora aqueles usuários mais antigos demonstrem grandes prejuízos em suas capacidades de aprendizado.

 

Kouri e alguns colaboradores [21] realizaram um trabalho bem legal, onde compararam usuários ocasionais com usuários “pesados”. E detectaram grandes diferenças entre estes dois grupos. O grupo de usuários ocasionais era um grupo que tinha uma menor tendência a usar outras drogas e a sentir-se dependente. Já o outro grupo apresentava uma enorme tendência ao uso de outras drogas, tais como a cocaína, LSD, etc. Hoje já é aceita a hipótese de que alguns seres humanos nascem com tendências genéticas a adquirir vícios. Por outro lado, existe uma grande quantidade de pessoas que pode se dar ao luxo de ser um usuário ocasional, sem correr o risco de perder o controle da situação.

 

O uso da Cannabis pode também provocar uma perda das capacidades de discriminação temporal e espacial. Esses efeitos aparecem mesmo nos indivíduos que não apresentam alucinações. A conseqüência é importante, pois a pessoa não nota que suas capacidades de discriminar o tempo e espaço estão afetadas, dado que estes efeitos só se percebem com medidas objetivas. Isso pode explicar, ao menos em parte, aquelas histórias de tubos extremamente longos, de vários segundos de duração, que aquele velho amigo beloteiro lhe conta todos os dias quando, na realidade, você viu que a onda só deu uma lambidinha de leve e que o tubão pode, na real, ter sido um tubinho meia boca.

 

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As figuras abaixo, retiradas de uma pesquisa realizada na Unifesp-EPM, mostram os efeitos de 15 mg de 9-THC e de 125 mg da maconha B, aspirados por voluntários. Fica claro que, enquanto a aspiração de placebo (aquela substância que o indivíduo pensa ser maconha, mas na verdade não é) não alterou a capacidade das pessoas calcularem o tempo de um minuto, sob a ação da droga houve erros grosseiros de cálculo [30]. O tempo parece demorar mais para passar.

 

Efeitos cardiovasculares

 

A Escola Paulista de Medicina também realizou um estudo onde a freqüência cardíaca de voluntários sadios foi medida após a inalação de maconha e substâncias placebo. Os resultados podem ser vistos no gráfico a seguir, que mostra aumentos significantes na freqüência cardíaca, após o uso da Cannabis [30].

 

Efeitos respiratórios:

 

A maconha não é uma droga perigosa, no sentido de provocar mortes por “overdose”. A maioria das mortes provocadas pelas drogas ilícitas ocorre devido a ação destas no centro nervoso que controla a respiração, um local conhecido como tronco cerebral. A maconha não age neste local, pelo fato do tronco cerebral não apresentar receptores para o THC ou para a anandamida. Desta forma a respiração não é afetada pelo uso da plantinha.

 

Por incrível que possa parecer, a capacidade do pulmão em movimentar volumes de ar também parece não ser afetada com o uso da maconha. Pelo menos, foi esta a conclusão de uma pesquisa publicada no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine [25]. Porém, é provável que a resistência aeróbia seja diminuída nos usuários da erva, uma vez que a quantidade de monóxido de carbono (CO), produzida pela queima do bagulho, diminua a oferta de oxigênio aos tecidos, o que pode gerar fadiga precocemente.

 

Outros efeitos:

 

Algumas pesquisas detectaram que a maconha pode influenciar o sistema reprodutivo tanto do homem quanto da mulher [28]. Entretanto, a maioria desses efeitos é reversível com a abstinência da droga. O sistema imunológico do ser humano também é afetado negativamente pela maconha. Mas, ainda existem poucas evidências que comprovem que com o uso da maconha o homem possa ficar mais suscetível à doenças [28].

 

Efeitos terapêuticos e efeitos prejudiciais da maconha

 

Nos últimos anos, os princípios ativos da Cannabis têm sido foco de inúmeras pesquisas que objetivam a determinação de possíveis efeitos terapêuticos [28]. Alguns trabalhos indicam a validade de seu uso clínico no tratamento de diversas doenças, como glaucoma, asma, epilepsia, e ainda na redução de vômitos e na estimulação do apetite em pessoas portadoras de diversos males. Entretanto, é importante também ressaltar os possíveis efeitos prejudiciais do uso da erva.

 

A maioria dos consumidores de maconha afirma que ela é muito menos prejudicial do que o fumo e o álcool, o que é uma afirmação precipitada e sem fundamentação científica. Na fumaça da maconha são encontradas inúmeras substâncias potencialmente tóxicas, algumas delas cancerígenas, como a amônia, o tolueno, o benzeno, a dimetilnitrosamina, a acroleina, entre outros [24]. 

 

Na realidade, tudo que se encontra no tabaco é encontrado na maconha, com somente duas exceções: a maconha não tem nicotina e o tabaco não tem THC. O resto, caro amigo, é igualzinho! Logo, esse papo de que a maconha é uma ervinha natural e que não pode prejudicar deve ser reavaliado, uma vez que o tabaco constitui a maior causa de morte evitável no mundo inteiro, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS31.

 

Um interessante trabalho de pesquisa mostrou que surfistas usuários diários de maconha apresentavam alterações pulmonares muito maiores do que a de pessoas que não a utilizam, muito embora tais lesões tenham sido menores do que as do grupo que consome somente tabaco [33]. Os autores analisaram um grupo de surfistas, voluntários da pesquisa, que fazia uso desta droga, mas que não usava outras drogas potencialmente tóxicas, como o tabaco. Desta forma, puderam comparar os prejuízos à saúde pulmonar em três grupos distintos: tabaco, maconha e o grupo controle composto por pessoas que não usam drogas.

 

Os malefícios do tabaco já estão completamente comprovados, e sabe-se, sem sombra de dúvida, que seus usuários tem uma enorme probabilidade de vir a morrer devido à falência do sistema cardiocirculatório ou da ocorrência de um câncer. Mas o fato do fumo produzir estes efeitos não nos permite afirmar que a maconha não os produza! Na literatura científica mundial não existem trabalhos epidemiológicos com usuários de Cannabis! Porém, alguns estudos básicos com animais mostraram que a fumaça da maconha tem capacidade igual ou superior à do tabaco de produzir alterações mitóticas nas células epiteliais dos pulmões. Esse fato não é nem um pouco surpreendente, pois a folha da maconha não é tratada como a folha do tabaco, e um simples baseadinho pode ter muito mais substâncias tóxicas do que uma unidade de cigarro.

 

Com relação à comparação da maconha com o álcool, devemos atentar para alguns detalhes. O álcool é a droga mais consumida em nosso planeta. Cerca de 45% da população adulta masculina que procura tratamento em hospitais consome álcool diariamente em níveis muito elevados. Ao afirmarmos que o álcool é mais prejudicial do que a maconha, teríamos que, no mínimo, ter um consumo de maconha tão intenso e extenso como o do álcool, o que não é o caso. Logo, esta comparação não pode ser feita.

 

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O surfista e a maconha

 

Dados estatísticos da Surfer’s Medical Association estimavam, em 87, que 60 a 90% dos surfistas da Califórnia eram usuários de maconha! [31]. Entretanto, isso não pode ser generalizado para outras partes do mundo. No Brasil, o percentual pode ser extremamente diferente. O estigma que os surfistas carregaram por muitos anos (e de certa forma ainda carregam) se deve a freqüente exposição de parte deste grupo à sociedade em geral. Enquanto a maioria dos usuários de qualquer tipo de droga as utilizou, na maioria das vezes, de forma furtiva e dissimulada, parte dos surfistas que fizeram uso desta droga se expôs em demasia, pois a praia é pública, além de ser o ambiente natural desta espécie em questão.

 

Fumar ou não fumar, usar ou não usar… Não é bem o caso. A questão principal é a desinformação geral que impera no meio somada ao receio de invocar assuntos tão polêmicos. Alguns surfistas podem ter fumado durante toda a sua carreira e mesmo assim ter obtido bons resultados. Isso também pode ser aplicado a qualquer profissional bem sucedido, independente da profissão. Porém, cada ser humano é influenciado por questões bio-psico-sociais distintas, e muitos garotos com enorme potencial atlético e competitivo podem ter ficado no meio do caminho devido ao fato de não terem sido bem orientados com relação ao uso desta substância. Muitos seres humanos perderam suas vidas no momento em que perderam o controle da situação, e atualmente, só é possível saber se você tem tendências a se tornar um viciado na medida em que você experimenta drogas. O risco existe… Você tanto pode dominar, quanto ser dominado.

 

Droga, acima de tudo, é um enorme problema social, e preconceito aliado a falta de informação são as piores coisas que existem em nossa sociedade… Todos estamos aqui tateando e tentando fazer o nosso melhor. É provável que existam surfistas beloteiros que sejam um exemplo de dignidade, responsabilidade, honestidade e que se preocupem com o planeta e com o próximo… E é provável também a existência de muito cristão mal criado, budista fofoqueiro, e careta egoísta…

 

Existe chefe de família que come compulsivamente, é obeso e tem enormes chances de morrer vítima da obesidade, deixando muitas vezes sua família desamparada. A compulsão também é uma forma de fugir da realidade. No fundo, todos nós temos compulsão por algo nesse mundo… Comida, sexo, TV, drogas, e até surf… E nada que é compulsivo é legal, nem o surf ! A tendência que alguns seres humanos têm em negar fatos e argumentos muitas vezes também assume formas compulsivas. Mas, fato é fato, e não existem argumentos contra fatos. Estes são alguns fatos já comprovados pela ciência:

 

– Maconha faz mal a saúde, pode gerar câncer, pode transformar você em uma pessoa passiva, sem metas e psiquicamente dependente.
– Toda a droga altera a sua percepção do real.
– Atualmente, o uso de maconha é considerado crime, e seus usuários podem responder por este crime.
– Definitivamente a frase: “é uma erva natural e não pode te prejudicar”, não goza da mínima fundamentação científica.
– O tabaco é a droga que mais mata no mundo, e é vendida livremente.
– O álcool é responsável por grande parte dos acidentes de trânsito e por diversos crimes cometidos em nossa sociedade. Mesmo assim, muitos pais dividem as suas cervejas com seus filhos.
– Calmantes e ansiolíticos são drogas facilmente adquiridas em farmácias. Além de produzirem dependência biológica e psíquica, podem matar o usuário se ingeridos em dosagens superiores à terapêutica.

 

A questão é que, se queremos melhorar cada vez mais, se queremos crescer em nosso esporte e também como seres humanos, é extremamente necessário estarmos abertos para discutirmos essas questões sem hipocrisia e de maneira franca e científica. Somente encarando os fatos de frente poderemos optar conscientemente sobre o rumo que daremos às nossas vidas, à nossa realidade íntima e, por que não dizer, à nossa saúde física e mental.

 

“As leis atuais proíbem o uso, portanto consumir é ilegal e passível de punição perante essas leis, pelo menos em nosso país. Contudo, como as leis são feitas por homens, esses homens podem perfeitamente modificar as leis em benefício próprio, e se droga é proibida, por que não proíbem o consumo do tabaco? Há algum interesse nisso? Lembram-se da “Lei Seca”?

Segundo relatos científicos encontrados no texto acima, se o usuário pode desenvolver patologias fatais, particularmente não sou a favor do uso… Agora, se o seu uso, em doses farmacológicas, prescritas por profissionais da área de saúde, como tratamento alternativo pode beneficiar terceiros… Por que não?”.

Tácito Pessoa de Souza Junior
Mestre em Ciencias do Esporte – UNICAMP

Surfista há 33 anos

 

 

“Perante a legislação brasileira, adquirir, guardar ou trazer consigo, para uso próprio, substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, é crime previsto no art. 16 da Lei Complementar número 6.638/76, sendo apenado com detenção de 6 meses a 2 anos e pagamento de 20 a 50 dias-multa.

Entretanto, por força de permissão legal (arts.43 e 44 do Código Penal), comumente o Judiciário aplica uma pena substitutiva, de regra a prestação de serviços à comunidade ou à entidades públicas, sempre que existentes no caso concreto os requisitos objetivos e subjetivos. Isso significa que o réu se beneficiará dessa “pena substitutiva” em sua primeira condenação nos termos do art. 16 da L.C. número 6.368/76, que dispõe sobre prevenção e repressão ao tráfico ilícito e o uso indevido de substâncias entorpecentes, o que nem sempre acontecerá com aquele que reincidir nessa conduta penalmente reprovada.

O rol das substâncias ditas entorpecentes, como a Cannabis sativa, não consta do texto da lei, que é o que chamamos de norma papel em branco, mas está relacionada como tal pelo Serviço Nacional de Fiscalização de Farmácia e Medicina do Ministério da Saúde, sendo considerada “francamente alucinógena” pelos tribunais.

Obs: não importa onde o cara curta seu “baseado” – no seu quarto, numa praia deserta ou no meio do mato, sempre vai ser crime. O resultado vai depender apenas dele ser apanhado ou não.

Maria Regina Macri
Procuradora do Estado

 

“A natureza do homem busca continuamente algo mais elevado. Algo que supere a si mesmo e que seja, no entanto, a sua mais profunda verdade; que reclame todo o seu sacrifício, e que, no entanto, seja este sacrifício a sua própria recompensa”.

TAGORE
Prof.Ms.Marcello Árias
Professor de Educação Física
Fisiologista do Exercício
Mestre em Fisiofarmacologia – UNIFESP/EPM
Coordenador da Universidade da Prancha – UNIPRAN/UNIMONTE
Surfista há 27 anos.

 

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Prof.Ms. Marcello Árias
Coordenador da UNIPRAN – Universidade da Prancha
Professor do Centro Universitário Monte Serrat – UNIMONTE/Santos

http://www.unimonte.br/site/unipran/

 

 

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    O Banco do Brasil São Sebastião Pro entrou em sua reta decisiva na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). A Rodada dos 32 foi concluída no masculino e no feminino, definindo os confrontos das oitavas de final da etapa do Challenger Series. A competição segue até sábado (3). Entre as mulheres, Sophia Medina é a única brasileira que continua na disputa. Local de Maresias, ela avançou diante da torcida ao lado da australiana Sally Fitzgibbons, depois de liderar boa parte da bateria e ser superada nos dois minutos finais. Sophia também levou a melhor sobre a peruana Daniella Rosas, adversária que já havia enfrentado sete vezes no Qualifying Series, incluindo duas finais. Com a classificação, a brasileira subiu provisoriamente oito posições no ranking do Challenger Series. Laura Raupp, a outra brasileira que havia chegado à Rodada dos 32, foi eliminada. “Estou muito orgulhosa de ter o mundo vendo aqui o nosso quintal, meu mundo. Eu sempre posto dizendo que todo mundo deveria conhecer Maresias, e hoje todos estão aqui. É muito especial estar aqui surfando com minha família e amigos”, explica Sophia. Nas oitavas, Sophia enfrenta a japonesa Kana Nakashio, destaque do dia entre as mulheres. Nakashio venceu uma bateria de alto nível com 14,40 pontos, maior somatório feminino da competição até agora. A canadense Sanoa Dempfle-Olin avançou junto e marcou 7,83, maior nota feminina do dia. Sierra Kerr segue firme na liderança Líder do ranking feminino do Challenger Series, Sierra Kerr também garantiu lugar nas oitavas. A australiana de 18 anos venceu sua bateria com uma nota 5,77 na reta final, superando Bella Kenworthy e a atual campeã mundial júnior Isla Huppatz. Kerr chegou a Maresias embalada pela vitória no US Open of Surfing, em agosto, resultado que a levou à liderança do ranking. Com seis vagas femininas disponíveis para o Championship Tour de 2027 ao fim da temporada, a australiana segue fortalecendo sua campanha pelo acesso. Ryan Kainalo continua na briga No masculino, Ryan Kainalo segue vivo em Maresias e mantém a campanha por uma vaga no Championship Tour. O brasileiro chegou à etapa entre os cinco primeiros do Challenger Series e vem avançando desde a rodada inicial. Kainalo começou o evento com vitória na primeira fase e permaneceu dentro da zona de classificação para o CT. Na retomada da competição, depois de dois dias sem disputas por causa das condições do mar, voltou a avançar e chegou à Rodada dos 32. “É muito bom poder competir em casa, perto da minha família e com o apoio dos meus patrocinadores. Conheço bem essa praia e já competi aqui muitas vezes quando era mais novo, em diferentes condições. Isso me dá confiança para ler as ondas e encontrar as melhores oportunidades dentro da bateria. Estou feliz e confiante para mostrar meu surfe aqui”, diz Kainalo. Destaques em Maresias O havaiano Jackson Bunch foi um dos grandes nomes dos primeiros dias. Na terça-feira, arrancou 8,83 dos juízes, primeira nota na faixa do excelente da competição até aquele momento, e assumiu provisoriamente a liderança do ranking do Challenger Series. Bunch completou a bateria com 6,17 e avançou com vitória. Nesta quarta-feira, o australiano Joel Vaughan assumiu o protagonismo no masculino. Ele marcou 8,33 na melhor onda do dia e terminou com o maior somatório da competição até agora. Próxima chamada A próxima chamada do Banco do Brasil São Sebastião Pro acontece nesta quinta-feira (1), às 7h30, com possibilidade de início das baterias às 8h05, na Praia de Maresias. A etapa segue até sábado (3) e vale pontos importantes na corrida pelo Championship Tour de 2027. Ao fim da temporada do Challenger Series, os dez primeiros colocados no masculino e as seis primeiras no feminino garantem vaga na elite. Baterias do Banco do Brasil São Sebastião Pro 2026 Feminino Round das 32 1 – Sierra Kerr (AUS) 12.10 x Amuro Tsuzuki (JAP) 11.60 x Isla Huppatz (AUS) 8.97 x Bella Kenworthy (EUA) 7.902 – Anat Lelior (ISR) 11.30 x Kiara Goold (PYF) 11.00 x Tya Zebrowski (FRA) 10.83 x Moana Jones Wong (HAV) 5.703 – Charli Hately (AUS) 12.77 x Sol Aguirre (PER) 12.24 x Vahine Fierro (FRA) 12.10 x Talia Swindal (EUA) 10.334 – Eweleiula Wong (HAV) 11.24 x Anon Matsuoka (JAP) 10.00 x Laura Raupp (BRA) 8.53 x Brisa Hennessy (CRC) 7.635 – Francisca Veselko (POR) 12.20 x India Robinson (AUS) 12.16 x Eden Walla (EUA) 11.04 x Maria Salgado (POR) 8.936 – Teresa Bonvalot (POR) 10.96 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 10.40 x Lucy Darragh (AUS) 8.34 x Sophie McCulloch (AUS) 8.037 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.56 x Sophia Medina (BRA) 11.66 x Daniella Rosas (PER) 10.33 x Ellie Harrison (AUS) 9.778 – Kana Nakashio (JAP) 14.40 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 13.83 x Kirra Pinkerton (EUA) 13.67 x Alyssa Spencer (EUA) 11.37 Oitavas de final feminina 1 – Sierra Kerr (AUS) x Kiara Goold (PYF)2 – Anat Lelior (ISR) x Amuro Tsuzuki (JAP)3 – Charli Hately (AUS) x Anon Matsuoka (JAP)4 – Eweleiula Wong (HAV) x Sol Aguirre (PER)5 – Francisca Veselko (POR) x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS)6 – Teresa Bonvalot (POR) x India Robinson (AUS)7 – Sally Fitzgibbons (AUS) x Sanoa Dempfle-Olin (CAN)8 – Kana Nakashio (JAP) x Sophia Medina (BRA) Masculino Round dos 32 1 – Kade Matson (EUA) 13.06 x Charly Quivront (FRA) 12.77 x Reef Heazlewood (AUS) 12.26 x Douglas Silva (BRA) 12.172 – Joel Vaughan (AUS) 15.26 x Oscar Berry (AUS) 10.43 x Shohei Kato (JAP) 10.03 x Jacob Willcox (AUS) 9.873 – Jackson Bunch (HAV) 13.33 x Yago Dominguez (ESP) 11.97 x Hiroto Ohhara (JAP) 10.87 x Winter Vincent (AUS) 9.934 – Ryan Kainalo (BRA) 11.40 x Lucca Mesinas (PER) 11.27 x Jake Marshall (EUA) 9.36 x Lennix Smith (AUS) 7.905 – Alonso Correa (PER) 13.40 x Jett Schilling (EUA) 12.97 x Deivid Silva (BRA) 11.53 x Jack Robinson (AUS) 8.606 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Beyrick De Vries (NED) 9.80 x Connor Slijpen (AFS) 9.03 x Mihimana Braye (PYF) 5.737 – Alister Reginato (AUS) 11.96 x Owen Moss (EUA)

    Próxima chamada nesta sexta-feira (2) às 7h30 (Brasília). CS em Maresias (SP) entra na reta decisiva com brasileiros na briga por pontos importantes na corrida pelo CT.

    Um dos eventos de base mais tradicionais do surfe está de volta ao Brasil. Depois de 11 anos, o Quiksilver King of the Groms retorna ao país nos dias 10 e 11 de outubro, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). A edição de 2026 também marca uma novidade: a Roxy passa a realizar o evento ao lado da Quiksilver, dando espaço também às meninas no King and Queen of the Groms. A competição será disputada nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, no masculino e feminino, e está aberta a surfistas de até 16 anos. Criado pela Quiksilver entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, o KOTG nasceu com o objetivo de descobrir e dar visibilidade aos jovens surfistas de alta performance. Ao longo de suas edições, o evento recebeu nomes que posteriormente se destacaram no Circuito Mundial. Entre eles está Gabriel Medina, vencedor da final internacional de 2009, na França, quando conseguiu duas notas 10 e somou 20 pontos. Outros nomes que passaram e venceram o campeonato incluem Filipe Toledo, John John Florence, Jack Robinson, Leonardo Fioravanti e Matt Banting. Retorno ao Brasil O King of the Groms foi realizado cinco vezes no Brasil: Itajaí (SC), em 2010; Itacaré (BA), em 2011; Baía Formosa (RN), em 2012; São Francisco do Sul (SC), em 2013; e Fernando de Noronha (PE), em 2015. Na última edição brasileira, Fernando de Noronha recebeu não apenas uma seletiva regional, mas a própria Final Mundial do evento. Em 2026, a Roxy passa a realizar o evento ao lado da Quiksilver, com disputas também no feminino. “O King of the Groms sempre foi muito importante para a Quiksilver e eu considero esse evento mais do que um campeonato. Ele faz parte da história do surf e ajudou a colocar muitos talentos no radar. E, depois de tantos anos, trazer esse nome de volta ao Brasil, agora também com o feminino (Roxy), tem um significado enorme para nós. Queremos resgatar esse espírito e, ao mesmo tempo, criar novas histórias. Temos uma geração de groms muito forte no Brasil e poder reabrir essa porta e acompanhar de perto quem serão os próximos nomes do surf brasileiro é, sem dúvida, uma das partes mais legais desse projeto”, disse Karol Lopes, gerente de Marketing da Quiksilver e Roxy Brasil. Inscrições abertas As inscrições já estão abertas e custam R$ 150. Os atletas devem se inscrever exclusivamente pelo e-mail [email protected], enviando comprovante de pagamento, documento com foto e os dados do atleta. Quiksilver & Roxy King and Queen of the GromsPraia de Itamambuca – Ubatuba (SP)10 e 11 de outubro de 2026Sub-12 Masculino e FemininoSub-14 Masculino e FemininoSub-16 Masculino e FemininoInscrição: R$ 150

    Meninos e meninas de até 16 anos disputam o Quiksilver King and Queen of the Groms nos dias 10 e 11 de outubro em Itamambuca, Ubatuba (SP), depois de 11 anos da última edição no Brasil.

    A Praia de Maresias, em São Sebastião (SP), recebe entre os dias 26 de setembro e 3 de outubro o Banco do Brasil São Sebastião Pro, etapa do Challenger Series 2026/27 da World Surf League (WSL). Esta será a primeira vez que o estado de São Paulo recebe uma etapa da divisão de acesso ao Championship Tour. O evento terá 80 homens e 48 mulheres de diferentes países em um momento importante da corrida pelas vagas na elite. Ao fim da temporada do Challenger Series, os dez primeiros colocados do ranking masculino e as seis primeiras do feminino garantem classificação para o Championship Tour de 2027. A passagem do circuito por Maresias também coloca o Challenger Series em uma região diretamente ligada à história do surfe brasileiro. São Sebastião revelou diferentes gerações de surfistas e terá agora atletas de vários países disputando pontos para chegar à elite mundial. Corrida pelo CT esquenta em Maresias Com as primeiras etapas da temporada concluídas, o Banco do Brasil São Sebastião Pro chega em um momento importante na disputa pelas vagas no Championship Tour. Weslley Dantas lidera o ranking masculino do Challenger Series com 15.700 pontos. O brasileiro começou a campanha com o vice-campeonato no Ballito Pro e reforçou a liderança ao vencer o QS 6.000 Internacional de Matosinhos, em Portugal. Jackson Bunch, do Havaí, subiu três posições e aparece em segundo, com 15.405 pontos, depois da vitória no QS 6.000 Internacional de Saquarema. Jake Marshall, dos Estados Unidos, ocupa a terceira colocação, com 14.745, seguido pelo compatriota Cole Houshmand, quarto colocado, com 13.320. O Brasil tem outros três surfistas dentro do Top 10. Ryan Kainalo é o quinto, com 10.995 pontos, Ian Gouveia aparece em sexto, com 10.105, e Deivid Silva ocupa a oitava posição, com 9.025. Mateus Herdy está logo abaixo da linha de classificação, na 11ª colocação, com 8.065 pontos, mesma pontuação do décimo colocado Taj Lindblad, dos Estados Unidos. Gabriel Klaussner aparece em 13º, com 7.755. Assim, cinco brasileiros estão entre os 13 primeiros antes da etapa de Maresias. O novo formato dos eventos internacionais QS 6.000 também passou a fazer parte da estratégia na corrida pela classificação. Os atletas podem contabilizar um resultado de QS 6.000 Internacional na pontuação total do Challenger Series. Dantas e Kainalo já aproveitaram essa possibilidade com vitórias nos eventos de Portugal e Espanha, respectivamente. No feminino, a australiana Sierra Kerr lidera com 20.745 pontos. Teresa Bonvalot, de Portugal, é a segunda, com 13.590, seguida pela norte-americana Eden Walla, com 13.150. Francisca Veselko, de Portugal, aparece em quarto, com 12.545, enquanto Ariane Ochoa, da Espanha, ocupa a quinta posição, com 11.465. A australiana Ellie Harrison fecha atualmente o Top 6, com 11.020 pontos. Laura Raupp é a brasileira mais bem colocada. Ela ocupa a 14ª posição, com 6.985 pontos, e terá em Maresias a oportunidade de diminuir a distância para a zona de classificação. Com pontos importantes em jogo, os resultados da etapa paulista podem mexer diretamente na corrida pelas vagas no Championship Tour de 2027. Challenger estreia em São Paulo O Banco do Brasil São Sebastião Pro marca a primeira passagem do Challenger Series pelo estado de São Paulo. A etapa será disputada em Maresias, no litoral norte paulista, região com forte ligação com a história do surfe profissional brasileiro. São Sebastião revelou gerações de surfistas que ajudaram o Brasil a se tornar uma das principais potências da modalidade. A chegada do Challenger Series aproxima esse legado de uma nova geração de atletas que busca construir o próprio caminho até o Championship Tour. Música e atividades fora d’água A programação do Banco do Brasil São Sebastião Pro também terá música, bem-estar e atividades fora da competição. No dia 26 de setembro, abertura da janela, o WSL Sunset Reggae Edition terá shows de Maneva, Planta & Raiz e Gabriel Elias na Praia de Maresias. O primeiro fim de semana também recebe o WSL Wellness, com atividades gratuitas nos dias 26 e 27 de setembro voltadas a movimento, preparação física e recuperação. A programação inclui yoga com Sue Moura, Functional Surf Training com Allan Menache, preparador físico dos campeões mundiais Gabriel Medina e Adriano de Souza, e treinamento funcional com Ricardo Lapa, com participação da repórter e influenciadora da WSL Rachel Apollonio. Para participar das aulas programadas, é necessário fazer inscrição antecipada. Entre 28 de setembro e 3 de outubro, as ações de bem-estar e lifestyle continuam. Estudantes da rede pública de ensino de São Sebastião também participarão de clínicas esportivas gratuitas de surfe, skate, altinha e vela. Transmissão ao vivo O Banco do Brasil São Sebastião Pro acontece de 26 de setembro a 3 de outubro de 2026, na Praia de Maresias. Assim que a competição for oficialmente iniciada, as baterias terão transmissão ao vivo pelo site e pelo aplicativo gratuito da WSL. O evento tem patrocínio de Banco do Brasil, Prefeitura de São Sebastião, VIVO, GWM, Natura Kaiak, Aquacoco, Probiótica, Dr. Peanut, Mana Poke, BB Seguros, Mãe Terra, Riachuelo, Corona Cero, Apple Watch, Sun Ninja e EY, além de parcerias de mídia com Globo, 89 A Rádio Rock, Eletromídia e TV Vanguarda.

    Válido como etapa do WSL Challenger Series, o Banco do Brasil São Sebastião Pro reúne 80 homens e 48 mulheres na Praia de Maresias, de 26 de setembro a 3 de outubro, na corrida por vagas no CT 2027.

    O Brasil ficou no topo das duas categorias de maior onda do Big Wave Challenge 2025/26. Rodrigo Koxa venceu a Maior Onda Masculina, enquanto Michelle des Bouillons conquistou a Maior Onda Feminina na cerimônia realizada no último sábado (19) no Lido Theater, em Newport Beach, Califórnia. Os dois troféus vieram de performances em Nazaré, Portugal, e carregam uma expectativa ainda maior. As ondas premiadas receberam medições preliminares que, caso sejam confirmadas e homologadas, podem estabelecer novos recordes mundiais no masculino e no feminino. Koxa volta ao topo Rodrigo Koxa conquistou o prêmio pela segunda vez na carreira com a onda surfada no dia 19 de dezembro de 2025, na Praia do Norte, em Nazaré. A onda vencedora recebeu uma medição preliminar de 29,15 metros. Caso a marca seja confirmada e homologada, o brasileiro poderá superar os 26,21 metros do alemão Sebastian Steudtner, atual detentor do recorde mundial. O brasileiro disputava a categoria com Lucas Chumbo e o francês Clément Roseyro. As três ondas finalistas foram surfadas em Nazaré. A conquista tem significado especial para Koxa. Em 2018, ele entrou para o Guinness World Records com uma onda de 24,38 metros surfada também em Nazaré. A marca permaneceu como recorde até ser superada por Steudtner. Agora, oito anos depois, Koxa volta a ter a possibilidade de ocupar o topo. Nas redes sociais, Koxa comemorou o bicampeonato e agradeceu à equipe que participou da onda vencedora, com destaque para Vitor Faria, responsável por colocá-lo na onda, além da spotter Laura Chichorro e de Victor Mascarenhas, no resgate. Michelle conquista segundo troféu Michelle des Bouillons completou a dobradinha brasileira com a vitória na Maior Onda Feminina. A carioca de 36 anos foi premiada pela onda surfada no dia 13 de dezembro de 2025, também na Praia do Norte, em Nazaré. A onda vencedora recebeu uma medição preliminar de 24,99 metros. Caso a marca seja confirmada e homologada, Michelle poderá superar os 22,40 metros de Maya Gabeira, atual recordista mundial feminina, em uma onda surfada no dia 11 de fevereiro de 2020 no mesmo pico português. Havia expectativa de que a medida de 24,99 metros fosse oficializada durante a cerimônia na Califórnia, mas isso não aconteceu. Assim, o recorde mundial permanece com Maya enquanto a marca de Michelle não for homologada. Michelle teve o marido Ian Cosenza como piloto de tow-in na onda premiada. A brasileira superou na categoria a francesa Justine Dupont e a italiana Michaela Fregonese, novamente com todas as ondas finalistas surfadas em Nazaré. Esta foi a terceira participação consecutiva de Michelle no Big Wave Challenge. Ela já havia vencido a categoria de Maior Onda em 2024 e ficou entre as finalistas em 2025. Nazaré teve papel dominante na premiação. Depois de colocar dez ondas entre as indicadas ao Big Wave Challenge 2025/26, a Praia do Norte esteve diretamente ligada a quatro troféus. Além das vitórias de Rodrigo Koxa e Michelle des Bouillons nas categorias de Maior Onda, Grant “Twiggy” Baker venceu o Paddle Masculino e Alberto Truncer levou o Wipeout do Ano, todos por performances no pico português. Entre os outros destaques da noite, Tom Lowe foi eleito Surfer of the Year Masculino. O britânico conquistou o prêmio pouco mais de um ano depois de sofrer um acidente quase fatal em Teahupo’o, no Taiti. Natxo Gonzalez venceu o Ride of the Year Masculino por uma onda surfada na remada em Mullaghmore, na Irlanda, enquanto Izzi Gomez levou a versão feminina com uma onda em Teahupo’o. Justine Dupont foi eleita Surfer of the Year Feminino. A temporada também teve uma geografia diferente da habitual nas ondas gigantes. Havaí e Costa Oeste dos Estados Unidos ficaram fora das indicações do Big Wave Challenge, enquanto Mullaghmore e Teahupo’o tiveram papel decisivo na realização da premiação. Segundo a Surfer, o organizador Bill Sharp chegou a afirmar que o evento teria sido cancelado se não fossem as ondas registradas nos dois picos. Noite de gala na Califórnia A cerimônia marcou a 26ª edição do Big Wave Challenge e distribuiu mais de US$ 100 mil em premiações. Além das categorias de Maior Onda, o evento reconhece performances em modalidades como Ride of the Year, Paddle, Wipeout of the Year e Surfer of the Year. Entre os outros resultados já confirmados, o britânico Tom Lowe, da Cornualha, conquistou o prêmio de Surfer of the Year masculino. Lowe estava entre os finalistas ao lado do sul-africano Grant Baker e do norte-americano Mason Barnes. Para o Brasil, a noite terminou com uma dobradinha nas maiores ondas da temporada. Koxa e Michelle deixam Newport Beach com os troféus nas mãos enquanto aguardam a definição sobre as medições de suas ondas. As marcas preliminares de 29,15 metros no masculino e 24,99 metros no feminino, caso sejam confirmadas e homologadas, podem estabelecer dois novos recordes mundiais. Leia mais Ela soltou a corda. O resto é história.Michelle pode bater recorde mundialKoxa revive sonho de recorde em Déjà VuO passo a passo da medição VENCEDORES E FINALISTAS – BIG WAVE CHALLENGE 2025/26 MEN’S RIDE OF THE YEARVencedor: Natxo Gonzalez (ESP) – Mullaghmore Head, Irlanda – Vídeo: Clem McInerneyFinalistas: Matahi Drollet (TAH) – Teahupo’o, Taiti – Vídeo: Maiko Mou; Tom Lowe (GBR) – Mullaghmore Head, Irlanda – Vídeo: Michael Darrigade. WOMEN’S RIDE OF THE YEARVencedora: Izzi Gomez (COL) – Teahupo’o, Taiti – Vídeo: Owen MilneFinalistas: Justine Dupont (FRA) – Mullaghmore Head, Irlanda – Vídeo: Peter Clyne; Aelan Vaast (TAH) – Teahupo’o, Taiti – Vídeo: Kotaha Surfing Productions. MEN’S BIGGEST WAVEVencedor: Rodrigo Koxa (BRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Mattias Hammar – Fotos: Jayden Cheo, Stephan Mathers e Ianco RochaFinalistas: Lucas “Chumbo” Chianca (BRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Rennan Chaves; Clément Roseyro (FRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Arthur Picard. WOMEN’S BIGGEST WAVEVencedora: Michelle des Bouillons (BRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Rennan ChavesFinalistas: Justine Dupont (FRA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Rennan Chaves – Fotos: Laurent Masurel e Aurnad Plas; Michaela Fregonese (ITA) – Nazaré, Portugal – Vídeo: Kaique Silva. MEN’S PADDLEVencedor: Grant “Twiggy” Baker (RSA) – Nazaré, Portugal – Fotos: Peter “Joli”

    Brasil conquista as categorias de Maior Onda Masculina e Feminina com Rodrigo Koxa e Michelle des Bouillons, que ainda podem estabelecer também os novos recordes mundiais.

    Miguel Pupo é o campeão do Lexus Trestles Pro. O brasileiro protagonizou uma virada nos minutos finais da decisão desta sexta-feira (18), em Lower Trestles, na Califórnia (EUA), para derrotar o japonês Kanoa Igarashi por 14.77 a 14.40 e conquistar sua segunda vitória na temporada 2026. Kanoa permaneceu na frente durante boa parte da bateria e chegou à reta final com 14.40 pontos. Miguel já tinha a melhor onda da decisão, um 8.50, mas ainda precisava de 5.90 para assumir a liderança. A oportunidade apareceu quando restavam cerca de seis minutos. Miguel atacou a direita de Trestles e recebeu 6.27 dos juízes. Com 14.77 no total, passou à frente e permaneceu na liderança até a buzina. O título é o segundo de Miguel nesta temporada. Em Bells Beach, na Austrália, o paulista já havia subido ao lugar mais alto do pódio. A vitória em Trestles é a terceira da carreira no Championship Tour, depois de Teahupoo, em 2022, e Bells Beach, em 2026. O resultado também levou Miguel à quarta colocação do ranking mundial. Caminho até o título Miguel começou sua campanha em Trestles com vitória sobre Ramzi Boukhiam no Round 2. Depois, superou Liam O’Brien no Round 3 e encontrou o compatriota Mateus Herdy nas quartas de final. Na semifinal, diante de Cole Houshmand, o brasileiro fez sua maior somatória no evento: 16.00 pontos, com notas 8.33 e 7.67. A vitória colocou Miguel na decisão contra Kanoa Igarashi. Do outro lado da chave, Kanoa havia eliminado Yago Dora na semifinal. Mesmo sem chegar à decisão, Yago deixou Trestles na liderança do ranking mundial. Brasil domina Top 5 O encerramento de Trestles deixou quatro brasileiros entre os cinco primeiros colocados do ranking masculino. Yago Dora assumiu a liderança, seguido pelo italiano Leonardo Fioravanti. Italo Ferreira aparece em terceiro, Miguel Pupo subiu para quarto e Gabriel Medina ocupa a quinta posição. A liderança de Yago e a quarta colocação de Miguel também aparecem no material pós-evento anexado. A etapa também definiu o corte para a sequência da temporada. Filipe Toledo garantiu permanência entre os 22 primeiros e segue para as próximas duas etapas, em Portugal e nas Filipinas. Mateus Herdy ficou abaixo da linha de corte e retorna ao CT em Pipeline, no Havaí, última etapa da temporada. Erin Brooks vence no feminino No feminino, Erin Brooks conquistou sua terceira vitória consecutiva no Championship Tour. A canadense derrotou Gabriela Bryan por 13.00 a 11.90 na final. Carissa Moore deixou Trestles na liderança do ranking feminino, com Gabriela Bryan na segunda posição. A brasileira Luana Silva ocupa o quinto lugar. Próximas etapas Portugal – 16 a 25 de outubroFilipinas – 31 de outubro a 10 de novembroPipeline (Havaí) – 8 a 20 de dezembro Chaves de bateria Masculino Round 1 1 – Luke Thompson (AFS) 10.16 x 9.34 Matthew McGillivray (AFS)2 – Eli Hanneman (HAV) 9.73 x 9.67 Hayden Rodgers (EUA)3 – Oscar Berry (AUS) 12.73 x 11.26 Joel Vaughan (AUS)4 – Mateus Herdy (BRA) 11.40 x 11.27 Taj Lindblad (EUA) Round 2 1 – Callum Robson (AUS) 12.27 x 8.83 Connor O’Leary (JAP)2 – Griffin Colapinto (EUA) 14.50 x 12.87 Rio Waida (INA)3 – Yago Dora (BRA) 14.33 x 11.83 Oscar Berry (AUS)4 – Kauli Vaast (FRA) 12.20 x 10.53 Barron Mamiya (HAV)5 – Marco Mignot (FRA) 14.43 x 11.77 João Chianca (BRA)6 – Italo Ferreira (BRA) 14.26 x 12.40 Eli Hanneman (HAV)7 – Kanoa Igarashi (JAP) 17.00 x 12.40 Crosby Colapinto (EUA)8 – Ethan Ewing (AUS) 12.37 x 11.50 Alejo Muniz (BRA)9 – Luke Thompson (AFS) 13.87 x 6.90 Leonardo Fioravanti (ITA)10 – Cole Houshmand (EUA) 14.00 x 5.40 Morgan Cibilic (AUS)11 – Alan Cleland (MEX) 13.26 x 11.67 George Pittar (AUS)12 – Jake Marshall (EUA) 13.53 x 12.83 Samuel Pupo (BRA)13 – Mateus Herdy (BRA) 12.00 x 11.83 Gabriel Medina (BRA)14 – Jack Robinson (AUS) 12.97 x 10.13 Seth Moniz (HAV)15 – Liam O’Brien (AUS) 15.10 x 14.43 Filipe Toledo (BRA)16 – Miguel Pupo (BRA) 13.20 x 12.16 Ramzi Boukhiam (MAR) Round 3 1 – Callum Robson (AUS) 12.83 x 11.03 Griffin Colapinto (EUA)2 – Yago Dora (BRA) 12.50 x 10.97 Kauli Vaast (FRA)3 – Marco Mignot (FRA) 13.70 x 13.37 Italo Ferreira (BRA)4 – Kanoa Igarashi (JAP) 13.67 x 12.00 Ethan Ewing (AUS)5 – Cole Houshmand (EUA) 13.33 x 10.93 Luke Thompson (AFS)6 – Jake Marshall (EUA) 12.44 x 5.93 Alan Cleland (MEX)7 – Mateus Herdy (BRA) 14.10 x 9.84 Jack Robinson (AUS)8 – Miguel Pupo (BRA) 13.40 x 10.13 Liam O’Brien (AUS) Quartas de final 1 – Yago Dora (BRA) 11.67 x 8.16 Callum Robson (AUS)2 – Kanoa Igarashi (JAP) 15.67 x 10.26 Marco Mignot (FRA)3 – Cole Houshmand (EUA) 18.50 x 10.00 Jake Marshall (EUA)4 – Miguel Pupo (BRA) 15.83 x 13.50 Mateus Herdy (BRA) Semifinais 1 – Kanoa Igarashi (JAP) 13.33 x 11.94 Yago Dora (BRA)2 – Miguel Pupo (BRA) 16.00 x 11.50 Cole Houshmand (EUA) Final 1 – Miguel Pupo (BRA) 14.77 x 14.40 Kanoa Igarashi (JAP) Feminino Round 1 1 – Brisa Hennessy (CRC) 10.90 x 10.10 Stephanie Gilmore (AUS)2 – Tya Zebrowski (FRA) 13.33 x 12.23 Alyssa Spencer (EUA)3 – Vahine Fierro (FRA) 12.16 x 11.50 Anat Lelior (ISR)4 – Yolanda Hopkins (POR) 11.96 x 11.37 Sally Fitzgibbons (AUS)5 – Tyler Wright (AUS) 10.67 x 7.17 Francisca Veselko (POR)6 – Bella Kenworthy (EUA) 13.33 x 10.77 Bettylou Sakura Johnson (HAV)7 – Eden Walla (EUA) 11.83 x 8.73 Nadia Erostarbe (ESP)8 – Caroline Marks (EUA) 15.67 x 12.50 Kirra Pinkerton (EUA) Round 2 1 – Gabriela Bryan (HAV) 14.07 x 13.50 Tya Zebrowski (FRA)2 – Luana Silva (BRA) 13.03 x 10.93 Tyler Wright (AUS)3 – Sawyer Lindblad (EUA) 15.34 x 8.74 Vahine Fierro (FRA)4 – Eden Walla (EUA) 12.00 x 10.50 Lakey Peterson (EUA)5 – Carissa Moore (HAV) 12.90 x 12.24 Brisa Hennessy (CRC)6 – Erin Brooks (CAN) 12.27 x 11.70 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 13.33 x 9.50 Yolanda Hopkins (POR)8 – Bella Kenworthy (EUA) 13.87 x 12.64 Caitlin Simmers (EUA) Quartas de final 1 – Gabriela Bryan (HAV)

    Com virada emocionante nos minutos finais, Miguel Pupo vence Kanoa Igarashi por 14.77 a 14.40 na Califórnia, conquista segundo título na temporada e sobe para quarto no ranking mundial.

    Há ondas perfeitas espalhadas por praticamente todos os cantos do planeta. Point breaks extensos, tubos perfeitos sobre bancadas de coral, ondas gigantes e assustadoras, destinos cada vez mais remotos no mapa do surfe. Mas poucos lugares carregam o peso do Havaí. É ali que a história do surfe como conhecemos hoje começou muito antes de campeonatos, transmissões ao vivo, pranchas modernas ou qualquer ideia de uma indústria em torno do esporte. No arquipélago havaiano, deslizar sobre as ondas faz parte de uma tradição ancestral, profundamente ligada à cultura local. Mas não é preciso ser surfista para entender por que uma viagem ao Havaí ocupa um lugar especial no imaginário de tanta gente. Na ilha de Oahu, Waikiki reúne alguns dos cartões-postais mais conhecidos do Havaí, com sua extensa faixa de areia, águas cristalinas e a imponente cratera vulcânica de Diamond Head compondo a paisagem. Ao redor da praia, Honolulu oferece restaurantes, compras e vida noturna. E até quem nunca subiu em uma prancha pode experimentar o surfe nas ondas mais acessíveis de Waikiki. Do outro lado da ilha está um cenário completamente diferente. No North Shore, Haleiwa preserva o clima de uma surf town, com lojas, restaurantes e food trucks no caminho para algumas das praias mais famosas do planeta. É também nessa faixa de costa que quebram algumas das ondas mais impressionantes e desejadas do mundo. Ali, o surfe extrapola a água e ajuda a ditar o ritmo da vida ao redor do oceano, uma relação que faz do Havaí muito mais do que um destino de ondas. É justamente esse universo que inspira a campanha Na Onda Com BB Mastercard, criada sob o conceito “Onde o surfe encontra experiências extraordinárias”. A iniciativa une benefícios aos clientes, incentivo ao esporte e levará consumidores ao Havaí justamente no auge da temporada havaiana, quando as grandes ondas despertam no North Shore e alguns dos melhores surfistas do mundo estão na ilha. Clique aqui para participar Quando o North Shore desperta Durante o inverno do Hemisfério Norte, grandes tempestades formadas no Pacífico enviam ondulações poderosas em direção ao arquipélago. Quando essa energia encontra o North Shore de Oahu, algumas das ondas mais famosas do planeta ganham vida. É nessa época que a pequena faixa de costa passa a concentrar alguns dos melhores surfistas do mundo. Entre campeonatos, treinos e sessões de freesurf, atletas, fãs e fotógrafos dividem o mesmo cenário, enquanto boa parte das atenções do mundo do surfe se volta para o North Shore. E é justamente nesse momento que os clientes contemplados pela campanha Na Onda Com BB Mastercard estarão no Havaí, com a oportunidade de acompanhar ao vivo, em Pipeline, a etapa decisiva da temporada 2026 do Circuito Mundial da WSL. Sete milhas de história Em aproximadamente sete milhas de costa (cerca de 11 quilômetros) encontram-se picos como Waimea Bay, Sunset Beach e Pipeline, entre muitos outros. Essa concentração de ondas perfeitas e tão diferentes deu ao trecho um apelido que atravessa gerações: Seven Mile Miracle, o Milagre das Sete Milhas. Waimea teve papel fundamental no desenvolvimento do surfe moderno de ondas grandes. Sunset tornou-se um dos grandes campos de prova dos melhores surfistas do mundo. Mas foi outra onda, quebrando sobre uma rasa bancada de recife e muito próxima da areia, que se transformou no maior símbolo do North Shore: Pipeline. A onda que parecia impossível No início dos anos 1960, Pipeline ainda representava uma espécie de fronteira. Rápida, oca e quebrando sobre uma bancada rasa, a onda parecia especialmente ameaçadora para as grandes e pesadas pranchas da época. Em dezembro de 1961, uma sessão do californiano Phil Edwards, registrada pelo cineasta Bruce Brown, ajudaria a mudar essa história. Com a evolução das pranchas e das técnicas, Pipeline se transformou em um dos maiores símbolos do esporte. Gerry Lopez desenvolveu nos anos 1970 uma relação tão marcante com a onda que ganhou o apelido de Mr. Pipeline. Debaixo d’água, uma bancada rasa de recife ajuda a produzir as paredes espessas e os tubos que fizeram a fama do pico. Com swells maiores, entram em ação bancadas mais afastadas, conhecidas como Second Reef e Third Reef. Na visão do surfista, Pipeline quebra para a esquerda e Backdoor para a direita. E tudo acontece diante dos olhos de quem está na areia. O Brasil entra em cena Pipeline se transformou em um dos grandes palcos do surfe competitivo e, durante muitos anos, recebeu a última etapa da temporada. E o Brasil passou de coadjuvante a protagonista dessa história. Em 1976, Pepê Lopes já colocava o País em uma final em Pipeline. Em 1991, Fábio Gouveia venceu em Sunset Beach e quebrou outra barreira ao conquistar uma etapa da elite profissional em solo havaiano. A Brazilian Storm mudou definitivamente essa relação. Gabriel Medina conquistou em Pipeline, em 2014, o primeiro título mundial brasileiro. Adriano de Souza, o Mineirinho, foi campeão mundial e venceu o Pipe Masters em 2015. Três anos depois, Medina voltou ao Havaí para conquistar o bicampeonato. E então veio 2019. Dois brasileiros, Pipeline e um título mundial Italo Ferreira e Gabriel Medina chegaram à última bateria da temporada de 2019 com tudo em jogo. De um lado, Medina, já bicampeão mundial. Do outro, Italo em busca de seu primeiro título. A final do Pipe Masters definiria também quem seria o campeão do mundo. Dois brasileiros disputando o título mundial em uma das ondas mais emblemáticas do planeta. Italo venceu. Saiu de Pipeline campeão do Pipe Masters e campeão mundial pela primeira vez. Aquela cena talvez seja uma das melhores representações da transformação vivida pelo surfe brasileiro nas últimas décadas. O país que durante anos via o Havaí como território a ser conquistado passou a decidir entre seus próprios atletas quem seria o melhor surfista do mundo. Desde o primeiro título de Medina, em 2014, o Brasil acumulou oito títulos mundiais masculinos em 11 temporadas disputadas, com cinco campeões diferentes: Gabriel Medina, Adriano de Souza, Italo Ferreira, Filipe Toledo e Yago Dora. Mas a ligação entre Brasil e

    Berço do surfe, Havaí reúne ondas lendárias, paisagens paradisíacas e uma relação especial com o Brasil. Campanha Na Onda Com BB Mastercard leva clientes para viver essa experiência de perto.

    A Seleção Brasileira Júnior conquistou três medalhas no Surf City El Salvador ISA World Junior Surfing Championship 2026. A paranaense Luara Mandelli ficou com o bronze na Sub-18 Feminino, o paulista John Muller levou o cobre na Sub-18 Masculino e o Brasil terminou com o bronze por equipes, como a terceira melhor seleção entre os 56 países participantes da 22ª edição do Mundial Júnior da ISA. A principal competição de base do surfe no mundo começou com 420 surfistas. Apenas 11 países tiveram representantes entre os 24 atletas que disputaram as semifinais no domingo, em La Bocana. A Austrália ficou com o ouro por equipes, seguida por Estados Unidos, Brasil e Peru, repetindo as quatro primeiras posições do Mundial de 2025, no Peru. Luara repete feito de 20 anos atrás Na decisão da Sub-18 Feminino, Luara Mandelli chegou à final depois de superar a australiana Stella Green nas semifinais. Na disputa pelas medalhas, Leihani Zoric dominou com notas 8,17 e 7,83, somando 16,00 pontos para conquistar o ouro para a Austrália. Zoie Zietz, dos Países Baixos, ficou com a prata, com 12,77 pontos. Luara somou 8,44 e conquistou o bronze, enquanto a argentina Victoria Muñoz Larreta terminou com o cobre. Com o resultado, Luara repetiu um feito de 20 anos atrás. A paraibana Diana Cristina, a índia Tininha, havia conquistado o bronze no Mundial Júnior de 2006, realizado em Maresias, São Sebastião (SP). Luara tornou-se a segunda brasileira a conquistar uma medalha em 22 edições do Mundial Júnior da ISA. John Muller fica com o cobre O Brasil também disputou as medalhas na Sub-18 Masculino. John Muller venceu a primeira semifinal usando os aéreos. Ryan Martins também buscava uma vaga na decisão, mas o norte-americano Jett Maughan conseguiu uma onda nos minutos finais, acertou um aéreo e recebeu nota 9 para avançar junto com John. Na final, o brasileiro começou na frente com 5,67, mas Maughan e os australianos Ocean Lancaster e Ben Zanatta Creagh passaram a concentrar a disputa pela vitória. O norte-americano assumiu a liderança ao receber 8,23 e chegou aos 15,06 pontos. John ainda acertou um aéreo full rotation de backside no último minuto e recebeu 6,40, sua maior nota, mas não conseguiu deixar a quarta posição. Jett Maughan conquistou o ouro com 15,06 pontos, Ben Zanatta Creagh levou a prata com 14,80, Ocean Lancaster ficou com o bronze com 14,74 e John terminou com 12,07 e a medalha de cobre. Brasil é bronze por equipes A campanha colocou novamente o Brasil entre as três melhores seleções do Mundial Júnior. A Austrália conquistou o ouro por equipes com 8.078 pontos, os Estados Unidos ficaram com a prata com 6.048 e o Brasil levou o bronze com 5.430. O Peru terminou em quarto, com 5.293 pontos e a medalha de cobre. Além dos medalhistas Luara Mandelli e John Muller, Ryan Martins terminou em quinto lugar na Sub-18 Masculino e Arthur Vilar foi sétimo na Sub-16 Masculino. Valentina Zanoni ficou em 13º na Sub-18 Feminino e Carol Bastides terminou em 19º na Sub-16 Feminino. O Brasil foi o primeiro campeão por equipes do Mundial Júnior da ISA, na estreia da competição em 2003, na África do Sul. Entre os brasileiros que já conquistaram o ouro individual estão Jefferson Silva, Jadson André, Alejo Muniz, Gabriel Medina, Filipe Toledo, Matheus Navarro, Luan Wood, Weslley Dantas e Ryan Kainalo. Em 2023, no Rio de Janeiro, a Seleção Brasileira Júnior voltou a conquistar o título por equipes, 20 anos depois da primeira vitória. Resultados Sub-18 Feminino – Final 1 – Leihani Zoric (AUS) 16,002 – Zoie Zietz (NED) 12,773 – Luara Mandelli (BRA) 8,444 – Victoria Muñoz Larreta (ARG) 7,03 Sub-18 Masculino – Final 1 – Jett Maughan (USA) 15,062 – Ben Zanatta Creagh (AUS) 14,803 – Ocean Lancaster (AUS) 14,744 – John Muller (BRA) 12,07 Ranking por equipes 1 – Austrália – 8.078 pontos2 – Estados Unidos – 6.048 pontos3 – Brasil – 5.430 pontos4 – Peru – 5.293 pontos5 – Japão – 5.035 pontos6 – Havaí – 5.012 pontos7 – Espanha – 4.625 pontos8 – Nova Zelândia – 4.542 pontos9 – França – 4.416 pontos10 – Portugal – 4.095 pontos

    Luara Mandelli leva bronze na Sub-18, John Muller fica com o cobre e Seleção Brasileira termina em terceiro lugar entre 56 países no Mundial Júnior da ISA em El Salvador.

    A reta decisiva do Championship Tour 2026 chega nesta sexta-feira (11) a Lower Trestles, na Califórnia. A nona etapa da temporada abre a janela com dez brasileiros na disputa, quatro deles entre os cinco primeiros do ranking masculino, e condições suficientes para colocar o evento na água logo no primeiro dia. A primeira chamada acontece às 11h30 (horário de Brasília), com possível início das baterias ao meio-dia. A previsão das ondas aponta a sexta-feira como provável dia de competição. Um swell de sudoeste de período longo deve proporcionar ondas de 4 a 6 pés de face, com séries maiores durante a maré enchendo pela manhã. O vento de sul ainda pode deixar o mar um pouco mexido, mas a previsão mais recente indica que o efeito deve ser administrável e não necessariamente comprometer a realização das baterias. No sábado (12), o swell começa a perder força, com ondas de 4 a 5 pés e possibilidade de realização de baterias. O domingo (13) aparece como provável dia de folga, com ondas mais irregulares de 3 a 4 pés. A segunda-feira (14) também tende a ficar sem competição, com apenas 2 a 4 pés e vento sul. Na terça-feira (15), o cenário começa a mudar. Apesar de o mar ainda permanecer pequeno, na faixa de 3 a 4 pés, uma nova ondulação com boa energia e período longo deve começar a aparecer ao longo do dia. A previsão indica vento leve e condições de semi-limpas a limpas, preparando o terreno para a melhor parte da janela. Novo swell a caminho A maior expectativa está concentrada entre quarta (16) e sexta-feira (18). Um novo swell de sul-sudoeste, gerado por uma tempestade compacta e intensa no Pacífico Sul Central, deve começar a subir na quarta e atingir o pico na quinta-feira (17). Durante os três dias, Lower Trestles deve receber boas ondas, com as maiores séries entre a tarde do dia 16 e a manhã do dia 18. O vento também tende a colaborar, com manhãs limpas e vento fraco, seguido por vento de oeste fraco a moderado durante as tardes. Existe ainda a possibilidade de um pequeno swell tropical de sul se juntar à energia principal e aumentar a consistência das ondas. A previsão, porém, ainda é tratada com cautela e depende da evolução do ciclone responsável pela formação desse swell. Nos dois últimos dias da janela, 19 e 20 de setembro, a combinação do swell de sul-sudoeste em queda com uma nova ondulação de sudoeste deve manter condições para competição. Brasileiros em posição de destaque Trestles é a última etapa antes do corte que define os 22 surfistas que seguem para a pós-temporada, aumentando o peso dos resultados na Califórnia. Leonardo Fioravanti chega à etapa na liderança do ranking masculino, enquanto Carissa Moore veste pela primeira vez nesta temporada a lycra amarela de líder entre as mulheres. Logo atrás de Fioravanti, o Brasil domina as primeiras posições do masculino. Italo Ferreira ocupa a segunda colocação, seguido por Yago Dora em terceiro, Gabriel Medina em quarto e Miguel Pupo em quinto. Além deles, João Chianca, Samuel Pupo, Alejo Muniz, Mateus Herdy e Filipe Toledo completam o grupo brasileiro no masculino. No feminino, Luana Silva representa o País. Filipe chega a uma etapa especialmente importante. Atual 21º colocado, o bicampeão mundial tenta permanecer entre os 22 que avançam para a pós-temporada. Trestles, porém, guarda algumas das melhores lembranças de sua carreira: foi ali que o brasileiro conquistou os títulos mundiais de 2022 e 2023, quando o circuito ainda utilizava o formato das WSL Finals. Toledo também conhece Lower Trestles como poucos. O brasileiro viveu por 11 anos em San Clemente antes de se mudar para o Rio de Janeiro no fim de 2025 e descreve a onda californiana como uma espécie de “skate park”, pelas inúmeras possibilidades de manobras progressivas. Rodgers e Pinkerton vencem triagens Os norte-americanos Hayden Rodgers e Kirra Pinkerton garantiram as últimas vagas no evento ao vencerem as triagens realizadas em Trestles. Rodgers somou 12,10 pontos e fará sua estreia no Championship Tour, enquanto Pinkerton venceu com 13,33 e chega à quarta participação em uma etapa do CT. Chaves brasileiras Mateus Herdy é o único brasileiro escalado para a primeira fase masculina. Ele enfrenta o norte-americano Taj Lindblad na quarta bateria e, caso avance, terá Gabriel Medina pela frente no Round 2. Os demais brasileiros entram diretamente no Round 2. Yago Dora encara o vencedor da terceira bateria da primeira fase; João Chianca enfrenta Marco Mignot; Italo Ferreira pega o vencedor da segunda bateria; Alejo Muniz enfrenta Ethan Ewing; Samuel Pupo encara Jake Marshall; Gabriel Medina aguarda Herdy ou Taj Lindblad; Filipe Toledo enfrenta Liam O’Brien; e Miguel Pupo pega Ramzi Boukhiam. O desenho da chave ainda abre a possibilidade de confrontos brasileiros já no Round 3. Italo Ferreira e João Chianca podem se enfrentar caso avancem, assim como Filipe Toledo e Miguel Pupo. No feminino, Luana Silva estreia diretamente no Round 2 e enfrenta a vencedora da bateria entre Tyler Wright e Francisca Veselko. Janela do Lexus Trestles Pro: 11 a 20 de setembroLocal: Lower Trestles, Califórnia (EUA)Primeira chamada: sexta-feira (11), às 11h30 (horário de Brasília), com possível início da competição ao meio-dia. Chaves de bateria Masculino Round 1 1 – Luke Thompson (AFS) x Matthew McGillivray (AFS)2 – Eli Hanneman (HAV) x Hayden Rodgers (EUA)3 – Joel Vaughan (AUS) x Oscar Berry (AUS)4 – Mateus Herdy (BRA) x Taj Lindblad (EUA) Round 2 1 – Connor O’Leary (JAP) x vencedor R1 H12 – Griffin Colapinto (EUA) x Rio Waida (INA)3 – Yago Dora (BRA) x vencedor R1 H34 – Kauli Vaast (FRA) x Barron Mamiya (HAV)5 – Marco Mignot (FRA) x João Chianca (BRA)6 – Italo Ferreira (BRA) x vencedor R1 H27 – Kanoa Igarashi (JAP) x Crosby Colapinto (EUA)8 – Ethan Ewing (AUS) x Alejo Muniz (BRA)9 – Leonardo Fioravanti (ITA) x vencedor R1 H110 – Morgan Cibilic (AUS) x Cole Houshmand (EUA)11 – George Pittar (AUS) x Alan Cleland (MEX)12 – Samuel Pupo (BRA) x Jake

    Nona etapa do CT abre janela em Trestles, Califórnia (EUA), com dez brasileiros e ondas de até 2 metros. Novo swell ganha força entre os dias 16 e 18.